Arte no Vagão
Para: www.alerj.rj.gov.br
Abaixo assinado
A raiz da palavra vagão é a palavra vago, que vai além do seu significado popular, associados somente aos vagões de metrô e trem, no caso dos coletivos artísticos, a palavra vagão abrange todo e qualquer espaço vago da cidade, pois a cidade em si sempre foi manjedoura e palco para manifestações artísticas/culturais, já fazendo parte característica de nossa identidade como nação.
A manifestação artística dentro dos vagões completará seu primeiro centenário em 2020, pois, em 1920, Paulo Benjamin de Oliveira, o Paulo da Portela, iniciou historicamente esta manifestação artística itinerante, quando, junto a outros artistas e componentes do Bloco carnavalesco de Oswaldo Cruz, viajavam da estação Central do Brasil até a estação de Oswaldo Cruz ao som de poesias do samba, na época ainda marginalizado e hoje, um grande patrimônio imaterial e riqueza cultural reconhecido e admirado em todo o mundo.
A arte no vagão é uma manifestação espontânea e voluntária, resultante do estreitamento em seu cerne das relações sócio/culturais, reafirmado na crescente e indiscutível aceitação por parte da população e usuários dos transportes coletivos.
Pela iniciativa dos artistas, em seu pleno cumprimento do exercício cidadão, através de iniciativas criativas, e do caráter relacional característico de nossa identidade cultural, a arte no vagão contribui com uma ação construtiva para a sociedade, agindo na quebra do conflito e na quebra das barreiras individuais de troca comunicativa, proporcionando sempre uma experiência enriquecedora para todos.
Os artistas e coletivos, em comum acordo, levam sempre em consideração as condições de lotação das composições, principalmente em horários de pico, onde o próprio ato de viajar em condições de super lotação já é incômodo por demais para a população.
Através da oportunidade de demonstração de educação e respeito, presente na postura de todos os artistas, se justifica também os princípios fundamentais da arte e da boa convivência em sociedade, pois através da arte podemos reafirmar estes princípios, visto que onde aflora a arte, a violência não encontra espaço para se desenvolver e, historicamente, onde aflora a cultura se reafirma nossa identidade como nação.
Por isso, nós artistas envolvidos com essas causas e responsabilidades sociais, pedimos, através deste abaixo assinado, a toda população e aos órgãos competentes pelo cumprimento das leis que regem o estado democrático, a garantia de segurança dos artistas e o reconhecimento de nossa contribuição benéfica para o quadro social em pleno exercício de cidadania através do ato artístico.
Apoiados nos argumentos da constituição federal de 1988, no artigo 1° ; " A luta pela cidadania, qual seja, o direito a participação nas decisões e rumos da sociedade que o indivíduo faz parte, está ligada no Brasil e em muitos outros países a luta pelos direitos humanos".
E também, no artigo 19° da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz:
"Todo ser humano tem direito a liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meio e independente de fronteiras".
Está declaração é de 1948, apoiada pela constituição de diversos países democráticos.
Através deste abaixo assinado, viemos pedir o cumprimento de direitos, diálogos e leis que contemplem a segurança e integridade dos artistas, os protegendo de atrozes atos repressivos, muitas vezes violentos, no caso do metrô em específico.
Reconhecemos como trabalhadores os agentes de segurança, que, no exercício de sua função,muitas vezes conflituosa, cumprem normas que lhes são orientadas pela direção ou inteligência responsável pela estratégia de ação.
Por isso se faz necessário a solução destes conflitos através do diálogo transparente e democrático, se faz também necessário a ratificação da proposta de lei já protocolada na ALERJ(Assembléia legislativa do estado do Rio de Janeiro) da lei que contemple as manifestações artísticas conscientes dentro dos vagões do metrô, trem, ônibus, barcas, BRTs e espaços vagos e carentes de ações criativas, construtivas e colaborativas para a cidade do Rio de Janeiro.