INDICAÇÃO POPULAR E COLETIVA DE LUCIANA SURJUS PARA A COORDENAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE MENTAL ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS
Para: Aos Srs. Alexandre Padilha, Arthur Chioro, José Gomes Temporão e Humberto Costa - Grupo Técnico da Saúde do Gabinete de Transição Governamental
Caríssimos Srs. Alexandre Padilha, Arthur Chioro e Humberto Costa - Grupo Técnico da Saúde do Gabinete de Transição Governamental,
Respirando ares democráticos e considerando o momento crucial de reconstrução que vamos enfrentar, decidimos articular uma indicação popular e coletiva para a Coordenação Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, poe meio dessa petição enquanto um ato de exercício político.
Entendemos ser o momento de uma subversão nos padrões institucionais que têm sido estabelecidos historicamente na ocupação do cargo de Coordenador Nacional de Saúde Mental Álcool e outras drogas, por homens e médicos na maioria das gestões.
Diante de nossos anseios e preocupações, identificamos um nome que agrega importantes características, experiência e valores da atenção psicossocial dos quais não abrimos mão – a democracia e a participação, para enfrentar o racismo, o machismo, a LGBTfobia, sob o referencial despatologizante, antimanicomial, anticapacitista e antiproibicionista.
Nos mobilizamos, então, pela indicação de Luciana Surjus, mulher cis, professora universitária, pesquisadora, com extensa experiência em diferentes instâncias de gestão, com ampla respeitabilidade no campo na intersecção com as infâncias e adolescências, com as questões de álcool e outras drogas, com a pauta indígena, e ainda com a desinstitucionalização.
Luciana é Terapeuta Ocupacional pela PUC Campinas, especialista em Saúde Pública, mestre e doutora em Saúde Coletiva pela Unicamp e pós doutoranda em Psicobiologia na Unifesp. Atuou na Rede de Atenção Psicossocial como trabalhadora de CAPS e de Centro de Conviência, coordenadou o CAPS III Integração e a Fundação Síndrome de Down, em Campinas-SP. Compôs a equipe da Coordenação Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde, onde atuou como apoiadora dos Estados de São Paulo e Tocantins, bem como do processo de desintitucionalização de Juiz de Fora-MG. Foi ainda responsável pela articulação e publicação da Linha de Cuidado para atenção integral das pessoas com TEA e suas famílias na RAPS. Coordenou o processo de desinstitucionalização em Sorocaba-SP; foi Diretora de Saúde do Município de Jundiaí-SP. Autora de artigos científicos e livros na área. Presidiu o Conselho Municipal de Política sobre drogas de Santos-SP. Atualmente é Professora do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva da Universidade Federal de São Paulo, Campus Baixada Santista, à frente do Grupo de Pesquisa e Extensão DiV3rso, que tem sido uma forte referência para o fortalecimento teórico-prático de uma Redução de Danos Decolonial, e dos Observatórios Internacional de Práticas de Gestão Autônoma da Medicação e do Uso de Medicamentos e outras drogas.
Entendemos que essa indicação talvez seja uma possibilidade real de começamos a reapropriação e recuperação dos espaços participativos de construção da política pública de SMAD.
A nenhum/a de nós interessa a disputa entre pares, e por isso, não defendemos um nome, mas uma trajetória que reúne experiência e representatividade.
Assim sendo, as/os que assinam essa petição se identificam com essas referências, articulados nessa mobilização que envolve diversos territórios e lugares da RAPS, para que possamos viver essa realização.
Com nossas saudações psicossociais e agradecendo sua escuta, abaixo assinamos: