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Doutorado Nacional profissional em ensino de Física – É preciso avançar

Para: CAPES; SBF

A ideia do Doutorado Nacional Profissional em Ensino de Física surgiu na VI Escola Brasileira de Ensino de Física, realizada de 19 a 23 de agosto de 2019 em Cariacica, Espírito Santo. Inicialmente, a proposta foi delineada pelas seguintes instituições: Universidade Federal do Espírito Santo, Instituto Federal do Rio de Janeiro (campus Volta Redonda), Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade Federal do Rio de Janeiro (campus Macaé), Universidade Federal de Alfenas, Instituto Federal do Espírito Santo (campus Cariacica) e Instituto Federal Fluminense (campus Campos Centro).
A proposta preliminar foi elaborada e apresentada aos coordenadores da área de Astronomia-Física, composta à época pelos professores Fernando Lázaro Freire Júnior (Coordenador), Rubem Luis Sommer (Coordenador Adjunto Profissionais) e Alberto Vazquez Saa (Coordenador Adjunto Acadêmicos), em meados de 2020. A proposta foi muito bem aceita, com sugestões para aperfeiçoamento, especialmente no que se refere às disciplinas e ao produto educacional. Em 4 de dezembro de 2020, a proposta revisada foi apresentada ao conselho da Sociedade Brasileira de Física (SBF). O contexto naquele momento mostrava que o MNPEF havia tido uma performance de sucesso, completando oito anos de funcionamento com uma rede colaborativa de 58 polos ou instituições associadas, 1463 discentes ativos e 1698 mestres formados, todos professores da escola básica no Brasil. Essa configuração levou as instituições envolvidas a discutirem propostas regionais de criação de cursos de Doutorado Profissional em Ensino de Física (DNPEF). Dessa forma, a SBF entendeu a proposição de um curso de abrangência nacional, em nível de doutorado, como uma decorrência natural desse processo.
Na ocasião, foi dada à Comissão de Pós-Graduação do MNEF (CPG – Nacional) a tarefa de elaboração do APCN do DNPEF.
A Comissão de Pós-Graduação Nacional do MNPEF constituiu uma subcomissão para a elaboração da proposta do APCN, congregando colegas docentes que já haviam iniciado propostas regionais, formada pelos seguintes nomes: Iramaia de Paulo, Silvana Perez, Carmem Prado, Francisco Nobre, Giuseppi Camiletti, Wagner Balthazar e Artur Justiniano. As tarefas foram distribuídas e, durante mais de um ano, a comissão se reuniu todas as quartas-feiras para discutir e estruturar o APCN do Doutorado Nacional Profissional em Ensino de Física.
Em novembro de 2021, foi realizada a primeira chamada para que os polos manifestassem a intenção de participar do APCN.
Foi elaborada uma chamada aos coordenadores de polo para que sinalizassem a intenção de implementação do doutorado em suas instituições. Foram encaminhados alguns critérios preliminares a serem observados como pré-requisitos para futura adesão. O resultado foi: 28 polos manifestaram interesse; 13 polos foram considerados aptos; 8 polos precisavam fornecer mais informações; e 7 polos foram considerados não aptos.
A elaboração da proposta, sob a responsabilidade da equipe mencionada, foi concluída em dezembro de 2021. Para aperfeiçoar o elenco de disciplinas, contribuíram Marco Antonio Moreira (membro da CPG-Nacional), José Helayël Neto (convidado externo ao MNPEF), Adalberto Fazzio (membro dos Conselhos da SBF e do MNPEF), Giuseppi Camiletti (membro da CPG-Nacional), Marisa Cavalcante (membro do Conselho do MNPEF), Bernardo Tavares (membro do Conselho do MNPEF), Iramaia de Paulo (coordenadora da CPG) e Peter Schulz (convidado externo ao MNPEF).
Em reunião realizada no dia 24 de janeiro de 2022, o projeto foi aprovado para ser encaminhado e apreciado pelo Conselho do MNPEF. Em 11 de julho de 2022, o projeto foi aprovado pelo Conselho da SBF para ser submetido inicialmente com 8 polos.
