Solidariedade aos trabalhadores rurais sem terra de Marabá-PA, expulsos da terra.
Para: Cidadãos brasileiros e latino-americanos
Carta de solidariedade aos Trabalhadores Rurais Sem Terra do sudeste do Pará, ameaçados de despejo por decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Pará e pelo Governo do Estado do Pará.
Nós, cidadãs e cidadãos do Brasil, da América Latina e do mundo, signatários desta carta, vimos manifestar a nossa total solidariedade aos trabalhadores e trabalhadores rurais que integram as mais de 2 mil famílias e aproximadamente 8 mil pessoas no município de Marabá, ameaçados por uma megaoperação de despejo jamais vista em tamanha extensão no Estado do Pará, deflagrada na data de hoje, 27 de novembro de 2017, pelo comando do Batalhão de Choque da Polícia Militar por ordem do Governo do Estado. A mesma Polícia Militar que, há seis meses atrás, numa operação supostamente de “cumprimento de mandato de busca, apreensão e prisão preventiva”, executou nove (9) trabalhadores rurais na Fazenda Pau D’Arco na mesma região sudeste do Pará.
Nos solidarizamos com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra-MST, que tem assumido corajosamente a frente da luta contra esta aberração fundiária no Brasil contemporâneo, um país de dimensão continental, que é o latifúndio capitalista-rentista e a concentração acintosa e vergonhosa de terras nas mãos de tão poucos milionários e bilionários, terras via de regra adquiridas pela via nebulosa dos negócios de especuladores fundiários que transacionam com títulos que trazem a marca suja da grilagem.
Estamos em vigília neste momento de tensão, apreensão, resistência e luta por direitos humanos - justos e legítimos - dos posseiros, para que permaneçam na terra que hoje ocupam através do trabalho digno de suas famílias. Fazer justiça e garantir esses direitos é dever do Estado brasileiro, em respeito à Constituição.