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Petição pela suspensão dos comitês olímpicas de Israel e Estados Unidos

Para: Organização das Nações Unidas e Comitê Olímpico Internacional

O objetivo desta petição é conclamar a comunidade esportiva nacional e internacional à tomada de posição em defesa do povo palestino, contra o seu genocídio, pelo imediato cessar-fogo e suspensão das delegações olímpicas de Israel e dos Estados Unidos. O texto a seguir apoia-se em algumas lições históricas da solidariedade internacional e antirracista protagonizada por atletas e estudiosos do esporte para justificar o seu elenco de reivindicações. Assine esta petição agora!

Enquanto a comunidade esportiva assiste indiferente ao genocídio do povo palestino desencadeado pela operação militar israelense, milhares de pessoas ao redor do mundo, sob forte repressão de seus governos, mobilizam-se em defesa dos direitos humanos, da autodeterminação palestina e pelo imediato cessar-fogo.

O silêncio dos protagonistas esportivos diante da barbárie em curso é indefensável e injustificável. Não guarda relação com o elenco de “princípios civilizatórios” que fundamentam as práticas esportivas, tampouco é coerente com a história da solidariedade antirracista de atletas ao longo de todo o século XX e início do XXI.

O protesto e a luta política através do esporte importa e não pode parar agora! Sabemos dos limites do seu alcance e das contínuas tentativas de domesticação da sua potência política. Ainda assim, protestos liderados por personalidades e coletivos do campo esportivo indicarão alguma resistência ao espírito de indiferença que paira sobre uma cultura cada vez mais refém da alienação e exploração capitalista. Indicarão também certa continuidade histórica com a resistência atlética imperialista, anticolonialista, contra o instituto do apartheid, pelos direitos civis e por justiça social em toda parte. Do outro lado, entusiastas da “neutralidade política”, hábeis mantenedores da submissão do esporte aos interesses do capital, seguem se esforçando pela contenção e domesticação de protestos, reduzindo a solidariedade internacional e as reivindicações protagonizadas por atletas à formas inofensivas. Em seus escritórios e palacetes, criam regras e mais regras para limitar a autonomia política dos atletas que, com alguma razão, preferem não participar da vida política, sob risco de perderem seus empregos, tornaram-se objeto de crítica de torcedores e órganismos de imprensa.

As exceções à regra, contudo, sempre nos reservam momentos de esperança na coragem e capacidade dos atores esportivos de se desfazer dessas determinações para reivindicar, pelo Outro, o próprio direito à humanidade, reconhecimento e liberdade. Nesse contexto, o protsto pode, necessariamente, assumir diferentes formas, sempre coerentes com as condições históricas e contextuais dadas. Pode compreender gestos simbólicos de solidariedade local e internacional, aproveitando-se da visibilidade e prestígio para reverberar princípios cuja universalidade é difícil de refutar. Um desses princípios se expressa na voz de Martin Luther King, padrinho da luta antirracita de atletas, quando nos diz que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”. Pensando em seu caráter anti-imperialista e anti-colonial, a solidariedade antirracista no esporte se filiaria ainda à noção fanoniana de que “o esporte não deveria ser apenas um jogo ou uma distração burguesa, mas uma plataforma que nos permite saber a todo instante o que se passa entre nós” (Frantz Fanon).

Em 1968, a solidariedade internacional antirracista no esporte entraria para a história pelas mãos calçadas com luvas negras e pés descalços dos velocistas John Carlos e Tommie Smith, que do alto do pódio dos Jogos Olímpicos do México se estendiam até o povo negro sul-africano, vítima de uma política de apartheid que já durava 20 anos. A fortuna de formas esportivas de protesto político que emergia à época encontrava o seu lastro histórico nas lutas de libertação nacional e resistências culturais contra os modelos metropolitanos de prática cultural impostas às colônias europeias em África, Caribe e Ásia, bem como nas tentativas de boicote aos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. Dentro dos seus limites, tratavam-se de lutas que faziam cair por terra as tentativas cínicas e positivistas de estabelecimento de dicotomia entre esporte e sociedade, esporte e política, esporte e ideologia. Esse cinismo institucional, infelizmente, não só segue vivo, mas goza de autoridade regimental e mesmo de poder penal para impor (quase sempre aos países do Terceiro Mundo) a ordem mais conveniente ao sistema que aí está.

Não por acaso, a crise de legitimidade do Comitê Olímpico Internacional (COI) tem conduzido a entidade à produção do próprio “ativismo político-cultural e ambiental”. Supostamente preocupadas com a qualidade das relações diplomáticas e das democracias regionais representadas em seus torneios, Confederações e Federações ligadas ao COI vibram na mesma frequência quando espalham suas notas de repúdio, advertências e suspensões contra atletas e delegações representantes de países acusados de violar direitos humanos. Essa nova agenda política do sistema olímpico não deixa dúvidas de que a “neutralidade” há muito deixou de ser um artifício retórico útil. Exemplo emblemático disso encontra-se na história do banimento da delegação olímpica sul-africana em 1964, em função do regime de apartheid que o governo da África do Sul impôs ao seu povo.

