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Trabalhadores da saúde pedem ajuda por terem de enfrentar a pandemia sem EPIs adequado para a situação de Pandemia

Para: secretaria de saúde de Belo Horizonte, Secretaria de saúde de Minas Geras, Ministério Publico de Minas Gerais, Ministério da Saúde

A equipe de enfermagem do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), cuja
Central de Regulação encontra-se lotada em Belo Horizonte, vem, respeitosamente à presença
de Vossas Senhorias, salientar o comprometimento no atendimento e enfrentamento do Covid
19 por parte de seus profissionais. Apesar de já ser de conhecimento da maioria, entendemos
conveniente configurar o nosso processo de trabalho e reforçar os principais aspectos de
biossegurança.
A conformação da Rede de Urgência e Emergência (RUE), proposta pelo Ministério da
Saúde com a Política Nacional de Atenção às Urgências, reforça a importância de articulação
entre os vários níveis de atenção. Desta forma, estão integrados as unidades básicas de
saúde/saúde da família, SAMU 192, unidades hospitalares, unidades de apoio diagnóstico,
terapêutico e de reabilitação, serviços de atenção domiciliar, bem como Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS) (BRAS-IL, 2013).
Neste cenário, a Central de Regulação (CR) do SAMU 192 regula solicitações de
atendimento e prioriza os atendimentos de pacientes graves, instáveis. Além de gerir o
atendimento das Unidades de Suporte Básico (USB) e Unidades de Suporte Avançado (USA),
ordena fluxos de entrada e transporte de pacientes para transferências e realização de
procedimentos complexos, nos vários níveis de atenção da RUE (BRASIL, 2013).
O SAMU de Belo Horizonte atua como referência para uma população que inclui vários
municípios da região metropolitana. Atualmente, conta com 27 ambulâncias, sendo 6 Unidades
de Suporte Avançado (USA) ou tipo D, e 21 Unidades de Suporte Básico (USB) ou tipo B. As
unidades tipo B são tripuladas, geralmente, por 01 ou 02 técnicos de enfermagem e um condutorsocorrista, já as unidades tipo D são compostas por 01 médico, 01 enfermeiro e 01 condutorsocorrista. São acionadas para os atendimentos que envolvem procedimentos de maior ou
menor complexidade em domicílios, vias públicas, instituições hospitalares e transportes inter
hospitalares dos pacientes.
A imprevisibilidade caracteriza o cotidiano de trabalho de todas as equipes. Os
profissionais precisam estar preparados para atender pacientes de quaisquer faixas etárias, de
interagir com profissionais que não são da área da saúde, necessitam ir de encontro ao paciente
em locais, às vezes adversos, para assisti-lo em situações mais variadas. (CICONET; MARQUES;
LIMA; 2008). A identificação de sinais e sintomas de gravidade, a interpretação destes, a interpretação destes, a
utilização de todos os recursos disponíveis e a identificação da possibilidade de transmissão de
doenças infectocontagiosas faz parte dos contextos de atuação de todas as equipes, sem
exceção. Assim como recomenda a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA,
2020), medidas de precaução padrão ou as especificas e até mesmo empíricas devem ser
observadas para prevenir, controlar e reduzir ao máximo a possibilidade de transmissão de
microrganismos, durante qualquer assistência à saúde.
Compreender os riscos ocupacionais, principalmente os biológicos, químicos,
ergonômicos, torna-se mandatório para seleção e uso adequados de equipamentos de proteção
individual (EPI). A seleção das roupas e macacões deve ser guiada por critérios científicos como
propriedades físicas e quimicas do tecido, espessura dos poros, repelência, tensão superficial,
ergonomia (CDC). Há de se considerar que, o fato de estar protegido contra microorganismos
potencialmente infecciosos quando da utilização de vestuário resistente a líquidos, é um mal
entendido.
Vários microorganismos são encontrados em diversos ambientes de saúde, incluindo
bactérias, vírus e fungos. O risco de exposição depende do estágio da doença do paciente, da
carga viral e gravidade dos sintomas. A forma e o tamanho deles variam bem como a capacidade
de se mover através da estrutura do tecido. Geralmente, os fungos são maiores que as bactérias
e estas maiores que os vírus. Um número significativo de microorganismos pode ser transportado
em volume muito pequeno de sangue e fluidos corporais, que podem não ser visíveis a olho nu
(CDC).
No contexto de doenças causadas por uma variedade de microorganismos, destaca-se o
vírus da Hepatite B (HBV), vírus da Hepatite C (HCV), vírus da Imunodeficiência Humana, assim
como bactérias multirresistentes. Qualquer um destes pode representar riscos significativos à
saúde dos trabalhadores da assistência (CDC). De modo preocupante, a partir de dezembro de
2019, um novo vírus, o COVID 19, vem provocando quadros de pneumonia viral associada à grave
insuficiência respiratória em vários pacientes em Wuhan na China. A transmissão do COVID-19
se dá por contato próximo pessoa a pessoa, a partir de secreções respiratórias geradas pela
tosse, espirro e até conversação, por meio de gotículas e contato. A presença do vírus em
amostras de fezes sugere uma rota oral fecal e também constitui sinal de alerta.
Há suspeita de que a transmissão do novo coronavírus também ocorra pelos pacientes
assintomáticos, teoria ainda não comprovada, que suscita preocupações de que se comporte
similarmente a vírus como varicela e sarampo, com transmissão possível durante o período de
incubação ou por pacientes com sintomas leves (ABRAMED).
Em 03 de fevereiro de 2020, o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública
de Importância Nacional (ESPIN) em decorrência desta infecção (Portaria GM/MS Nº188,
03/02/2020). A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alerta de saúde sobre esta nova
epidemia viral cuja taxa de letalidade é ainda de difícil definição, em se considerando sua recente
expansão mundial. Ainda não há tratamento ou vacina eficaz específicos para a doença.
Sua transmissão ocorre por contato próximo que pode ser definido como: estar a
aproximadamente um e meio (1,5m) a dois metros (2 m) de um paciente com caso suspeito ou confirmado e, inclui cuidar, morar, visitar ou compartilhar área ou sala de espera de assistência
médica, ambulância ou, ainda, nos casos de contato direto com fluidos corporais enquanto não
estiver usando o EPI recomendado.
Para os serviços pré hospitalares, nos atendimentos aos pacientes suspeitos ou
confirmados da doença viral pelo coronavírus (COVID 19), a Associação Brasileira de Medicina de
Urgência e Emergência (ABRAMEDE) recomenda a adoção de precauções contra gotículas,
contato e eventualmente aerossóis e, como paramentação, preconizam a utilização de óculos
de proteção ou protetor facial; máscara cirúrgica; máscara N95, macacão T
yvec/Tychen, luvas de procedimento, avental descartável e perneira.
A justificativa para precaução respiratória com máscara com filtro N95 está sendo
considerada sob três aspectos simultâneos: a patogenicidade do agente biológico, a quantidade
do mesmo disperso no ambiente e as condições de dispersão deste agente no local. A
classificação de risco dos agentes biológicos cuja patogenicidade não é conhecida é elevada.
Quanto à grande quantidade de aerossóis gerados no procedimento, deve-se classificar como de
alto risco a micro e macronebulização, a entubação endotraqueal, a aspiração nasofaríngea, os
cuidados com traqueostomia, reanimação cardiopulmonar, ventilação com bolsa-válvulamáscara (AMBU) e, respirador mecânico invasivo ou não. Em relação às condições de dispersão
do agente biológico, o ambiente com dimensões reduzidas e mal ventiladas tem maior risco do
que um de grandes dimensões e bem ventilado. Estas dimensões reduzidas e mal ventiladas
configuram o interior das ambulâncias (ANVISA).
A transmissão por contato de secreções respiratórias e possibilidade transmissão oralfecal, bem como patogenicidade ainda indefinida, justificam a utilização de capote ou macacão
impermeáveis. A ANVISA indica a paramentação capote impermeável de mangas longas, punho
de malha ou elástico e a abertura posterior devem permitir sobreposição suficiente para cobrir
as costas. Deve ser confeccionado com material não alergênico, resistente, proporcionar
barreira antimicrobiana efetiva, permitir a execução de atividades com conforto e estar
disponível em vários tamanhos (ANVISA, 2020) Apesar disso, o capote não garante agachar ou se
sentar, deixando desprotegido o dorso do profissional. Estes posicionamentos são muito comuns
durantes os atendimentos do SAMU. Apesar de mais fácil paramentação e desparamentação,, os
aventais ou capotes não fornecem proteção contínua para todo o corpo, não cobrem as pernas
como as panturrilhas. (CDC).
A paramentação com capote permite contaminação do macacão, visto que trabalhamos
sentados e principalmente com paciente na maca, em nível baixo, no piso da unidade. No
decorrer do plantão, o profissional continuará atendendo com este macacão, tornando-se
possível fonte de contaminação para outros pacientes. A lavagem dos uniformes, macacão do
SAMU, é de responsabilidade do profissional de saúde e procedida em seus domicílios.
Este EPI, assim como as luvas, gorro e óculos devem ser utilizados durante
procedimentos onde há risco de respingos de sangue, fluidos corpóreos, secreções e excreções,
a fim de evitar a contaminação da pele e roupa do profissional de saúde, bem como mucosas.
O capote impermeável deve ser de mangas longas, punho de malha ou elástico e a abertura
posterior devem permitir sobreposição suficiente para cobrir as costas. Deve ser
confeccionado com material não alergênico, resistente, proporcionar barreira antimicrobiana
efetiva, permitir a execução de atividades com conforto e estar disponível em vários tamanhos.
Apesar disso, o capote não garante agachar ou se sentar, deixando desprotegido o dorso. Estes
posicionamentos são muito comuns durantes os atendimentos do SAMU.
No que tange ao macacão descartável deve ter mangas longas, capuz com elástico para
ajuste ao rosto e compatibilidade com outros equipamentos de proteção individual. Deve ser
confeccionado com material impermeável, em tecido não tecido (TNT) de polipropileno
(laminado, respirável e microporoso), de alta densidade e também proporcionar barreira
antimicrobiana efetiva Seu fechamento frontal deve conter zíper bidirecional até a altura do
queixo ou fechamento frontal por zíper, com aba de proteção especial no pescoço. Os punhos
devem conter ajuste nos dedos polegares, elástico na cintura, punhos e tornozelos. (CDC)
Estudo chinês recentemente publicado mostra o acometimento inicial pelo COVID-19, de
forma considerável, em profissionais de saúde, com 1700 casos, sendo 15% considerados graves,
com registro de 5 óbitos. Esta ocorrência pode estar relacionada com o contato dos profissionais
com pacientes com maior carga viral mas,, também, devido à negligência ocorrida com as
medidas protetivas. (Clinical Characteristics of Coronavirus Disease 2019 um China, NEJM, 2020).
O profissional da área de saúde, em especial o do pré-hospitalar móvel, pode se tornar
um veículo para disseminação da doença, não só para seus familiares, mas, principalmente para
pacientes que venham a ser atendidos pelo serviço. Seu principal ambiente de trabalho, a
ambulância, envolve proximidade com o doente em torno de 50cm. Geralmente, seu uniforme
de trabalho, o macacão, é utilizado durante todo o plantão e, uma única equipe pode atender
várias ocorrências no mesmo turno, pacientes com variadas patologias e agravos de saúde,
facilitando a disseminação e infecção cruzada no caso de doenças infecto-contagiosas. Há
diferença significativa entre o desing do macacão e capote como EPI.
O avental descartável, disponível no SAMU de Belo Horizonte, padronizado para
atendimento dos pacientes com indicação de precauções de contato, consta com registro na
ANVISA de numero 8003400033 e tem descrição de avental descartável, indicado para
procedimentos de baixo risco. Não possui barreira antimicrobiana efetiva, nem tão pouco é capaz
de proteger completamente o macacão utilizado pelo profissional do SAMU, acarretando,
portanto, a contaminação.
Inicialmente, a confirmação laboratorial de transmissão do COVID-19 e ou relato de
vínculo epidemiológico por viagem ou contato com casos suspeitos foi prioritária e, norteou os
cuidados e paramentação dos profissionais. Entretanto, o Brasil já tem casos oficiais da doença
com transmissão sustentada o que aumenta a preocupação dos órgãos de vigilância em saúde,
dos serviços de atendimento e toda a rede profissional. Qualquer paciente atendido com
sintomas sugestivos da infecção pode ser reservatório e fonte de contaminação, até mesmo os
assintomáticos (ANVISA, 2020)
Apesar da escassez de recursos para compra, diversos estados de todo o País tem
direcionado esforços no sentido de adotar medidas de precaução que possam de maneira
efetiva, configurar-se como de primeira linha de biossegurança para os profissionais que atuam
na assistência dos pacientes com a síndrome viral Covid-19.
Considerando-se que o atendimento pré hospitalar e transportes de casos suspeitos já
vem ocorrendo, há vários dias, sugere-se que os EPI’s preconizados devem estar disponíveis em
todas as unidades, de forma descentralizada.
Considerando-se a falta de pias e a necessidades de medidas de higienização das mãos e
assepsia com álcool a 70% , antes da paramentação e após a desparamentação, a Instituição de
saúde deve garantir o fornecimento do álcool para todas as equipes, em todas as unidades
móveis, e incentivar o uso de forma racional.
Considerando-se que o macacão impermeável, com barreira antimicrobiana, confere
maior proteção, 360°, dentro de um espaço com menores dimensões como a ambulância,
sugere-se sua adoção para atendimento pré-hospitalar e não só nos transporte dos doentes com
casos suspeitos ou confirmados.
Considerando-se que o avental não impermeável, curto, também disponível no
almoxarifado do SAMU de Belo Horizonte, não protege os trabalhadores, não pode estar
disponível como opção na falta do macacão. A paramentação deste avental, por cima do macacão
de serviço, permite contaminação do mesmo. O capote ou avental, preconizados por protocolos
Municipais e Estaduais, aplica-se a assistência no leito de ambiente hospitalar.
Considerando-se a importância da adoção de medidas de precaução padrão,
independente do paciente a ser atendido pelos profissionais do SAMU, acrescida da possibilidade
de transmissão do novo coronavírus por pacientes assintomáticos ou em período de
incubação,torna-se imprescindível assegurar a disponibilidade de máscaras cirúrgicas e máscaras
com filtro (PFF2 ou N95) nas unidades descentralizadas.
Com o intuito de contribuir para o enfrentamento desta pandemia, contamos com o
apoio e empenho da gestão para prover as condições seguras de atendimento, minimizando os
riscos de contaminação e adoecimento dos trabalhadores. O impacto do adoecimento dos
trabalhadores, de seus familiares, além dos prejuízos físicos, econômicos, emocionais, sociais,
pode reduzir sobremaneira a capacidade de atendimento pelo desfalque de recursos humanos
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Esta petição foi criada em 23 março 2020
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