Justiça por Catharina
Para: Ao Exmo. Sr. Governador do Estado, Helder Barbalho.
Nós, membros da família Palmerin e demais cidadãos e cidadãs paraenses, solicitamos atenção especial de Vossa Excelência para que sejam tomadas, em caráter de urgência, providências cabíveis referentes ao caso de Catharina Kethellen da Silva Palmeirim, 24 anos, estudante de Enfermagem baleada por Arthur Santos Júnior, sargento da polícia militar, no último dia 03 de setembro.
Naquele dia, para desfrutar de um momento de lazer no cinema, a estudante aguardava um ônibus próximo à sua casa, nos arredores da Feira do Guamá – em reforma –, quando foi surpreendida pela abordagem do sargento Artur Santos Junior que a importunou sexualmente. O policial tentava arrastá-la para trás de uma barraca da Feira, onde pretendia abusá-la sexualmente, quando, para defender-se, Catharina o atingiu com um objeto perfuro cortante típico de sua profissão. Diante da tentativa de estupro frustrada, o sargento sacou sua arma e, ao dispará-la, baleou a estudante no abdômen, ocasionando a perfuração de sua bexiga, intestino e rim (confirmar dados).
Na contramão da verdade dos fatos, Artur Santos Junior alegou, segundo o noticiário local, que a estudante havia tentado assaltá-lo. Todavia, uma câmera de segurança próxima à parada registrou desde o início a importunação sexual seguida pela luta corporal entre o policial e a estudante – o que só se encerra quando Catharina cai baleada no chão. Nas imagens amplamente divulgadas pelos meios de comunicação, pudemos perceber o pedido desesperado de Catharina por socorro. Socorrida por lojistas das proximidades, Catharina foi levada para o Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (PSM da 14), onde encontra-se internada na unidade de tratamento intensivo, em estado grave.
Como familiares e amigos, estamos consternados com o ocorrido, acompanhando o processo de tratamento médico a que Catharina está submetida. Como familiares, amigos e cidadãos paraenses, estamos chocados e revoltados com a narrativa de criminalização da vítima, pois o agente da segurança pública estatal que a baleou a acusa de tentar assaltá-lo, desqualificando-a publicamente quando, na verdade, Catharina agiu em legítima defesa.
Diante dos fatos expostos, a Família Palmeirim solicita que Vossa Excelência, como chefe da Polícia Militar do Pará, promova a celeridade na resolução deste caso que depõe contra um membro da corporação e põe à prova a probidade de toda a instituição. Isto porque, armados, agentes de segurança deveriam prover segurança, não ameaça, no entanto, compreendemos que o sargento Artur Santos Júnior incorreu em tentativa de feminicídio contra Catharina, além da importunação sexual e tentativa de estupro, todos crimes contra a mulher, com o agravante de ser um agente do estado.
Neste sentido, requeremos que Vossa Excelência solicite providências da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar do Pará quanto à imediata abertura de processo administrativo disciplinar (PAD) em desfavor de Artur Santos Júnior à bem do serviço público e da sociedade paraense para que, diante dos fatos e provas, o policial possa vir a sofrer penalidade administrativa cabível ao caso e penal.
Na certeza de contar com o atendimento de nossa solicitação, nós, familiares, amigos, cidadãs e cidadãos paraenses subscrevemo-nos e pedimos Justiça por Catharina!