Cinquenta anos depois, assistimos a um exercício de proatividade institucional semelhante, para não dizer mais intenso, se comparado ao silêncio sepulcral dessas entidades em relação à guerra dos Estados Unidos contra o Vietnã, a invasão do sistema Otan à Iugoslávia, ao Iraque, Afeganistão, Líbia, dentre outros, além dos embargos criminosamente impostos sobre Cuba. Em 2015, o COI e demais entidades esportivas internaocionais determinaram a suspenção da Federação Russa de Atletismo, envolvida em um escândalo de doping. Em 2022, o ativismo institucional condenadou a Rússia e a Bielorrússia pela guerra contra a Ucrânia e pela anexação russa das cidades de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye. Mais recentemente, foi a delegação olímpica da Guatemala a sofrer sanções, não podendo participar dos Jogos de Paris-2024 por não estar conduzindo eleições livres.

Em que pese as implicações e críticas que possamos fazer a esta nova política, nos preocupa o fato desse ativismo institucional não estar sendo aplicado ao caso dos flagrantes crimes do Estado de Israel contra o povo e território palestino. Crimes que contam com fortíssimo apoio político e financeiro do governo dos Estados Unidos, principal responsável pelas interdições de acordos de resolução pacífica do conflito no Conselho de Segurança da ONU.

A apatia das entidades esportivas internacionais diante das injustiças contra povos do Terceiro Mundo tem uma longa história cujo detalhamento não é possível fazer aqui. Mas ela parece encontrar na Questão Palestina o seu ponto mais alto, sugerindo não uma indiferença, mas certa complacência institucional com o colonialismo, o terrorismo de Estado e o apartheid impostos pelo governo de Israel em parceria com o governo norte-americano.

Signatários dos direitos humanos, os aparelhos esportivos internacionais tropeçam agora na sua própria retórica civilizacionista e política de neutralidade, preferindo manter seu compromisso com a manutenção de uma ordem ideológica flagrantemente seletiva e pró “Ocidente’, quando, em nome da “democracia” e da “neutralidade”, aplicam sua política disciplinar a alguns países e não a outros. Certa razão cínica permitirá com que esses aparelhos abram concessões a algum protesto em seus eventos, desde que restritos aos gestos individualizados, fora do espaço-tempo reservado ao espetáculo e disciplinados pela economia de imagens privatizada. Em outras palavras, estamos diante de um impasse conveniente às entidades máximas do esporte. Para que elas se movam com coerentemente, é preciso mobilização popular intensa. Mais precisamente, é preciso que a classe trabalhadora esportiva global pressione essas entidades para que tomem medidas concretas em favor do cessar-fogo e contra o genocídio do povo palestino, impondo medidas disciplinares e de constrangimento aos países que protagonizam violações de direitos humanos.

A mobilização coletiva da comunidade esportiva não desqualifica protestos individuais. Ela se baseia na constatação de que, sob determinadas circunstâncias, o protesto solitário pode muito pouco em suas implicações concretas, ao mesmo tempo que custa muito caro aos seus protagonistas, vítimas de perseguições de Estado e clubes, bem como das narrativas de um jornalismo comercial notadamente comprometido com o sistema de injustiças econômicas, étnico-raciais e de gênero. Buscando escapar à estas armadilhas, o movimento de mobilização da comunidade esportiva pelo cessar-fogo e contra o genocídio do povo palestino deve buscar a sua força e razão de ser nas mobilizações já existentes e produzir estratégias próprias de reorientação ética das suas instituições. É nesse contexto que a presente petição se justifica, adotando táticas políticas que podem auxiliar a luta palestina pela sua autodeterminação, independência territorial, reparação e justiça histórica.

Lista de exigências

Se você concorda que a comunidade esportiva deve romper seu silêncio, somando-se aos movimentos e protestos que exigem imediato cessar-fogo em Gaza, garantia do direito à autodeterminação, justiça e reparação histórica ao povo palestino, assine esta petição que será encaminhada à representação das Nações Unidas no Brasil e ao Comitê Olímpico Internacional, exigindo:

1. Imediato cessar-fogo e fim da operação militar israelense na Faixa de Gaza e demais regiões da Palestina.

2. Urgente cooperação internacional voltada à justiça e reparação econômica, política, territorial e cultural da Palestina com base na Declaração dos Direitos Humanos.

3. Urgente cooperação internacional voltada à completa desativação do sistema econômico, militar e etnocrático que sustenta a violência colonial e a política de apartheid impostas pelo Estado de Israel aos palestinos.

4. Imediata suspenção do comitê olímpico israelense.

5. Imediata suspensão do comitê olímpico estadunidense.





Esta petição foi criada em 25 dezembro 2023
O atual abaixo-assinado encontra-se alojado no site Petição Publica Brasil que disponibiliza um serviço público gratuito para todos os Brasileiros apoiarem as causas em que acreditam e criarem abaixos-assinados online. Caso tenha alguma questão ou sugestão para o autor do Abaixo-Assinado poderá fazê-lo através do seguinte link Contatar Autor
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