Direitos do trabalho para soropositivos
Para: Excelentíssimo Sr Presidente da República
Excelentíssimo Sr Presidente da República,
Os brasileiros abaixo assinados se sentem tocados por estarem sendo tiradas as aposentadorias por invalidez de pessoas que estão se tratando do HIV. Não se aposenta mais as pessoas por estarem com HIV. Mas há trinta anos atrás, elas eram aposentadas pra se tratar. E se a doença estava sob controle, os remédios eram tão fortes, que a pessoa que os tomasse, não podia ir cumprir as horas de trabalho. Eu mesmo tomava uma droga que chamavam de Crixivan, hoje, já proibida por conta dos efeitos adversos. O Crixivan era surreal, depois de vomitar violentamente, me deixava prostrado pelo resto do dia e, aí, vinha a dose noturna, que não fazia vomitar, mas já era a hora de me prostrar pra dormir mesmo.
Então, imagina tirar a aposentadoria das pessoas que vêm sofrendo há 30 anos com os remédios, com as co-morbidades deles e também da presença do vírus – a AIDS não tem cura e o vírus permanece latente no organismo mesmo que a pessoa tome os remédios direitinho -, com a discriminação, com o estigma, e que pela quantidade de tempo, hoje, estão com mais de cinquenta anos, que estão zeradas, porque tomaram os remédios com rigor, que começam a fazer os planos de velhice, e, aí, depois de tanto tempo, retiram o que lhes tem sido de direito por todos esses anos, porque isso é do seu direito trabalhista, ter uma aposentadoria. E, agora, lançadas no mercado de trabalho doentes, defasadas, velhas e sem esperança.
Por isso, os brasileiros abaixo assinados, se valem do presente para solicitar de Vossa Excelência, com o poder que lhe cabe por Deus, a suspensão dessas desaposentadorias para os soropositivos e a reintegração dos que foram desaposentados para que recebam seus salários interrompidos, sem que tenha havido por parte do INSS uma perícia justa, que levasse em conta os aspectos citados acima.
Na certeza de termos o nosso pleito atendido, encaminhamos as assinaturas dos cidadãos abaixo, tocados pela misericórdia.
Niterói, 17 de março de 2019.
Luís Capucho.