Volta ao Ar Rádio Nacional da Amazônia.
Para: Diretoria da EBC, Presidência da Republica e Ministério das Comunicações.
Populações ribeirinhas e indígenas de nove estados têm seu direito constitucional à comunicação negado após pane nos transmissores ocorrida em março.
A emissora está fora do ar desde que um raio caiu sobre o Parque de Transmissão da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – empresa que atualmente gere a Rádio Nacional da Amazônia – no Distrito Federal, em 20 de março deste ano.
Desde sua criação, a Rádio Nacional da Amazônia tem cumprido papel fundamental para garantir cidadania aos moradores da região norte do país, por meio do acesso à informação. Mas este sentimento de pertencimento tem se perdido cada vez que uma mão amazônida tenta sintonizar a emissora e se depara com um silêncio desumano vindo de seu aparelho.
As comunidades isoladas em áreas rurais, ribeirinhas, indígenas e fronteiriças, situadas em locais onde há dificuldades de acessos à internet e a outros canais de comunicação são as que mais se beneficiam dos serviços de utilidade pública veiculados pela emissora, que leva a tais comunidades, além de informação, dicas de como buscar soluções a problemas básicos de saúde, violência doméstica e como tirar documentos.
Programas históricos como “Eu de Cá, Você de Lá”; “Falando Francamente”; “Ponto de Encontro”; “Natureza Viva”; “Viva Maria”; “Nossa Terra”; “Amazônia Brasileira”; “Tarde Nacional”; “Mosaico”; “Em conta” e “Repórter Amazônia” simplesmente pararam de chegar até o seu público, cortando uma relação de décadas com os povos da floresta.
Não bastasse a violação do direito à informação de milhares de pessoas que vivem nos estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal (Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Roraima e Tocantins), como resultado do ocorrido, a EBC corre o risco de perder a concessão da rádio.