CARTA ABERTA À COP-27 - ANCESTRALIDADE E CRISE CLIMÁTICA OPEN LETTER - ANCESTRALITY AND CLIMATE CRISIS
Para: COP-27; ONU; Equipe de Transição do Governo Federal para gestão Lula
A CÚPULA DOS POVOS Rio + 30, nos 100 Anos da Semana de Arte Moderna de 1922, nos 30 anos da Conferência Eco-92 (a primeira Conferência organizada pelas Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992) e nos 30 anos de fundação da Rede AfroAmbiental e nos 30 anos de fundação do Movimento Inter Religioso – MIR, realizou, no MAM, de 03 a 06 de novembro de 2022, o Festival Arte dos Povos, que traz a cultura e a arte como ferramentas para brecar a crise climática e preservar a diversidade cultural, religiosa e biológica. Em meio ao início de um novembro negro, como é chamado o único mês que o Brasil costuma destinar para discussão de toda uma vida de escravidão dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana, em meio a anos sangrentos de ascensão global de governos extremistas e neofascistas, que esvaziaram e estrangularam o pouco acesso de discussão tão fundamental pelo direito à vida, tecida a duras penas por nós, povos e comunidades tradicionais indígenas, de matrizes africanas, povos ciganos, povos periféricos, movimentos de artistas, mestres e mestras de cultura popular, religiosos e pesquisadores.
O nosso objetivo é escalar o debate para alcançar um conjunto de organizações ainda não envolvidas. É preciso rediscutir as ONGs tradicionais como sendo as únicas eternas mediadoras, gestoras financeiras e porta-vozes ilegítimas dos povos e comunidades tradicionais, que são precarizadas e marginalizadas. O modelo de desenvolvimento predominante está levando o planeta ao esgotamento de seus recursos e desencadeando várias crises, inclusive de saúde, a exemplo das grandes epidemias, como a que estamos vivendo desde o final de 2019, a COVID-19, e hoje vivemos, também, um estado de calamidade cultural que tem nas igrejas neopentecostais do Brasil a promoção do racismo religioso e cultural. É urgente que se faça cumprir o acordo de Paris, os recursos do Fundo Verde devem ser destinados aos povos e comunidades tradicionais de forma direta.
No Brasil, estes problemas globais foram acentuados pela NÃO IMPLEMENTAÇÃO de políticas cidadãs para o meio ambiente e cultura, principalmente com a instauração de um governo neofascista e genocida. Estas políticas teriam um impacto positivo e direto no bem-estar ambiental, social e cultural dos Povos Tradicionais e comunidades de matriz Africana. Neste cenário, é alarmante o aumento recorde e descontrolado do desmatamento da Amazônia e de outros biomas, que extermina não só a fauna e a flora como também culturas e povos tradicionais que ali estão, um exemplo de Racismo Ambiental.
Nesses 30 anos, houve uma invizibilização do debate da ECO 92, retirando dos povos e comunidades tradicionais o direito de discussão, em um movimento de silenciamento do lugar de fala e saber do Sul Global. Esse movimento nos causa espanto por ser validado pela ONU, que fez o enterro da ECO92, ao permitir que o capital e governos, promotores da crise climática, continuassem não aportando recursos financeiros ao Fundo Verde.
A Cúpula dos Povos Rio + 30 promoveu um amplo debate que nos traz a necessidade de construção de uma agenda climática. Foram dias para lembrarmos que a economia sustentável, circular, agroecológica, fruto das narrativas ancestrais dos povos e comunidades tradicionais, é a única saída para reequilibrar esse mundo decadente e triste, baseado na exploração, no consumo e no desejo de controle, mundo este criado pelo ocidente e suas estratégias deliberadas de morte, perecimento e escassez.
Tendo em vista o não cumprimento dos acordos internacionais, o Acordo de Paris, Kioto, Estocolmo, ECO 92, convenção 169 da OIT, Pacto de Milão, vimos, por meio desta, propor ações no sentido de reparar à ineficiência e a omissão do Estado, de algumas lideranças religiosas e da Academia com a manutenção da vida na Terra. Para tanto, propomos ações estruturantes para mitigar as injustiças climáticas que atingem de forma desproporcional povos e comunidades tradicionais.
