Projeto Ademir Braz
Para: Câmara Municipal de Marabá
Por esses dias fez aniversário Ademir Braz, aos 75 anos, um dos maiores poetas contemporâneos do Brasil. Nascido nas margens do Itacaiunas, em Marabá, tornou esta cidade a sua aldeia cantada, traduzindo-a universalmente primeiro na poesia e depois no conto e na crônica, essa poesia do dia a dia, nascida dos jornais, espaço onde também atuou o poeta desde a Província do Pará, em Belém, até mais recentemente no Correio do Tocantins.
Embora advogado desde 2000, o lugar onde mais advogou pelos que não têm voz desse sempre foi a poesia, como pastor daquilo que ele chamou de “rebanho de pedras”: castanheiros, garimpeiros, lavadeiras, sem-terras.
Ademir foi incentivador de novos poetas, Ademir foi incentivador para essas novas dicções líricas pudessem se expressar, com a consciência de que um poeta sozinho não ilumina a escuridão. Hoje grandes nomes da pesquisa e da cultura tiveram nos seus conselhos e na sua divulgaçaõa um primeiro incentivo. Podemos citar os poetas, Abílio Pacheco e Francisca Cerqueira e a prosadora Evilângela Lima.
Mas não foi somente na escrita que Ademir Braz praticou a poesia. Com ouvidos atentos no mundo da canção, Braz também produziu a poesia cantada. Seguindo os caminhos de Vinícius de Moraes e Ruy Barata, poetas e também letristas, sua lira foi cantada nas vozes de diferentes parceiros como Néviton Ferreira, Dauro Remor, Javier de Mayrabá, Ricardo Smith e Marcelo Melo.
É por tudo que foi dito que o grupo cultural Itatotins e mais pesquisadores, escritores, jornalistas e músicos se reuniram para prestar esta homenagem e afirmar publicamente o reconhecimento desse grande intelectual para a arte e a cultura brasileira, amazônica e marabaense.
Ademir é um dos grandes nomes da poesia paraense. Perceber que sua obra anda esquecida e que o autor não tem sido olhado pelo poder público não faz justiça a alguém que tanto se esforçou para a que a arte e a cultura se disseminasse nesta região. E ainda tem muito a contribuir com sua escrita. No entanto, nos últimos tempo os poeta tem sido impedido de produzir por falta de condições materiais. Nesse sentido, nós, munícipes de Marabá nos dirigimos a esta honrada para que seja sancionado um projeto de lei em beneficio do poeta pelos seus serviços prestados à cultura ao longo de décadas, e para que o mesmo tenha uma pensão vitalícia paga pela prefeitura de Marabá, para que ele ainda possa ter condições materiais para continuar produzindo e engrandecendo o nome desta cidade como até agora tem feito mundo afora.