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NOTA DE REPÚDIO DA POPULAÇÃO CRISTÃ BRASILEIRA CONTRA O DEPUTADO FREDERICO D’ÁVILA (PL/SP)

Para: Cristãos e cidadãos brasileiros em geral

NOTA DE REPÚDIO DA POPULAÇÃO CRISTÃ BRASILEIRA CONTRA O DEPUTADO FREDERICO D’ÁVILA (PL/SP)

Como cristãos católicos, repudiamos a conduta desrespeitosa e violenta cometida pelo deputado estadual Frederico D’Ávila (PL/SP) contra o arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes. e contra nosso Papa Francisco.
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) é uma liderança colegiada da Igreja Católica que, ao longo dos anos, tem sido sal da Terra e luz do mundo na sociedade brasileira. A campanha anual da fraternidade, uma das principais campanhas de evangelização encabeçadas pela CNBB, no período litúrgico da Quaresma, aproxima Jesus de seu povo sofredor e resulta em ações que, se não resolvem, aliviam o sofrimento de cidadãos que sofrem as contradições sistêmicas, dentre elas a divisão injusta entre ricos e pobres.
Como seguidores de Jesus Cristo, nós, católicos, sabemos da necessidade de cultivar um coração de pobre, isto é, desapegado de bens materiais; cultivar tesouros no Céu; não servir a Deus e ao dinheiro, e não perdemos de vista a consciência de que o Reino de Deus não é deste mundo. Mas a fé nos valores do Reino não nos torna cidadãos alijados dos problemas humanos, sociais, políticos e econômicos do nosso país.
Temos visto a boa fé de pessoas humildes e vitimadas por negligências governamentais em educação, sendo explorada levianamente para fins eleitoreiros, e como cristãos não podemos nos calar diante dessa covardia.
Nosso Senhor alertou-nos contra falsos profetas que se infiltram entre o povo de Deus, como lobos em pele de Cordeiro. Estes sim um câncer que precisa ser extirpado do nosso meio.
O posicionamento de Nosso Senhor frente às leis do Estado é que nós saibamos separar o que é de Deus e o que é “de César”, e disse isso num contexto político de usurpação da religião judaica para legitimar o domínio do Império Romano na Palestina.
Então a posição de todo cristão verdadeiro diante das tentativas de colonização do povo é não permitir que o Sagrado seja usado para isso.
Os sacerdotes católicos são livres para interpretar as escrituras sagradas à luz do viés teológico que bem entenderem, pois são todos teólogos e filósofos. Não contrariando o Código de Direito Canônico e a doutrina da Igreja, nada há de errado em educar o povo cristão para dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E Jesus é mesmo contra armas, contra omissão política que resulte em mortes, contra chacinas, contra extermínio, contra exclusão social, contra acúmulo de riquezas nas mãos de uma minoria, enquanto a maioria passa fome.
Jesus, enquanto passou por nossa experiência existencial, foi todo Amor. Passou pelo mundo fazendo o bem, dando testemunho de que o amor a Deus sobre todas as coisas expressa-se no amor ao próximo, e o referencial de amor ao próximo é o amor próprio, que é bem diferente de vaidade, orgulho, ambição por poder e dinheiro.
E isso não tem nada de proselitismo político. Nenhum padre católico precisa esconder-se atrás dos paramentos sacerdotais para expressar seu posicionamento humano, social, político, econômico, cultural, religioso e até ecumênico, posto que vivemos numa democracia, e o Concílio Vaticano II, que hoje regula a Igreja Católica no mundo inteiro, é um concílio ecumênico cristão, que visa a acabar com a divisão na Igreja Cristã.
Não podemos permitir, portanto, que nenhum político promova a divisão dentro da Igreja, simplesmente com base em suas opiniões pessoais e completamente ignorantes do que venha a ser o Cristianismo, a estrutura colegiada da Igreja, a teologia cristã e a diversidade de vocações religiosas que o Espírito Santo suscitou na Igreja. Opus Dei e Arautos do Evangelho são apenas duas delas e não se definem por oposição à CNBB que, aliás, é a representação eclesiástica que autoriza e chancela as práticas devocionais e vocacionais na Igreja. A CNBB não persegue ninguém.
A teologia da libertação também não é outra teologia contrária à teologia católica. Não é teologia “comunista”, como dizem esses políticos e empresários capitalistas, que enriquecem explorando o trabalhador, confiscando-lhes direitos e sonegando impostos. A teologia da libertação não é outra teologia herética, mas uma abordagem teológica que não permite aos oprimidos pelos sistemas da Terra a aceitação do sofrimento imposto como desígnio “divino”. Só é contra a teologia da libertação o opressor que necessita da passividade e da ignorância do cristão para lhe impor, em nome “de Deus”, os sofrimentos dos quais Jesus já o libertou. O trabalho de sacerdotes que seguem essa abordagem teológica também garante à Igreja a dimensão social utilitarista necessária, pois nós, católicos, não somos do mundo, nas estamos no mundo e, enquanto a Igreja estiver na Terra, vamos amar os pobres e injustiçados como Jesus os amou. Isso é cuidar da espiritualidade das pessoas e lhes confortar a alma. E no Congresso Nacional não tem nenhum teólogo da libertação eleito pela popularidade conquistada com seu trabalho sociorreligioso.
A CNBB não é um câncer, não é imunda como o Congresso Nacional cheio de parlamentares eleitos por notoriedade lograda em trabalho pseudo-religioso. Dom Orlando e o Papa Francisco não são vagabundos, nem safados, nem gentalha, nem canalhas. Contenha seu ódio contra quem ousa atrapalhar seu proselitismo político-religioso, deputado Frederico D’Ávila. Foi por isso que o senhor não se reelegeu para a Alesp. O senhor acha que é quem para usar o parlamento estadual a fim de caluniar, difamar e injuriar publicamente nossas autoridades religiosas? E assim como a corrupção de um parente não faz uma família corrupta, assim como a corrupção de um político não faz um partido corrupto, um padre pedófilo não faz a Igreja pedófila. Respeite nossa Igreja, nossa fé, nossa religião, nossa atuação no mundo e não nos envolva nessa disputa humana pelo poder,
Assinam esta nota de repúdio cristãos católicos, evangélicos e cidadãos brasileiros contrários à calúnia, à difamação, à injúria, à intolerância religiosa e à exploração da religião como trampolim político.

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Esta petição foi criada em 14 outubro 2022
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