FIM DO HORÁRIO DE VERÃO PELO BEM DE SUA SAÚDE
Para: Exmo Sr Presidente da República Jair Messias Bolsonaro
Atuando como médica há 25 anos, tenho observado os malefícios do atraso de 1 hora no relógio na saúde das pessoas, pela mudança brusca no ciclo circadiano.
O horário de verão exige do corpo uma adaptação à qual ele não responde rapidamente, trazendo desconfortos: sonolência diurna, dificuldade para adormecer, desatenção nas tarefas diárias e no trânsito.
O hormônio cortisol, liberado no organismo antes do despertar, prepara o corpo para entrar em atividade. Essa alteração forçada no ritmo biológico provoca uma série de problemas de ordem física, de acordo com os estudos de cronobiologia de Miriam Mendonça Morato Andrade, professora do Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Assis-SP.
Pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, aliada a cientistas de São Paulo e do Paraná mostraram que 54,57 % da população brasileira não se adapta à mudança do horário. Tal desajuste do relógio biológico pode persistir por meses, trazendo desconforto permanente até que o horário seja normalizado. A incidência de infarto do miocárdio aumenta nos primeiros dias após o horário de verão. Há estudos que registram aumento nos acidentes de trabalho e de trânsito, causados pela sonolência e dificuldade de concentração.
Mesmo que alguns gostem do horário de verão, e tenham a impressão de estar "aproveitando mais o dia", esse atraso de 1 hora no relógio traz prejuízos à saúde com o passar do tempo. Os mais penalizados são as crianças e os trabalhadores que, além do desgaste da saúde, correm maior risco de sofrerem assaltos enquanto aguardam o transporte público ainda no escuro.
De acordo com o Art. 196 da Constituição, “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” De acordo com tal premissa, a economia ínfima de energia gerada pelo horário de verão não mais se justifica.