Este breve histórico demonstra claramente que o APCN do DNPEF foi cuidadosamente construído por pessoas altamente comprometidas e com expertise em Física e seu ensino. A proposta foi submetida à CAPES em setembro de 2022, juntamente com as propostas de História e Matemática para apreciação de uma comissão ad hoc constituída para esse fim. Inicialmente, todas foram reprovadas, e ao final apenas o APCN de História foi aprovado. Entramos com recurso, mas ele foi retirado pela atual pró-reitoria da SBF e estamos sob ameaça de não submissão em 2024. Pergunta-se por que isso ocorre se temos uma demanda reprimida, uma nota máxima na avaliação da última quadrienal, uma proposta bem estruturada a ser submetida (ainda que revisada) e, agora, quando já há uma área constituída na CAPES para acompanhar e avaliar os Programas Profissionais em Ensino – Área 51 “Ciências e Humanidades”.
É importante considerar que a Física está morrendo nas escolas, portanto, nossos professores da educação básica precisam continuar sua formação para nos ajudar a evitar que isso aconteça. Assim como o MNPEF, o DNPEF os reaproxima do conhecimento de ponta, tanto no âmbito dos conteúdos da Física quanto do seu ensino. O curso de Doutorado Profissional em Ensino de Física é um desdobramento natural do MNPEF, que completou dez anos de atividades em 2023. Atualmente, são 866 docentes físicos de todas as regiões do país atuando no mestrado, 1760 discentes matriculados, 2063 egressos, 792 participantes externos e 18.738 produções intelectuais. Sem dúvida, trata-se da maior e mais importante ação da SBF na formação de professores de Física no Brasil. Uma parcela considerável desses profissionais, hoje mestres formados atuando na sala de aula da educação básica, anseia por continuar seus estudos. É inaceitável que esses números sejam ignorados e que a proposta não seja submetida.
Contudo, a missão do DNPEF difere em escopo e abrangência do mestrado já existente. Entende-se que os doutores formados no âmbito desta proposta devem ser capazes de conduzir a implementação e avaliação de metodologias inovadoras de ensino em sala de aula, liderando o desenvolvimento de ações e estudos coordenados por grupos de docentes, visando a efetiva melhoria da qualidade do ensino de Física na educação básica, além de promover a translação dos resultados da pesquisa acadêmica para a pesquisa aplicada. Terão também um papel preponderante na continuidade do processo de
formação de novos mestres e doutores em Ensino de Física, contribuindo para a auto-sustentabilidade de profissionais especializados nesta área.
Historicamente, os sócios da SBF podiam ser divididos entre os físicos dedicados ao estudo da natureza dos fenômenos em geral e aqueles dedicados à pesquisa de Ensino de Física. Na falta de uma melhor denominação, por economia, chamaremos os primeiros de físicos cientistas e os segundos, de físicos educadores. Reconhecemos, no entanto, que físicos cientistas também educam e físicos educadores também investigam, ambos aplicando o método científico.
A comunidade dos físicos educadores na SBF se representa pela Comissão de Pesquisa em Ensino de Física e, até o momento, pelo Secretário de Ensino da diretoria da SBF, tradicionalmente eleito no Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), um dos eventos promovidos pela SBF. Contudo, as ações da SBF voltadas para o Ensino de Física não se restringem às promovidas pela comunidade de Pesquisa em Ensino de Física. A Olimpíada Brasileira de Física (OBF), a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) e a Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF) são exemplos tradicionais deste fato. O MNPEF é também mais uma ação da SBF voltada para o Ensino de Física que não se encontra sob a égide da comunidade de Pesquisa em Ensino de Física, embora se aproprie do conhecimento produzido por cerca de 60 anos por essa comunidade para fundamentar os trabalhos produzidos. De fato, atividades relacionadas ao Ensino de Física compõem um campo muito mais amplo do que o foco para o qual a comunidade brasileira de Pesquisa em Ensino de Física se dedica. Coerentemente, a Comissão de Pesquisa em Ensino de Física da SBF e os Secretários de Ensino da diretoria da SBF abstiveram-se da proposta, implantação e direção do MNPEF até o presente momento, embora contemos com a colaboração individual de muitos físicos educadores. É importante enfatizar que o MNPEF não pode prescindir da pesquisa em Ensino de Física: uma condição obrigatória para a composição de um polo é a inclusão de físicos com formação em ensino e/ou educação no quadro docente permanente. Cada mestrando deve produzir material didático abordando um aspecto da Física, baseado em uma ou mais teorias de aprendizagem e/ou metodologias bem estabelecidas na literatura. A pesquisa subjacente à dissertação e ao produto educacional é translacional ou aplicada, apresentando e discutindo tanto os princípios físicos quanto os fundamentos em ensino e aprendizagem.
