Criação de faculdades públicas na região de Parelheiros até a Ponte do Socorro
Para: Conselho Municipal de Educação de São Paulo
São Paulo, 30 de novembro de 2023
Ao Exmo. Conselho Municipal de Educação de São Paulo
Prezados representantes,
Em cidades com falta de planejamento, o desenvolvimento de periferias é comum e é caracterizado por ser uma “região afastada do centro urbano e que abriga população de baixa renda”, segundo Flávio Villaça. O direito à moradia de qualidade já pode gerar discussões, mas outro fator que impede as pessoas de possuírem uma renda que as permita morar em lugares seguros é a falta de acesso à educação, pois esta muda a vida de quem nasceu nos subúrbios, muitas vezes com uma população majoritariamente negra, visando enraizar ainda mais a discriminação que separa o conceito do bem sucedido do negro, perpetuando o racismo estrutural.
Em São Paulo, a região entre a Ponte do Socorro e Parelheiros é a área de maior concentração populacional, com quase 1 milhão de habitantes e também a região mais jovem, com mais de 50% da população estando na faixa etária ideal para estarem dentro de instituições de ensino, de acordo com os dados do jornal Estadão.
Mesmo quando há escolas públicas nessas regiões, há falta de professores, de recursos, matérias e cria pouca possibilidade para que os estudantes tenham um futuro melhor, onde poderiam melhorar suas condições de vida. Essa diferença é gritante, como retratam os relatos de Kimberly e Mariana. Kimberly, moradora da Vila Andrade, relata que fica um curto período de tempo na escola, não tem oportunidade de fazer atividades extracurriculares, como um curso de inglês -o que poderia aproximá-la de seu sonho de se tornar aeromoça- e logo que chega da escola tem que cuidar do almoço para seus 5 irmãos e irmãs; enquanto Mariana, moradora de Perdizes, fica na escola até às 20h, fazendo aulas de inglês, praticando esportes, ou até mesmo matando tempo com suas amigas. Isso mostra a diferença de realidade de duas regiões, da mesma cidade desigual.
Ainda assim, o governo é negligente ao não providenciar faculdades públicas nos arredores, limitando as pessoas a terem a possibilidade de mudar suas condições de vida. Tal negligência rouba de milhões de pessoas anos de suas vidas, visto que de acordo com o jornal El Pais “na zona oeste de São Paulo a expectativa de vida pode facilmente ultrapassar os 80 anos —em Perdizes, a média é de 80,50—, em bairros da periferia nem sempre se vive muito. Em Vila Andrade, onde Kimberly mora, a idade média de óbitos é de 65,56.”
Como cidadãos, exigimos a construção de instituições de ensino superior na região entre a Ponte do Socorro e Parelheiros, visto que o artigo número 205 da Constituição Brasileira, garante que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”
Agradecemos antecipadamente pela mobilização,
Atenciosamente.