Guiomar, Presente!
Para: Este abaixo-assinado se destina às pessoas residentes nas regiões do Capão Redondo, Campo Limpo e Jardim Ângela
No ano de 2005, a Prefeitura de São Paulo iniciou a construção do Centro Educacional Unificado - CEU Feitiço da Vila, na Rua Feitiço da Vila, no Parque Independência, zona sul de São Paulo. A conquista desse equipamento de educação e cultura foi resultado de muita luta, iniciada muitos anos antes.
Tais lutas se deram com a articulação de lideranças comunitárias, que preocupadas com a falta de perspectiva de acesso a direitos para crianças e adolescentes, com o importante apoio do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo - CDHEP, buscaram no ano 2000, o Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, da Pontifícia Universidade Católica - PUC/SP para elaboração de uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura de São Paulo, para que fosse construído no único terreno disponível, um Centro Poliesportivo. O CDHEP foi o autor formal da ação judicial.
A ACP foi levada ao Fórum de Santo Amaro e tempos depois, a Prefeitura foi condenada a construir o Centro Poliesportivo. Até a execução da ACP, a Prefeitura iniciou uma importante negociação com as lideranças sociais e a partir disso, o CEU Feitiço da Vila se tornou realidade.
Em 2008, o CEU Feitiço da Vila teve incorporado pela lei 14.681 de 30/01/2008 o nome do Deputado José Freitas Nobre. Ocorre que o nome dado ao complexo educacional não dialoga com a realidade local, pois não teve vínculo com a comunidade e suas lutas.
Considerando o contexto de lutas históricas das lideranças para a conquista do CEU Feitiço da Vila e do engajamento popular, nós reivindicamos que o CEU Feitiço da Vila passe a se chamar CEU Feitiço da Vila - Guiomar Borges Costa.
Guiomar faleceu em 2020 e dedicou-se à luta social pela educação, cultura e lazer. Com seu jeito simples e grande capacidade de diálogo, esteve presente em todas as oportunidades para defender a construção do que se imaginava Centro Poliesportivo, inclusive no momento em que a Ação Civil Pública foi entregue à justiça. Atuou na Pastoral da Criança na Comunidade Sagrada Família e era conhecida e reconhecida por todos os que moravam nos bairros próximos.
A manutenção da memória sobre as lutas e conquistas constitui um elemento fundamental na construção da identidade de qualquer comunidade, cidade e país.
Dessa forma, nada mais justo e digno que o nome de Guiomar seja lembrado e relembrado por toda a comunidade escolar, mas sobretudo pelas comunidades que compõem os bairros no entorno do Parque Independência.