Portanto, objetivamente, a decisão de não submeter a proposta de Doutorado Nacional Profissional em Ensino de Física (DNPEF) é um passo que pode trazer implicações negativas significativas para a continuidade da formação de professores de Física no Brasil. Vamos a elas.
Desperdício de Trabalho e Recursos: a elaboração da proposta do DNPEF envolveu um esforço conjunto e colaborativo de professores e pesquisadores de alto nível em Física e seu ensino. Esse trabalho, que se estendeu por anos, consumiu tempo, recursos intelectuais e financeiros. Não submeter a proposta significa ignorar e desperdiçar todo esse investimento, sem contar a possível desmotivação dos profissionais envolvidos.
Demanda Reprimida: Há uma demanda clara e crescente por programas de doutorado na área de ensino de Física. Professores da educação básica que já completaram o mestrado profissional desejam continuar sua formação acadêmica para contribuir ainda mais significativamente para a educação no Brasil. Não atender a essa demanda impede que esses profissionais avancem em suas carreiras e, por consequência, limita o progresso da educação em Física nas escolas.
Impacto na Qualidade do Ensino: O DNPEF visa formar doutores capazes de implementar e avaliar metodologias inovadoras de ensino, liderando iniciativas que melhoram a qualidade do ensino de Física. Sem a submissão e implementação deste programa, o Brasil corre o risco de estagnar-se na formação de professores, afetando negativamente a qualidade do ensino de Física na educação básica.
Evolução Natural do MNPEF: O DNPEF é um desdobramento natural e necessário do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF), que já demonstrou ser uma iniciativa de sucesso com uma rede colaborativa significativa. Ignorar a continuidade dessa evolução vai contra o progresso que o MNPEF representou na última década.
Fortalecimento da Pesquisa Translacional e Aplicada: O DNPEF promove a translação dos resultados da pesquisa acadêmica para a prática educacional, fortalecendo a pesquisa aplicada em ensino de Física. A não submissão da proposta reduz as oportunidades de pesquisa aplicada, o que é vital para inovar e melhorar as práticas de ensino.
Visão Estratégica da SBF: A Sociedade Brasileira de Física (SBF) tem um papel crucial no desenvolvimento e fortalecimento do ensino de Física no país. A decisão de não submeter a proposta do DNPEF pode ser vista como uma falta de compromisso com a missão de avançar a educação em Física, o que pode impactar negativamente a imagem e a credibilidade da SBF.
Impacto na Formação de Novos Pesquisadores: A formação de novos mestres e doutores em Ensino de Física é fundamental para a auto-sustentabilidade de profissionais especializados nessa área. Sem a submissão do DNPEF, o país perde a oportunidade de formar novos pesquisadores que podem liderar e inovar no ensino de Física.
Finalmente, a decisão de não submeter a proposta de Doutorado Nacional Profissional em Ensino de Física é uma medida que pode trazer sérias consequências para a formação de professores de Física no Brasil, prejudicando a qualidade do ensino e limitando o desenvolvimento de novas metodologias e pesquisas aplicadas. A submissão da proposta é essencial para continuar o progresso alcançado pelo MNPEF e atender à demanda reprimida por formação avançada.
Recentemente, por ocasião do Dia do Físico, recebemos um texto do atual presidente da SBF, que destacou a importância e a necessidade de atualizar o ensino de Física, tornando-o mais atraente para os alunos. Ele também enfatizou a inovação e a valorização da formação de professores, essenciais para tornar o ensino da ciência no ensino médio mais cativante. Essa responsabilidade é da SBF, dos físicos e físicas desse nosso imenso país! Atualmente, não há caminho mais seguro para atingir esse objetivo do que a formação de alto nível dos professores que atuam na educação básica. Portanto, é imperativo que a proposta seja submetida para garantir a evolução contínua do ensino de Física no país.
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Esta petição foi criada em 26 junho 2024
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