Petição em favor da maior valorização das mulheres no mercado de trabalho
Para: Excelentíssima Ministra das Mulheres Cida Gonçalves.
São Paulo, 30 de novembro de 2023
É evidente que mesmo após anos de luta contra um sistema de privilégios restritos, a sociedade contemporânea mundial, sobretudo brasileira, ainda mantém uma herança cultural patriarcal. Um estereótipo muito enraizado em nossa humanidade que prioriza os direitos e vontades dos homens há séculos, desconsiderando os esforços, desejos e qualidades das mulheres no mercado de trabalho.
Tal infortúnio já é evidente na distinção salarial entre os dois gêneros, visto que, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas aponta que as mulheres recebem 22% a menos do valor que os homens ganham. Em outras palavras, elas trabalham incansavelmente para garantir apenas, em média, 78% do salário masculino.
Além de salários inferiores, as mulheres ainda passam por obstáculos em algumas áreas, como engenharia, tecnologia da informação e cargos de chefia, os quais são mais destinados aos homens, mesmo que elas tenham um nível de escolaridade relativamente maior do que eles, segundo a pesquisa Estatísticas de Gênero 29,5% das mulheres possuem nível superior e pós-graduação, enquanto os homens, apenas 21,5%.
Cumpre notar que tal quadro se agrava ainda mais quando se trata de mulheres negras, pois estas sofrem um duplo preconceito devido ao racismo que está muito impregnado no cotidiano global. Pode-se comprovar tal evidência a partir da pesquisa feita pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - IBGE que diz: “das 48,8 milhões de mulheres negras em idade economicamente ativa, somente 51,5% estão no mercado de trabalho.”
Ademas, elas ainda enfrentam outro desafio que são as longas jornadas de trabalho, já que, após seus empregos, têm, em sua maioria, que realizar as tarefas domésticas. Também vale ressaltar que esse ofício não envolve os homens, porque as mulheres cozinham para eles, passam, lavam roupas e etc. Portanto, além de não terem tantos privilégios quanto os homens em relação ao meio de trabalho, ainda trabalham para eles de uma forma desvalorizada.
Sendo assim, diante do exposto, encaminhamos este documento composto das assinaturas dos cidadãos que almejam ver um artigo de lei que vise não só melhorar a qualidade de vida do sexo feminino no mercado de trabalho, como também atribuir mais visibilidade ao trabalho doméstico que é realizado por este gênero, resultando assim em uma comunidade mais igualitaria.
Atenciosamente