Petição a favor da valorização dos povos indígenas na educação.
Para: Exma Ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara
São Paulo, 04 de dezembro de 2023
Exma Ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara,
Mesmo hoje, em pleno século XXI, o preconceito e os atos criminosos contra os povos indígenas perduram com crueldade. Um exemplo asco de preconceito contra os povos originários é a invisibilidade e a cegueira que a sociedade demonstra em relação a violência sofrida por eles em suas próprias terras, esquecendo da luta sem fim deles por direitos iguais e pela posse e usufruto de seus territórios de origem.
A desvalorização da história de povos indígenas é muito presente em escolas, desde o ensino infantil até o ensino superior. Um exemplo da situação é a superficialidade com que é tratada a discussão da celebração do “Dia do Indígena” e a estereotipação de indígenas com um aspecto “exótico” ou “selvagem”, sem fundamentação teórica.
Outra ideia preconceituosa em relação aos povos originários é a de que os indígenas vivem somente em tribos, de maneira isolada da sociedade, quando na realidade as pessoas de descendência indígena estão ou deveriam ter a possibilidade de estar em todos os lugares, mas na realidade são impedidas justamente por esses pensamentos irracionais.
Um tema revoltante e de absurda importância para a história do Brasil, mas que é constantemente postergado, é o massacre indígena que ocorreu entre os séculos que sucederam a chegada dos portugueses no Brasil. Segundo o historiador Darcy Ribeiro, no primeiro século de contato, 90% dos indígenas foram exterminados. Já em cinco séculos, 700 das 1.200 nações indígenas foram exterminadas e 55 povos desapareceram somente na primeira metade do século 20.
De acordo com Cristine Takuá, especialista em cultura indígena: “É importante que a temática permeie o currículo escolar por meio de todo o ano letivo, e não apenas no mês de abril”. Apesar de já existir uma lei que obriga o ensino de cultura indígena no currículo escolar, na prática o tema não é muito abordado durante o resto do ano. A especialista diz que é fundamental para o combate ao preconceito e racismo: “Para que não haja mais preconceito é preciso ter conhecimento. O contato com a cultura indígena no ambiente escolar sensibiliza os estudantes, e é através da sensibilização que surge a conscientização”.
A valorização é importante para ajudar o entendimento do nosso passado e futuro, visto que, a partir de estudos sobre a dominação e violência que constrói a história do nosso país, as influências indígenas se tornam um tema importante a ser tratado, pois muitos costumes e crenças presentes hoje em nossa cultura tem presença indígena não reconhecida.
Em relação aos argumentos expostos aqui, necessitamos demonstrar nosso medo de que estes povos e suas culturas sejam esquecidos pela sociedade. É por isso que pedimos aqui a inserção e principalmente a valorização da cultura indígena nas escolas, que são os ambientes em que as mentes são formadas. Um exemplo de medida concreta é a disponibilização de livros de autoria indígena e obrigatoriedade do ensino sobre cultura indígena ao longo de todo o percurso escolar, pois somente assim poderemos um dia nos ver em um país em que esta cultura receba a devida atenção e importância que merece.
Atenciosamente,
Maria Clara Camilo, Antonio Gonçales, Julia Mantovani, Julia Bork e Beatriz Dias