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Mundaça do monumento Borba Gato para Aimberê Tupinambá

Para: Prefeitura da cidade de São Paulo

O Ato do dia 24 de Julho, pelo grupo Revolução Periférica, demonstrou claramente em superarmos a presença de simbolos que representam a opressão(estupros, morte, escravização e morte) aos povos Indigenas desse território e ao povo negro, que foi sequestrado e trazidos para Pindorama.

Raramente falamos das lutas dos povos indígenas em território brasileiro, fato ocorrido desde a invasão portuguesa as terras de Pindorama. Nem invocamos seus mártires como fazemos com tantos outros lutadores do povo. Assim ficam no esquecimento Sepé Tiarajú, Cunhambebê, Kairuçu, entre muitos outros guerreiros e guerreiras indígenas que lutaram incansavelmente contra a invasão portuguesa, espanhola, inglesa, holandesa e francesa nas Américas. De norte a sul Houve o massacre de povos e de norte a sul houve a resistência.

Aqui no Brasil não foi diferente, logo em 1554 se iniciou a luta dos povos indígenas contra a invasão dos colonizadores, constituíram uma organização, a qual ficou conhecida como Confederação dos Tamoios (1554-1567). E aí é que, no cenário bélico, cheio de batalhas, negociações e quebra de acordo por parte dos portugueses, aparece nosso homenageado, o Cacique Aymberê.

Dentre as lideranças da resistência indígena, o jovem Aymberê ocupou importante posição por articular os indígenas, de várias etnias, contra o inimigo em comum: os portugueses, representantes da expansão da dominação européia em solo brasileiro. Aymberê, filho do Cacique Kairuçu foi aprisionado com seu pai e trazido a São Paulo de Piratininga para servir de escravo nas fazendas do então governador Bras Cubas. Pelos maus tratos dos escravocratas seu pai morre em cativeiro. Aymberê e seus parentes tinham como única saída a fuga. O jovem índio conseguiu se libertar e libertar os demais indígenas cativos. Na fuga, em direção a Niterói passa por diversas aldeias e incentiva os índios a lutarem contra o inimigo. Neste percurso promove vários encontros com caciques e articulam o ataque.

A Confederação dos Tamuyas (ou Tamoios) foi constituída por mais de 7 povos indígenas de São Paulo e Rio de Janeiro – há relatos de índios vindo de Minas Gerais, Espirito Santo e Bahia, inclusive os Guaianases, aliados dos portugueses fizeram parte dela mais tarde. Apesar de contida pelos portugueses, num ato covarde e de traição, em 1567, a Confederação dos Tamoios resistiu até por volta de 1574.



Aymberê foi o protagonista deste feito até então inimaginável no contexto da época: ele reuniu tribos e povos rivais, que lutavam entre si por território a lutar contra o inimigo comum e após a morte de Cunhambebe ele lidera a Confederação dos Tamoios. Podemos considerar que foi a primeira luta organizada por libertação, contra a escravatura, contra a dominação em solo brasileiro. Provavelmente o que inspirou outras insurreições posteriores. É pela resistência e pelo poder de organização unificado que temos Aymberê como símbolo de luta contra as injustiças sociais, homenageando-o através do nome de nossa organização popular, a qual se reúne junto a todas classes exploradas em combate também por um inimigo em comum da atualidade: o capital. Invocamos nossos ancestrais e o espírito do Grande Guerreiro para não seguirmos só.

Substituir o simbolo do opressor bandeirante pelo resistente guerreiro Tupinambá Aymberê é resgatar a memória de todo esse processo que ocorreu em Pindorama, que teve o sangue indgena e negro,regando o território que hoje é chamado de Brasil




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