Nesse 7 de setembro seja independente.
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Estamos diante de um novo sequestro da festa cívica dos brasileiros, com o presidente pretendendo transformá-la em dia de confronto e intolerância. Esse tipo de mobilização mostra que o caminho do governo é o do autoritarismo e da coerção.
Está em curso também um sequestro militar da independência brasileira. O 7 de setembro se transformou numa festa cívica a partir das celebrações da jovem República. No entanto, desde as comemorações de 150 anos da Independência, quando o Brasil vivia uma perversa e violenta Ditadura Militar, inventou-se uma nova tradição que precisa ser questionada. Os generais lotaram as ruas com demonstrações de força bélica e com o desfile dos corpos de d. Pedro I e da imperatriz Leopoldina, que voltavam ao país. A festa era da morte e não da vida. E mais uma vez o atual presidente do Brasil retoma esse tipo de celebração, inclusive se comprometendo com o empréstimo do coração — que se encontra guardado em formol na cidade do Porto — do primeiro monarca.
Independência é o contrário disso tudo: significa liberdade de pensamento, reflexão crítica, livre-arbítrio e, desde a República, o respeito crescente às instituições democráticas.
Manifestamo-nos em defesa do 7 de setembro como uma festa cívica, das brasileiras e dos brasileiros, e da democracia! Estamos atentos ao funcionamento das instituições, às práticas sociais e, também, às dis- simbólicas.
Como fizemos na campanha das “Diretas Já”, lançada em 1983, é preciso agora resgatar os nossos símbolos. Coloque amarelo nas suas redes digitais, vista uma camiseta amarela, e coloque um pano amarelo na frente da sua janela.
Que vestir amarelo no dia 7 de setembro, dia de 200 anos da independência do Brasil, possa significar também a afirmação da liberdade, do bem comum e da democracia! Um 7 de setembro como marco da luta pelos direitos da sociedade civil contra as ameaças à democracia que vivemos. O marco é cívico e republicano; um gesto de cidadania.
Nesse 7 de setembro seja independente.
Articulação das Ciências Sociais – A4
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC
Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais – Anpocs
Associação Brasileira de Antropologia – ABA
Associação Brasileira de Ciência Política – ABCP
Sociedade Brasileira de Sociologia – SBS
Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO
Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN)
Associação Nacional de História – ANPUH-Brasil
Associação Brasileira de Literatura Comparada – ABRALIC
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Educação - ANPED
Lilia Moritz Schwarcz (USP e Anpocs)
André Botelho (UFRJ e Anpocs)
Luiz Schwarcz, editor
Mariana Chaguri (Unicamp e Anpocs)
Gilberto Hochmann (Fiocruz e Anpocs)
Renato Janine Ribeiro (USP e SBPC)
Fernanda Sobral (UnB e SBPC)
Patrícia Birman (UERJ e ABA)
Cornelia Eckert (UFRGS e ABA)
Luciana Veiga (UNIRIO e ABCP)
Marjorie Marona (UFMG e ABCP)
Jacob Carlos Lima (UFSCAR e SBS)
Edna Castro (UFPA e SBS)
Cleber Santos Vieira (Unifesp e ABPN)
Geovana Mendonça Lunardi Mendes (UDESC e ANPED)
Rachel Lima (UFBA e ABRALIC)
Bernardo Fonseca Machado (Unicamp e ABA)