Dentro dessas ações estruturantes, promover a implementação da "Cultura Quarto Pilar da Educação", com uma educação ecológica que traga como base a cultura que liga o conhecimento, a experiência estética, as artes e as espiritualidades, respeitando a diversidades de cultura e conhecimento que temos nos povos e comunidades tradicionais, questionando e retirando as mesmas práticas de usurpação que fundam o chão de um conhecimento eurocêntrico que ensina a aprisionar saberes e negar a origem das muitas ciências, um neocolonialismo intelectual que exclui destes espaços de legitimidade de conhecimento, os saberes tradicionais dos povos e comunidades. Defendemos uma ecologia humana, de valores ancestrais, de respeito à terra, à água, à floresta.
Para mitigar os impactos das injustiças climáticas, propomos:
• A realização de 10 Cúpulas dos Povos, com participação ampla dos povos e comunidades tradicionais para que haja uma real representatividade dos corpos que são atingidos pelos impactos ambientais, até 2032, na Rio + 40, pela emergência climática;
• Descentralização dos recursos do fundo verde, com distribuição direta para as lideranças dos povos e comunidades tradicionais;
• Criação de um conselho dos povos e comunidades tradicionais, para observar, propor e executar medidas para mitigação dos impactos da crise climática e adaptação dos povos e comunidades tradicionais nas cidades;
• Construção de uma agenda climática para os povos e comunidades tradicionais, até dezembro de 2025, com implementação até 2032.
Exu acertou um pássaro ontem com a pedra que atirou hoje! Nós somos a pedra atirada por Exu. Somos a resistência de nosso povo. Axé
REDE AFROAMBIENTAL
THE PEOPLE'S SUMMIT Rio + 30, on the 100th Anniversary of the Week of Modern Art in 1922, on the 30th anniversary of the Eco-92 Conference (the first Conference organized by the United Nations on Environment and Development, held in Rio de Janeiro in 1992) and in the 30 years of the foundation of the AfroAmbiental Network and in the 30 years of the foundation of the Inter Religious Movement - MIR, held, at MAM, from November 03 to 06, 2022, the Festival Arte dos Povos, which brings culture and art as tools to stop the climate crisis and preserve cultural, religious and biological diversity. In the midst of the beginning of a black November, as the only month that Brazil usually dedicates to the discussion of a lifetime of slavery of traditional peoples and communities of African origin is called, in the midst of bloody years of global rise of extremist and neo-fascist governments , which emptied and strangled the little access to discussion so fundamental for the right to life, woven with great difficulty by us, indigenous peoples and traditional communities, of African origins, gypsy peoples, peripheral peoples, movements of artists, masters and mistresses of popular culture , religious and researchers.
Our goal is to scale the debate to reach a set of organizations not yet involved. It is necessary to re-discuss traditional NGOs as the only eternal mediators, financial managers and illegitimate spokespersons for traditional peoples and communities, which are precarious and marginalized. The prevailing development model is leading the planet to the depletion of its resources and triggering several crises, including health, such as the great epidemics, such as the one we have been experiencing since the end of 2019, COVID-19, and today we are also experiencing , a state of cultural calamity that has in Brazil's neo-Pentecostal churches the promotion of religious and cultural racism. It is urgent that the Paris agreement be enforced, the resources of the Green Fund must be directly allocated to traditional peoples and communities.
In Brazil, these global problems were accentuated by the NON-IMPLEMENTATION of citizen policies for the environment and culture, mainly with the establishment of a neo-fascist and genocidal government. These policies would have a positive and direct impact on the environmental, social and cultural well-being of Traditional Peoples and communities of African origin. In this scenario, the record and uncontrolled increase in deforestation in the Amazon and other biomes is alarming, which exterminates not only the fauna and flora but also the cultures and traditional peoples that are there, an example of Environmental Racism.
In these 30 years, the debate on ECO 92 has been rendered invisible, removing the right of discussion from traditional peoples and communities, in a movement of silencing the place of speech and knowledge in the Global South. This movement surprises us because it was validated by the UN, which buried ECO92, by allowing capital and governments, promoters of the climate crisis, to continue not providing financial resources to the Green Fund.
The Rio + 30 People's Summit promoted a broad debate that brings us to the need to build a climate agenda. There were days to remember that the sustainable, circular, agroecological economy, the result of the ancestral narratives of traditional peoples and communities, is the only way out to rebalance this decadent and sad world, based on exploitation, consumption and the desire for control, a world that was created by the West and its deliberate strategies of death, perishing and scarcity.
In view of the non-compliance with international agreements, the Paris Agreement, Kyoto, Stockholm, ECO 92, ILO Convention 169, Milan Pact, we hereby propose actions to repair the inefficiency and omission of the State , some religious leaders and the Academy with the maintenance of life on Earth. To this end, we propose structuring actions to mitigate climate injustices that disproportionately affect traditional peoples and communities.
Within these structuring actions, promote the implementation of the "Fourth Pillar of Education Culture", with an ecological education that is based on the culture that links knowledge, aesthetic experience, the arts and spiritualities, respecting the diversities of culture and knowledge that we have in traditional peoples and communities, questioning and removing the same usurpation practices that found the ground of a Eurocentric knowledge that teaches to imprison knowledge and deny the origin of many sciences, an intellectual neocolonialism that excludes from these spaces of knowledge legitimacy, knowledge traditions of peoples and communities. We defend a human ecology, of ancestral values, of respect for the land, water, and forest.
To mitigate the impacts of climate injustice, we propose:
• The holding of 10 People's Summits, with broad participation of peoples and traditional communities so that there is a real representation of the bodies that are affected by environmental impacts, until 2032, at Rio + 40, by the climate emergency;
• Decentralization of green fund resources, with direct distribution to the leaders of traditional peoples and communities;
• Creation of a council of traditional peoples and communities, to observe, propose and implement measures to mitigate the impacts of the climate crisis and adaptation of traditional peoples and communities in cities;
• Construction of a climate agenda for traditional peoples and communities, by December 2025, with implementation by 2032.
“Exu hit a bird yesterday with the stone he threw today! We are the stone thrown by Exu”. We are the resistance of our people. Axé!
REDE AFROAMBIENTAL
ASSINAM ESTA CARTA / SIGN THIS LETTER:
01 - Ilê Omiojuaro- (RJ)
02 - Articulação Nacional de Povos de Matriz Africanas e Ameríndia ANPMA-BRASIL (PI).
03 - CISIN - Centro de Integração Social Inzo Ia Nzambi- (RJ)
04 - Inzo kwa Nkisi Katu Omi Dilewi Filha -Itacimirim (BA)
05 - Associação Santuário Sagrado Pai João de Aruanda/ASPAJA (PI) 06 - Terreiro ALDEIA SAGRADA - Projeto Mukumbi - Projeto @pretamente - Juiz de Fora -MG
07- Ilê Axé Ewá Olodumare (BA)
08 - Ilé Asé Obé Fárá-(SE)
09 - REMA- Rede de matriz Africana-(SE)
10 - Agência Solano Trindade-(SP)
11 - CCAB - Centro de Cultura Afro Brasileiro Abassá bj Oiasimbêlépà (RJ)
12 - Ile Asé Oluwa Funfun - Terreiro de candomblé Recanto de Oxalufan (PR)
13 - Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro - MIR (RJ)
14 - Associação Amigos do Ilê Axé Oyá Tolá - Candeias- (BA)
15 - COLETIVO DAN EJI (MA)
16 - Núcleo do Cultura Afro-brasileira Iya Ogun-te/Axé Pratagy (AL)
17 - Ilê Axé Òbá Labi/ Guartiba-RJ
18 - Associação Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira - CEACA- (SP)
19 - Ilê Logum Edé/ Iguaba Grande - RJ
20 - Núcleo de Apoio à Pesquisa em Diversidades, Intolerâncias e Conflitos - DIVERSITAS - FFLCH/USP - (SP)
21 - Ocupação Cultural JEHOLU
22 - Inzo Ia Nzambi Bantu Ia Milenge Ni Jinsaba Tusembe. Igarassu - (PE)
23 - Inzo Ia Nzambi Ngana ua Nfinda Tauamin- Nova Iguaçu-(RJ)
24 - Casa Raiz do Bengue N'gola Janga Ria Gongobira
25 - Kwe Seja Lagi Deji Ayé Nidan - Queimados - (RJ)
26 - ARATRAMA - Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana
27 - Associação de Desenvolvimento Sócio Cultural Toy Badé
28 - Ax?´súxwé Ac?´ Mina G?gi F?n Vodún X?´byos? Toy Gbad?´
