Por favor, não feche o MINC
Para: Presidente eleito, senhor Jair Messias Bolsonaro
Por favor, não feche o MINC!
Caro senhor Presidente eleito da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, presto-me a escrever tais linhas abrindo mão (momentaneamente) de meu papel de opositor e fazendo um pedido enquanto cidadão brasileiro preocupado com o futuro do país e de nós, povo brasileiro que preza e clama pela construção de uma sociedade mais justa e igual e compreende o papel fundamental da cultura na formação de uma nação.
Senhor Presidente, temos, aqui no Brasil, uma grande dificuldade de diferenciar os conceitos de cultura e produção cultural e, ao confundir tais conceitos, acabamos por não acertar na construção e aplicabilidade das políticas culturais, não compreendendo, assim, a importância de termos uma estrutura Ministerial voltada, única e exclusivamente, para a construção de tal política.
Cultura, senhor Presidente, significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.
Senhor Presidente, Cultura é conjunto de hábitos e costumes; cultura traduz e representa a identidade de um povo e o brasil, com toda sua imensidão territorial, com toda sua miscigenação, com toda absorção de hábitos e costumes que nos foram passados pelos nossos antepassados e que transmitiremos para os nossos que virão, detém uma grandiosa riqueza e diversidade cultural.
Para além disso, Senhor Presidente, existe um conceito que deve ser observado e tratado com carinho dentro da cultura que é o de Economia Criativa. Senhor Presidente, Economia Criativa, segundo John Howkins, são atividades em que a criatividade e o capital intelectual são a matéria-prima para a criação, produção e distribuição de bens e serviços.
“O que move a Economia Criativa é a criatividade e a inovação como matéria-prima, portanto, o processo de criação é tão importante quanto o produto final, ou seja, uma cadeia produtiva baseada no conhecimento e capaz de produzir riqueza, gerar empregos e distribuir renda."
(MATARAZZO, Andrea; 2001)
Economia Criativa, senhor Presidente, à cima de tudo, é, também, distribuição de renda, geração de empregos formais e informais e fortalecimento da economia de um país e deve ser tratado e enxergado com muito carinho e especificidade.
Daí, senhor Presidente, apesar de meus parcos conhecimentos sobre o assunto, afirmo com veemência a importância da manutenção do Ministério da Cultura. Precisamos pensar “fora da caixa” de que Cultura é, meramente, colocar um artista no palco e pronto. Cultura é preservação da história e identidade de um povo, é geração de emprego e renda e fortalecimento da economia.
É obrigação do Estado Maior, cujo senhor é o Chefe, promover o resgate e o fomento da cultura popular e identitária do Brasil. A produção artística é de fundamental importância para nós, brasileiros; triste é aquele povo que não goza da arte e não valoriza seus artistas, sejam eles da música, do cinema, das artes cênicas ou plásticas, sejam artistas dos palcos, telas ou das ruas.
Contudo, prezado (com o perdão da falsa intimidade e com o máximo respeito), é preciso compreender a grandiosidade do MINC e entender que a preservação da cultura de nosso amado povo brasileiro, passada pelos nossos antepassados (desde os Índios que aqui habitavam, dos portugueses e povos europeus que aqui se constituíram e dos negros que foram arrancados de suas terras e mesmo assim tiveram a humildade de nos presentear com seus ensinamentos e contribuição cultural) deve ser resgatada, preservada e, sobretudo, fomentada aos quatro cantos do Brasil; a nossa pluralidade cultural deve ser conservada e impulsionada por todo o território nacional. Para isso, senhor Presidente, é necessário qualificar e fortalecer a estrutura ministerial e não reduzi-la.
Senhor Presidente, sou apenas um administrador de Empresas especialista em Gestão Pública, que transforma seus mais profundos sentimentos em poesia e cantarola cantigas ao vento no intuito de alegrar corações amargurados. Não sou estudioso da Cultura, mas acredito que o senhor, como patriota que afirmou ser durante toda sua campanha, compreenderá estas linhas grafadas com sentimento e não apenas com um olhar político, por isso, mais uma vez, registro meu apelo: por favor, não feche o Ministério da Cultura!
Respeitosamente,
Thiago Carvalho