Carta da Militância
Para: Presidente do Partido Democrático Trabalhista Carlos Roberto Lupi
Nós, Trabalhistas, Nacional Desenvolvimentistas, Nacionalistas; os 3,5%. Ao optarmos pelo PND e pelo Partido Democrático Trabalhista, sabíamos que enfrentamos todo o sistema. Não sabíamos, porém, que o sistema atacaria tão baixo.
Desde o começo da campanha de voto útil (que coincide com o início dos debates em tv aberta) nosso candidato à presidência da república, Ciro Gomes, sofreu dos mais vis ataques. Sejam de uma mídia dita “independente e alternativa”, sejam da militância organizada e sejam de grandes instituições de imprensa, nós vimos e vivemos isso. E nós, os militantes, não fomos apenas testemunhas desses atos nojentos e abjetos, como também fomos suas vítimas.
A correlação da imagem de Ciro com Bolsonaro causou desconfiança e gerou ódio nos chamados “petistas” contra nós. Tivemos panfletos rasgados, bandeiras arrancadas de nossas mãos; muitos foram xingados e alguns, até, ameaçados. Assistimos, embasbacados, o nosso candidato sofrer ataques similares, vindos do campo da “esquerda democrática”.
No campo oposto, as hordas fascistas nos usaram também. Se esconderam por trás das nossas críticas ao presidente Lula e à cúpula do PT, que são válidas e baseadas na realidade. Além disso, aproveitaram-se de nossos materiais para inserir propagandas escondidas, os chamados “dog whistles", que são identificados apenas por quem já é iniciado nesta seita. Assim, escorados na campanha do voto útil, puxaram de volta a população que vínhamos há 4 anos trabalhando em de-radicalizar e de-nazificar.
Houveram outros tipos de ataques, numa verdadeira demonstração de operação híbrida. E tudo isso gerou o resultado atual. Terminamos com 3,5%, nosso chão eleitoral. Só votou no Ciro, quem realmente acredita e confia nele hoje. Nós. Infelizmente. Mas o primeiro turno passou, nossas mágoas tendem a ser curadas ao seu tempo e precisamos encarar o Brasil como ele está, de fato.
O PDT decidiu por um apoio programático à campanha do Lula, decisão apoiada, até, pelo nosso candidato Ciro Gomes. Acreditamos que essa decisão seja justa, correta e necessária. Queremos, contudo, requerer ao presidente Lupi que o PDT siga o exemplo de humildade e coerência de Ciro Gomes. Nosso pedido é simples, queremos a não adesão à coligação de Lula e do PT e pedimos ao PDT que não aceite ou sequer negocie nenhum cargo dentro do próximo governo.
Manifestamos, de livre iniciativa, que entramos nessa luta contra todo um sistema, o sistema financeiro neoliberal que escraviza e humilha o povo Brasileiro. Continuaremos a nos opor a este, seja qual for o Avatar do momento que o estiver representado. Citamos a Carta de São Paulo (Um dos documentos bases mais caros a nós) quando ela diz: “Contra tudo isso o povo brasileiro elegeu Lula presidente da República. Para nossa infelicidade, Lula aderiu aos preceitos e compromissos dos adversários do povo brasileiro, agravando a nossa situação.”
Apoiar Lula em 2022 é a única saída frente ao fascismo, mas não melhorará nossa situação. Apenas unidos sobre um projeto nacional de desenvolvimento, teremos a verdadeira e sonhada liberdade. A militância que se emocionou por Ciro e que, em muitas cidades e Estados, carregou essa candidatura nas costas. A Militância que brigou em todos os fóruns públicos e foi publicamente humilhada e chicotada. Aqueles que, com Ciro, riscaram o chão na areia e não arredaram frente ao centrão. Os 3%, pede; apoio crítico sim, defesa desse programa de governo (que não existe) jamais.
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