Melhorias das condições das clínicas Odontológicas da Universidade Estadual da Paraíba
Para: Excelentíssima Reitora da Universidade Estadual da Paraíba Celia Regina Diniz
Excelentíssima reitora, viemos através do presente documento mostrar a indignação e desespero do corpo discente do curso de odontologia da UEPB campus I, frente à falta de estrutura da clínica escola, o que compromete não só o nosso aprendizado, mas também os atendimentos clínicos e evolução dos pacientes. Ressaltamos que as pessoas a quem se direciona o serviço de odontologia, muitas vezes, já se encontram em situação de vulnerabilidade financeira, e precisam que o mínimo de estrutura seja ofertado para que tenham acesso ao serviço odontológico. Apenas nessa primeira semana de aula, várias pessoas que se locomoveram à clínica escola tiveram seus procedimentos cancelados, por falta de insumos, gerando um descontentamento geral: tanto dos alunos e professores, os mais interessados em prestar o atendimento, quanto dos pacientes, os mais interessados em serem atendidos.
A falta de materiais básicos para o funcionamento da clínica odontológica, como por clorexidina, pedra pomes e alginato, são imprescindíveis aos procedimentos mais simples de serem executados, enquanto procedimentos mais complexos, como cirurgias, demandam o uso de anestésicos. Tais materiais muitas vezes são repostos pelo dinheiro particular de nossos professores e dos próprios alunos, união de forças que tem permitido, o funcionamento, dos atendimentos clínicos. Também enfrentamos dificuldades durante o processo de revelação dos filmes radiográficos devido à falta de luz vermelha na sala escura e à ausência de um tanque de revelação. Gostaríamos de lembrá-la que esse financiamento deveria partir diretamente da Universidade, já que é uma responsabilidade que cabe ao poder público.
Diante desse cenário, hoje, dia 14/03/2024, chegamos ao estopim de tanta irresponsabilidade e descaso com os alunos, professores e, principalmente, os pacientes: após vários semestres, os mesmos problemas de falta de insumos, cadeiras odontológicas quebradas e sem funcionamento e peças faltando vem se alastrando, de maneira que estamos quase impossibilitados de continuar os atendimentos. Infelizmente, após vários semestres convivendo com esse cenário degradante, exigimos uma solução concreta da UEPB. Das três clínicas atualmente disponibilizadas pela Universidade, uma delas encontra-se interditada e as outras duas restantes encontram-se com funcionamento limitado em mais de 50%, com vários equipamentos quebrados, não comportando a demanda de pacientes e alunos presentes, a exemplo na clínica 1 de 13 equipamentos 8 estavam quebrados. Além do mais, a falta de material não nos permite realizar de maneira correta os poucos atendimentos que restaram.
Por fim, nós, alunos da UEPB do campus I do curso de Odontologia, não compreendemos a enorme discrepância existente entre o campus I e o Campus VIII, tendo em vista que o mesmo recebe materiais suficientes para consumo diário, incluindo equipamentos de proteção individuais, que precisaram ser todos comprados por nós do Campus I. Assim, podemos perceber que a nossa unidade está em descaso.
Diante dessa dura realidade preocupante, e após considerável debate de vários semestres com o mesmo problema, esperamos uma solução para que todos os recursos necessários à manutenção dos serviços odontológicos estejam a nosso dispor e que nós como alunos e futuros cirurgiões-dentistas não sejamos tão lesados com essa situação.
A seguir, apresentamos uma lista feita pelos alunos, contendo todos os itens que atualmente faltam em nossas clínicas, sem os quais seremos incapazes de continuar a praticar o ofício clínico:
Lista Detalhada de Precariedades na Clínica Odontológica:
Equipamentos e Materiais:
Ausência de iluminação vermelha na câmara escura: impede o processamento correto de radiografias e a visão correta dos alunos na câmara escura.
Falta de tanques para revelação: impossibilita a revelação em grande escala, congestionando o fluxo de revelação das radiografias.
Falta de clorexidina: compromete a antissepsia e o controle de infecções dentro do ambiente odontológico.
Escassez de alginato: limita a moldagem de próteses e aparelhos ortodônticos infantis e outros procedimentos.
Falta de pedra-pomes: impede o acabamento e polimento de restaurações, como também a realização de profilaxia.
Ausência de relógio funcional: dificulta o controle do tempo em procedimentos, principalmente na câmera escura.
Equipamentos danificados: podem apresentar falhas e comprometer a qualidade do atendimento.
Indisponibilidade de anestésico: impede a realização de procedimentos que exigem anestesia.
Falta de pasta CTZ: limita a realização de tratamentos endodônticos pediátricos na profilaxia contra cáries.
Carência de um professor de cada especialidade nas clínicas: prejudica o aprendizado dos alunos.
Ausência de filme radiográfico: impede a realização de radiografias.
Fotopolimerizadores com baixa irradiância: podem comprometer a polimerização de resinas, e o sucesso do tratamento restaurador.
Ar condicionado sem funcionamento adequado: torna o ambiente desconfortável para pacientes e profissionais.
Infraestrutura:
Interdição da Clínica II: reduz a capacidade de atendimento da clínica.
Máquina seladora inoperante: impede a selagem de embalagens e materiais esterilizados.
Segurança:
Queima do transformador do equipamento durante atendimento na clínica infantil (risco de incêndio): coloca em risco a segurança de pacientes e profissionais.