MANIFESTO DO REMO FEMININO CAPIXABA À DIRETORIA E AOS CLUBES FILIADOS
Para: Federação de Remo do ES
MANIFESTO DO REMO FEMININO CAPIXABA À DIRETORIA E AOS CLUBES FILIADOS
Vimos por meio deste destacar a importância de ampliar a participação feminina nas provas de remo do campeonato estadual para promover melhor igualdade de gênero no remo capixaba. O calendário de provas do campeonato estadual está defasado há mais de onze anos, sofreu algumas mudanças na gestão de 2016 da Feares inserindo mais provas femininas e provas de pararemo e master, porém manteve a mesma estrutura vigente há muitas décadas.
Entendemos que há uma resistência grande dos clubes filiados a esta federação, especialmente os que não querem a participação de mulheres em suas garagens, ou as limita a um número extremamente ínfimo. Também, soma-se a isso o machismo estrutural que impera no remo capixaba e que infelizmente até hoje a Feares não foi capaz de combater de modo eficaz e efetivo.
O nosso estado foi um dos últimos a inserir provas femininas contabilizando pontuação para o campeonato estadual, no ano de 2012 quando os clubes nacionais já há muito enviavam atletas femininas para a seleção brasileira.
O estado é celeiro de remadoras e remadores, porém, a falta de oportunidades de competições locais desestimula o fortalecimento do remo feminino estadual.
Aproveitamos para dizer que com esse posicionamento de não revisão do calendário de provas, a Feares descumpre o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável de número 05 da Agenda 2030 da ONU que define estratégias para promover a igualdade de gênero em toda a esfera social, inclusive em ambientes esportivos.
Cabe citar que o Congresso da Federação Internacional de Remo, realizado em Sarasota, nos Estados Unidos, em 2017 decidiu que homens e mulheres disputarão as mesmas provas em todos os Campeonatos Mundiais da modalidade, por ampla maioria de votantes, modificando assim a Regra 36 do livro de normas das competições da entidade, ampliando essa igualdade de gênero em todos os programas Mundiais de remo e das categorias sub-23 e júnior e pararemo.
Seguindo essa orientação internacional a Confederação Brasileira de remo, ainda que tardiamente, fez a primeira competição nacional com paridade de gênero nos programas de provas, que foi o CBI de Remo e Para-Remo 2021 que reuniu mais de 300 atletas de 36 clubes de 11 estados de todo o Brasil, incluindo o ES. Do total de atletas inscritos 147 foram mulheres. Foi o resultado do primeiro Brasileiro com igualdade de gênero.
Ainda nessa direção o COB lançou um curso, que incentivamos fortemente esta diretoria da Feares participar, que é online e se chama “Equilibrando o Jogo: Igualdade de Gênero no Esporte”. Este curso tem o objetivo de promover a conscientização sobre a necessidade de aprofundar o debate sobre a igualdade de gênero no âmbito esportivo e contribui para a valorização e fortalecimento das mulheres nesses ambientes esportivos.
O COB ainda propõe, através da Área Mulher no Esporte, a destinação de recurso exclusivo para projetos das confederações voltados ao desenvolvimento do esporte feminino, que está federação poderia ser candidata apresentando projetos de igualdade de gênero.
Aproveitamos para expor o quão difícil é a situação do remo feminino no estado. Fazendo um paralelo com outras federações a Feares tem o menor percentual de provas femininas de todas as federações filiadas a CBR. As demais federações apresentam provas em todas modalidades inclusive 8+, 4X e 4-, enquanto aqui a só estamos contempladas com 1X, 2X e 2- e não estamos em todas as categorias. Veja abaixo um comparativo de quantidade de provas femininas entre as federações filiadas:
Gostaríamos de ter nosso direito à prática esportiva que escolhemos, sejam das categorias master, sênior, SUB 23, juniores e infantis, respeitado e que haja um empenho desta federação em garantir nossa presença em todas as categorias de provas. É importante provas femininas comporem nominalmente o calendário pois sabemos que há um processo de adaptação para que os clubes constituam essas equipes, porém, não é desculpa para não inserir. A desigualdade de gênero é um marcador que dificulta o acesso e permanência no remo feminino e precisamos que esta discriminação seja combatida com novas oportunidades de participação das meninas e mulheres no remo estadual capixaba.
Deste modo, se não houverem propostas na Feares, que contemplem a necessidade de inserção de provas femininas, sugerimos como modelos de calendário de provas, com os devidos ajustes a realidade capixaba, o calendário 2023 da FRERJ que contempla 49% de provas femininas ou o calendário de São Paulo que é o mais representativo de todas as federações, mesmo não possuindo federação, com 51% de provas femininas.
Assinam esse manifesto as remadoras dos clubes capixabas: