Devolvam a coleção de insetos da Fiocruz-BA
Para: Servidores da Fiocruz, Comunidade baiana e Brasileira
Apresentação
Uma coleção taxonômica de insetos pode ser definida como a reunião ordenada de espécimes mortos, devidamente preservados para, principalmente, estudos morfológicos taxonômicos. A taxonomia fundamenta-se principalmente na análise comparativa dos atributos morfológicos das espécies e os caracteres taxonômicos são analisados principalmente nos espécimes preservados em coleções. Com raras exceções, a caracterização de um inseto fundamenta-se principalmente no estudo de seus caracteres morfológicos e atualmente, tal fato é enriquecido pelos dados fornecidos pela citogenética e biologia molecular, culminando com o genoma e transcriptoma de cada inseto. Apesar disso, é indispensável a existência de exemplares preservados por inteiro em coleções entomológicas. Sendo assim, a coleção entomológica é a base primordial e imprescindível para o estudo e conhecimento adequados da biodiversidade dos insetos, inclusive os vetores de patógenos. Lamentavelmente, em nosso país, pela a falta de informação específica sobre as regras e regulamentações de coleções entomológicas acontece o contrário de países mais desenvolvidos onde, é inconteste a importância de manutenção de coleções. Além do seu valor cultural e científico, uma coleção tem também seu valor material. Existem coleções que possuem um inventário de 60 milhões de espécimes preservados em sua coleção existindo registro total da coleção em banco de dados com processamento automático dos dados relativos a cada espécime, representando assim o património genético da fauna Brasileira. Do ponto de vista didático, as coleções encerram o material destinado ao ensino, pesquisa, demonstrações e treinamentos. Mas deve-se ter em mente que, o acesso de pessoal despreparado para lidar com a coleção é desastroso porque, geralmente, não sabe sequer sabem avaliar a importância de determinados exemplares. Infelizmente, é usual que se obtenham avultados recursos para expedições para a coleta de materiais, mas, em contraposição, poucos recursos são destinados à manutenção das coleções desses materiais.
Histórico
Após desligar-se da direção da Fundação Gonçalo Moniz (FGM), o Dr. Octavio Mangabeira Filho, Pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, criou em 1957, em Salvador, Bahia, o Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz do Instituto Oswaldo Cruz, (CPqGM-FIOCRUZ). Durante sua gestão na citada Fundação, convidou inúmeros cientistas, tanto do Brasil como do exterior, para realizar pesquisas sobre a biodiversidade, nosologias e eco-epidemiologias do Estado da Bahia. Entre os cientistas, fizeram-se presentes eminentes entomologistas como Herman Lent, Hugo S. Lopes, Sebastião Oliveira, Saul Adler, Oscar Theodor, Chana Malagolowyskin, E. Dobzansky, L. G.Laborieau, S.B.Pessoa, D.J.Lewis, Amilcar Vianna Martins, L.M.Deane, etc. Esses trouxeram importante material entomológico identificado por especialistas como Frei Thomaz Borgemeir, José Serafim, A. da Costa Lima, J. Shannon, John Lane, etc, para estudos comparativos em cursos e pesquisas que aqui realizaram. Nas oportunidades respectivas de suas visitas, também coletaram, prepararam e identificaram insetos oriundos do próprio Estado da Bahia. Esse valioso material foi acrescido de outro material oriundo do extinto Serviço Nacional de Febre Amarela e de material coletado pelo grupo de O. Mangabeira Filho, no qual trabalhava o solicitante do presente auxílio e os entomologistas Joaquim Machado Leal, Elizete Serafim e Neide Guitton ex-assistente de A. da Costa Lima, formando uma valiosa coleção entomológica que foi transferida devido a extinção da antiga FGM para o CPqGM. Ficou sob os cuidados do Laboratório de Parasitologia e Entomologia, onde atualmente é guardada, mantida e preservada.
O local de manutenção da coleção entomológica está localizado no pavilhão central do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz e atualmente a coleção possui cerca de 40 mil exemplares de diversas espécies de insetos, pertencentes a várias ordens, tanto de interesse médico como agrícola e encontra-se nas em pequenas, mas adequadas instalações físicas. Entretanto, as reformas e construções do prédio onde está instalada a coleção obrigaram a remoção da coleção, por diversas vezes, para provisórias instalações, desorganizando e danificando parte do material que necessita agora de ser preservado, devido ao seu valor histórico e científico.
Recentemente, a coleção entomológica do IGM foi doada à UNEB sem consulta prévia à comunidade do IGM, e sem os devidos cuidados, provocando danos irreparáveis à coleção e transtornos a todos os servidores que faziam uso do espaço, bem como a toda comunidade do IGM e comunidade baiana, que depende do espaço para a realização de suas atividades de pesquisa e encontra nesta coleção oportunidade de ampliar os conhecimentos sobre os insetos, respectivamente.