Butantan volte a colaborar com as pesquisas do medicamento com o Zika-vírus contra o Câncer Cerebral, salvando a vida do Gabriel e de milhares de crianças
Para: Sr. Presidente da República, Sr. Governador de São Paulo, Sr. Diretor do Butantan
DIAGNÓSTICO
Gabriel sempre foi um menino alegre, estudioso e obediente. Tinha uma infância feliz, gostava da companhia dos irmãos e tinha uma ótima saúde. Porém, aos 3 anos, em março de 2020, após apresentar desequilíbrio ao andar, fez exame de ressonância magnética que evidenciou volumoso tumor cerebral em fossa posterior. De imediato realizou cirurgia e após alta foi encaminhado para equipe de oncologia. Exames anátomo-patológico e imuno-histoquímico diagnosticaram o tumor como meduloblastoma grau IV. Posteriormente realizou teste de sequenciamento genético do tumor no Hospital Sírio-Libanês em SãoPaulo. O resultado dos exames classificou o tumor como pertencente ao GROUP 3 nos subgrupos moleculares de meduloblastoma, sendo este, o grupo de pior prognóstico de cura, pois não há na literatura médica mundial um tratamento que tenha sido eficaz para este tipo de tumor.
TRATAMENTO
Foi incluído no grupo de alto risco e foi elegível para o protocolo de tratamento POG #9631 do Pediatric Oncology Group. O protocolo previa sessões de radioterapia de crânio e neuroeixo e quimioterapia. O tratamento radioterápico foi em realizado com 28 sessões, com aplicação total de 50.4 Gy (crânio e neuroeixo). A quimioterapia consistia na aplicação de vários medicamentos intercalados ao longo de 52 semanas.
Estava evoluindo bem quando, em janeiro de 2021, apresentou piora do estado geral e crise convulsiva. Exames evidenciaram recidiva do tumor com doença disseminada em medula espinhal. A avaliação da equipe de Neurocirurgia, tanto do hospital Santa Rosa quanto do Hospital Sírio-Libanês, contra indicou tratamento cirúrgico. Discutido o caso com a Radioterapia (Sírio-Libanês e Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre), também contra indicou radioterapia.
Após a recidiva, iniciou tratamento com quimioterapia alvo. Em abril de 2021 apresentou dificuldades para respirar e precisou ser internado em UTI, onde ficou por 67 dias. No momento está em internação domiciliar (Home Care), está com insuficiência respiratória crônica e faz uso de ventilação mecânica (respirador + concentrador de oxigênio) por meio de traqueostomia. Não está se comunicando e já perdeu todos os movimentos do corpo. Atualmente está em tratamento quimioterápico paliativo
VÍRUS DA ZIKA PODE COMBATER CÂNCER CEREBRAL INFANTIL
Em busca de um tratamento experimental, tanto no Brasil quanto no exterior, os pais do Gabriel descobriram uma pesquisa desenvolvida pelas pesquisadoras Carolini Kaid e Mayana Zatz do Instituto de Genoma da USP que consiste em verificar o efeito oncolítico do vírus da Zika em tumores do sistema nervoso central. O estudo descobriu que o vírus da Zika é capaz de infectar e matar as células de tumores cerebrais com eficácia, sem causar danos às células saudáveis. A pesquisa iniciou em 2017 e já possui resultados impressionantes em testes realizados em camundongos e cães.
Os primeiros resultados da pesquisa foram publicados em importantes revistas científicas Internacionais e foi capa da revista Cancer Research em junho de 2018.
- Artigo publicado na revista Cancer Reserarch (junho de 2018)
https://cancerres.aacrjournals.org/content/78/12/3363
- Artigo publicado na revista Molecular Therapy (maio de 2020)
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1525001620301386/pdfft?md5=11fe696e7d1aebcba7d96ba57db59788&pid=1-s2.0-S1525001620301386-main.pdf
A pesquisa vai entrar na fase clínica com testes em humanos. São elegíveis pacientes pediátricos com tumores no sistema nervoso central em tratamento paliativo, com tumor em estado avançado e que nenhum tratamento ou protocolo utilizado tenha tido efeito. O caso do Gabriel contempla os requisitos e ele foi aceito para participar como voluntário da fase clínica.
Ocorre que os pesquisadores estão com dificuldades para encontrar um laboratório que produza a medicação, pois o Instituto Butantan, que participou das fases anteriores da pesquisa e que iria realizar o isolamento do vírus e produção do vírus GMP para ser injetado em humanos, já informou que não poderá participará da pesquisa e, portanto, não produzira a medicação.
Com a negativa do Butantan, as pesquisadoras estão negociando com laboratórios no exterior a possibilidade de produção do medicamento, o que atrasará em pelo menos um ano o início dos testes em humanos. O Gabriel (e várias outras crianças) não pode esperar tanto tempo.
Assim, precisamos que o Butantan reavalie a sua posição atual e continue colaborando com o estudo produzindo vírus GMP (medicação). A vida do Gabriel de centenas de outras crianças depende disso.
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