Solicitação de instalação de telas de proteção em passarelas e viadutos de Salvador.
Para: Prefeitura Municipal de Salvador
Solicitação de instalação de telas de proteção em passarelas e viadutos de Salvador.
Para: Prefeitura Municipal de Salvador
Solicitação de instalação de telas de proteção em passarelas e viadutos de Salvador.
Para: Prefeitura Municipal de Salvador/BA
Os cidadãos abaixo-assinados, brasileiros, solicitam de Vossa Excelência a instalação de telas de proteção nas passarelas para pedestres que cortam as principais avenidas de Salvador (Av. Mario Leal Ferreira, Av. ACM, Av. Tancredo Neves e Av. Luís Viana Filho), bem como, a instalação de grades com telas ou redes nas laterais dos principais viadutos de Salvador: Viaduto das Pitangueiras (Av. Mario Leal Ferreira), Viaduto da Av. Joana Angélica, Av. Presidente Castelo Branco e Rua dos Rodoviários.
Vimos por meio desta convidá-los a unir-se a nós no comprometimento em salvar vidas. É de conhecimento público que a cidade de Salvador vem apresentando diversos avanços na área da mobilidade urbana, com construção de viadutos, duplicando avenidas e construção de passarelas. Tal avanço permitiu que a capital baiana saísse do ranking das dez cidades mais congestionadas, de acordo com uma pesquisa da empresa holandesa de GPS e telemetria TomTom, saltando da 7ª para a 28ª posição. O tempo médio de congestionamentos no trânsito de Salvador caiu 3 pontos percentuais, de 43% para 40%. A pesquisa analisa o comportamento do trânsito em 390 cidades do mundo, comparando os anos de 2015 e 2016.
Infelizmente, a cidade de Salvador, assim como em outras capitais no mundo tem tido aumento significativo nos índices de suicídio (consumado e tentado). Os índices do DATASUS, 1999/2013 indicam que Salvador – BA apareceu, durante seis anos, com a média histórica maior do que a nacional em proporção, e comparando com a cidade de São Paulo, apareceu como a maior em alguns anos. Em alguns deles, tem sido recorrente. Quando o indivíduo sabe que outras pessoas estão utilizando algum meio, como no caso do Viaduto das Pitangueiras (Av. Mario Leal Ferreira) e do viaduto da Av. Dom Joao VI, para tentar o suicídio, existe a possibilidade do aumento no índice de escolha por estes locais, que podem ser gerados tanto por atitudes previamente calculadas, quanto por atitudes impulsivas. Isso varia de pessoa para pessoa dependendo do momento que ela esteja passando em sua vida. As grades não vão garantir que se evitem os suicídios, porque existem várias formas de tirar a própria vida, os viadutos e as passarelas são somente alguns deles. O suicídio afeta milhares de pessoas incluindo indivíduos que perderam seus entes queridos, profissionais e familiares que se esforçam no cuidado daqueles que sobreviveram a uma tentativa de suicídio, pessoas que pensam incessantemente em tirar a própria vida, além do impacto desse problema nas comunidades locais e consequentemente para os serviços públicos de saúde.
Para além de uma manutenção puramente estrutural, acreditamos que um dos maiores desafios reside no comprometimento da manutenção da segurança de todos que diariamente transitam por estas estruturas. Ainda que os veículos midiáticos (por motivos éticos ou outros motivos) não divulguem sobre a ocorrência de tentativas de suicídio nestes locais, tais informações circulam livremente nas redes sociais incluindo vídeos, fotografias e comentários alcançando milhares de pessoas, de modo que a própria imagem deste nosso cartão postal já se encontra associada às tragédias ali ocorridas.
Pesquisas recentes sobre a psicologia do comportamento suicida têm mostrado que, além dos sentimentos de fracasso, derrota e aprisionamento vivenciados por aqueles que pensam em tirar a própria vida, um componente psicofisiológico crucial é a impulsividade. O fator impulsividade permite que pessoas em crises suicidas se engajem em tentativas de suicídio com maior agilidade quando há um método de morte facilmente acessível. A partir desses achados científicos, uma das principais recomendações da Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) trata da redução de acesso aos meios de execução de suicídio.
Uma análise aprofundada dos estudos internacionais sobre a eficácia da instalação de proteções em pontes, viadutos e pontos de elevação natural na prevenção do suicídio mostra evidências de que a restrição do acesso aos meios pelos quais as pessoas tentam suicídio – especialmente pela instalação de proteções – reduz o número de mortes por suicídio não somente no local, mas também na cidade ou região em que tal local ou foco se encontra. Esses estudos mostram que a instalação de proteções contra tentativas de suicídio por pulo tende a ser mais eficaz quando comparada a outros métodos de prevenção ao suicídio, uma vez que a interrupção imediata do comportamento suicida oportuniza a intervenção e a assistência.
Na cidade de San Francisco, nos Estados Unidos, por exemplo, a ponte Golden Gate Bridge já está recebendo as redes de proteção. O trabalho deve ser concluído em 2018, com proteções de seis metros de largura em cada lado da ponte, num investimento de mais de R$ 167 milhões. A ponte da Califórnia registra “desde sua inauguração, em 1937, mais de 1.600 suicídios”, segundo a The Bridge Rail Foundation, instituição dedicada à luta pelo fim de mortes por suicídio na Golden Gate Bridge.
Acreditamos que o compromisso com a manutenção da vida seja um compromisso do poder público, da iniciativa privada e da população geral. Assim como tem sido realizado na Golden Gate Bridge e em outras pontes ao redor do mundo, a instalação de proteções pode contribuir, e muito para evitar que novas tentativas ou mais casos de suicídio ocorram na cidade de Salvador.
Certo de que teremos a compreensão da Prefeitura de Salvador em nosso pleito, ficamos na expectativa do comprometimento para atenuarmos o trágico quadro de mais de 12 mil casos de suicídio por ano no Brasil.
Ass: Capitão Alden