Pelo funcionamento do Centro Esportivo Miécimo da Silva
Para: Prefeitura do Rio de Janeiro, Subprefeitura da Zona Oeste
Pouco mais de um ano após a Rio 2016, em que foi feito Boulevard Olímpico, o maior centro esportivo do bairro de Campo Grande, Miécimo da Silva, está abandonado como nunca. O fato de ter sido até mesmo sede de grandes competições (Jogos Pan-Americanos 2007) não bastou para que a prefeitura o excluísse do projeto de descaso progressivo que vem desenvolvendo na Zona Oeste. Muito pelo contrário: só neste ano, por exemplo, o quadro de 120 professores foi reduzido a 41. A piscina - sobre cuja importância os moradores, sobretudo os mais antigos, têm muito a dizer - não funciona mais, está fechada; frequentadores reclamam de bebedouros parados, de instalações e instrumentos inutilizados e da carência de manutenção. Diante disso, o Coletivo Rexiste CG promove um abaixo-assinado pela retomada das atividades que foram suspensas, assim como pela limpeza, reorganização e reabilitação dos locais que hoje, por uma razão ou por outra, não podem mais receber pessoas.
Não se trata de uma tentativa preciosista de recuperar o que deve ser sacrificado. A verdade é que o Miécimo suporta uma considerável quantidade de projetos esportivos e de atividade física a que seus usuários, dos quais os jovens e os idosos se destacam, têm poucas (e péssimas) alternativas - ou mesmo nenhuma - dentro das possibilidades oferecidas no bairro pelo governo. E os senhores e as senhoras que não se exercitam senão pelos programas de atividade recreativa para a terceira idade alocados no Miécimo? E os jovens estudantes do Estado ou do Município que têm no Miécimo a melhor de suas escassas oportunidades no mundo do esporte - seja para o desenvolvimento de aptidões particulares, que exige treinos e equipamentos específicos, seja para a prática livre ou extracurricular? Para um governo sério, a renda média dos frequentadores não deveria absolutamente entrar em questão: manutenção de espaços e serviços públicos não é caridade. Mas, concedendo um pouco às nuances que pode tomar a realidade num lugar como o Rio de Janeiro - onde sobretudo na periferia elas se fazem sentir com peso -, vale dizer que o Miécimo oferecia atividades e cursos (até profissionalizantes) de graça, isto é: entre outros, para aqueles que não podem custeá-los sozinhos.
É fácil ilustrar quantos caminhos esta disponibilidade abria para quem deles precisava, e os benefícios que iniciativas como tal oferecem à sociedade num plano mais geral. Se houve debandada, inferir que a razão do problema está no próprio oferecimento dos serviços constitui falácia: não é necessário que sejam descontinuados. Se há problema, devem ser redesenhados, rediscutidos e, o mais importante, divulgados de modo a transformarem em fato todo o benefício de que são capazes. E, por fim, se houver debate, que seja aberto - outra causa de que não abrimos mão.
No que o Miécimo não pôde se sustentar, portanto, é imprescindível remodelá-lo. E neste novo modelo devem caber as demandas das pessoas do bairro, muitas das quais estão dispostas à conversa franca. O que não pode haver é um Miécimo sem um modelo que se ajuste a nós. Ou, no limite, um Miécimo totalmente sucateado: uma possibilidade que tememos com pesar, embora com razão.