Petição contra racismo no Futebol
Para: Ao Exmo. Presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ednaldo Rodrigues
São Paulo, 8 de janeiro de 2023
Ao Exmo. Presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ednaldo Rodrigues,
No decorrer da história, tivemos inúmeros eventos em prol da desiguladade racial e escravidão, dentre elas a Revolta dos Malês, a Marcha sobre Washington de 1963, a Revolta de Chibata e a Lei Áurea. Muitos anos se passaram, e ainda nos dias de hoje observamos ações que visam combater esse preconceito ainda muito latente na sociedade, mas todo esse esforço muitas vezes parece em vão, uma vez que a desigualdade para os afrodescendentes ainda é extremamente presente, seja ela no ambiente de trabalho, nas ruas, e especialmente nos esportes.
Recentemente vem se notando um comportamento racista contra alguns atletas, e um dos casos mais comentados é o do Vinicius Jr., jogador brasileiro do Real Madrid, que sofreu diversos ataques enquanto jogava no Futebol espanhol. Ele luta contra o racismo no esporte e diz que todos somos iguais independente da cor da pele, atitude que lhe rendeu o Prêmio Sócrates, concedido para homenagear e reconhecer ações solidárias de personalidades do esporte. Dentre as várias humilhações sofridas por Vínícius durante sua atuação em campo, destacam-se gritos de “macaco” e arremessos de bananas em sua direção, ações sempre praticadas pela torcida adversária.
Apesar de estarmos ilustrando com um fato ocorrido na Espanha, vale salientar que aqui no Brasil vemos frequentemente casos semelhantes: um deles foi no jogo entre Grêmio e Santos em 2014 pela Copa do Brasil, no qual uma parcela de torcedores desferiu ofensas racistas ao goleiro Mário Lúcio Duarte Costa (o Aranha). Com isso o Grêmio foi eliminado da Copa do Brasil por unanimidade do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, e uma torcedora que foi gravada gritando “macaco” foi identificada como culpada da eliminação, e por isso teve sua casa queimada e recebeu diversas ameaças de mortes.
Em suma, nós acreditamos que a punição não deve ser aplicada ao clube e sim ao torcedor, visto que o clube não tem muito poder em seu alcance para evitar os xingamentos de torcedores. Acreditamos que uma forma de protesto mais eficaz seja a paralisação da partida, seguindo o exemplo dos jogadores da Seleção Argentina durante o jogo das Classificatórias da Copa do Mundo contra a Seleção Brasileira, onde a partida só voltou ao normal no momento em que cessaram os xingamentos e ataques dos torcedores adversários.
Diante disso, estamos pedindo pelo estabelecimento de um conjunto de regras desportivas coletivas para a punição apropriada de indivíduos e/ou que ajam a favor de tal discriminação, de forma que os jogadores e equipe sejam protegidos de tamanha barbárie, e os membros da torcida não sofram violência e ameaças posteriores em função de tais atitudes.
Certos de sua compreensão e colaboração, agradecemos.
Att,
Thiago Collin, Gabriel Saleme, Caio Hiroshi, Luan Martinez e Leonardo Vaz