29 - Centro Cultural Obadará Africanidade - Cultura Tradicional de Terreiros
30 - Inzo Ia Nzambi Muxi Nzambiri Ia Ngunzu - Cabuçu - Nova Iguaçu-RJ
31 - INZO IA KAVUNGO NGANA IXI Carmary-Nova Iguaçu-RJ
32 - Federação de Umbanda e Culto Afro brasileiro do Maranhão - (MA)
33 - Ile Ase Alagbede ?`run
34 - Ile Ashe Yemowa Abé (Terreiro de Iemanjá/slz- (MA)
35 - Terreiro Lê Axe Iyemanja Omi Olodô - (RS)
36 - Centro Cultural Tambores de Angola-(RS)
37 - Ilê Àsé Òbokúnm (RS)
38 - Ilê Axé D'Ogun-Já (RJ)
39 - Ilê Onísègun - (RJ)
40 - Associação Cultura Companhia de Aruanda -(RJ)
41 - Ile Axé Alagbede Olodumare - (MA)
42 - CETMIO- (MA)
43 - Ilê Ewê Omó d' Òsányìn Amãhousú- (MA)
44 - Rede de juventude de terreiro da liberdade e fé em Deus- (MA)
45 - Centro Espírita Terreiro de Anastácia/ Vila Vitória /(MA)
46 - Forum Estadual de Mulheres de Axé/RENAFRO/(MA)
47 - Terreiros Digitais da Rede Afroambiental - (RS)
48 - Ilé Wopo Olojukan - (MG)
49 - FECUARON - Federações de Cultos a Umbanda e Amerindio do (RO)
50 - Centro de Tradições Egi Omim
51 - Ilê Axé Omo Tifé - Terreiro de Candomblém de Fortaleza-(CE)
52 - Instituto de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Instituto Cuca)
53 - Ilê Axé Dilewi- Ilhéus (BA)
54 - Mojubá Percussão Arte & Cultura
55 - Terreiro de Obatalá - Ile Omi Orun ( RJ)
56 - Instituto Terreiro Sustentável ( RJ)
57 - Ilê Ase Orun Aye Iya Egbe Jiyan - Casa de Nanã (RJ)
58 - Coletivo Jardim das Ervas Sagradas (RJ)
59 - ILÉ EIYELÉ OGÉ ASÉ OGODÒ ASÉ OSAGIYAN ( DF)
60 - ÁÁFÍN ASÉ YÁ OMÍ N'DE OMÍ OPARÁ (AC)
61 - Associação Satélite Prontidão - (RS)
62 - Ilê Axé Ijexá Orixá Olufon - Itabuna (BA)
63 - Associação dos Movimentos de Terreiros de Umbanda do Município de Piripiri do Piauí.(PI)
64 - Ilê Axé Ijexá Omi T’Odé Arataca-(BA)
65 - Associação beneficente amigos de todos / ASBAMTO ( Teresina-PI)
66 - Mansu Bandu Kuenkue Neta - Mansu Nangetu (Belém-PA)
67 - Terreiro Matamba Tombenci Neto- Ilhéus (BA)
68 - Organização Gongombira de Cultura- Ilhéus (BA)
69 - Cultura Quarto Pilar da Educação da Rede Afroambiental
70 - Inzo D'Angola Lua Branca (PA)
71 - Ilê Asé Bambosé (RJ)
72 - Terreiro Oju Oba- (RS)
73 - Ilê Axé Ijexá Ejo Aranfeju- Itabuna- (BA)
74 - Ilé asé ala koro wo (RJ)
75 - Associação Religiosa Pedro Pinto da Silva- Inzo Matendesi- (MS)
76 - Coletivo de Artes Kitanda Traz- (BA)
77 - Coordenação RENAFRO/ Saúde Araraquara-SP.
78 - Terreiro Caboclo Machu-Ma/Caboclo Girador das Matas/ Pai Nago de Aruanda/Vovó Cambinda/ Araraquara-SP
79 - Terreiro Nossa Senhora da Vitória/MA
80 - Grupo de Combate à Intolerância Religiosa e Racismo - Àjágúnã - Curitiba / PR
81 - Ilê Asé Ayra Kiniba - Associação Beneficente Afro-brasileira São Jerônimo e São Jorge (Ile Omo Oni Xangô Ati Iemanjá) - Curitiba / PR
82 - Ilê Omonibu Axé Beje-Ero - Campinas (SP);
83 - ILÊ ÁSÉ SÃPÔNNÃ / COSMOS (RJ)
84 – APAACABE CAPOEIRA – LIBERDADE E DIGUINIDADE (RJ)
85 - Comunidade Guardiã da Terra (budismo)?
86 - Revolução Compassiva (ecumenismo)?
87 - Iniciativa das Religiões Unidas - URI Brasil?
88 – Radio YANDE
89 – Feira UrussuMirim Karioka
90 - Alkimia (RJ)
91 – Emociona (RJ)
92 – Hebran (RJ)
93 - XP Investimentos
94 – Agrega
95 - Arte Clube Jacarandá (RJ)
96 – Pontão de Cultura Articula Matriz Africana (RJ)
97 – Ponto de Cultura Oku Abo (RJ)
98 - Ninho da Águia -RJ
99 - Baque Mirim - RJ
100 – OMOARO Cia Cultural
101 - Parationg -RJ
102 - INDEC RJ