Exame de Suficiência para Bachareis em Engenharia
Para: CONFEA, Camara Federal, CREA's
O primeiro curso de graduação em engenharia do Brasil foi criado no ano de 1792, com a fundação da chamada Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, situada na cidade do Rio de Janeiro. A instituição oferecia os cursos de Engenharia Militar e Civil, e posteriormente foi desmembrada em dois pólos tecnológicos que atualmente são referências na área, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Militar de Engenharia (IME). Contudo, apesar da relativa tradição no ensino e formação de engenheiros, a profissão foi regulamentada no país somente em 1933, através do Decreto Federal nº 23.569, sancionado por Getúlio Vargas.
A partir de então, o número de cursos de engenharia oferecidos multiplicou-se, evoluindo de 30, na época da sanção do Decreto, para 1.500, na primeira década do século atual. Porém, a baixa qualificação profissional dos egressos dos cursos das várias áreas da Engenharia tem preocupado e pode produzir sérios impactos econômicos que devem prejudicar o crescimento do País. A baixa qualidade da formação gerou uma grande carência por profissionais qualificados: 70% das empresas apontam dificuldades para contratar engenheiros com a qualificação adequada, segundo o levantamento “O futuro das engenharias no Brasil 2023”, divulgado pela Mútua - Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea. Mais de 50% dos profissionais são egressos de cursos de engenharia com conceito 1 e 2 (baixo desempenho) no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). O resultado da baixa qualificação são milhares de profissionais que não conseguem se inserir no mercado ou atuam na informalidade.
A má formação não afeta apenas os próprios profissionais, mas também o País, que não consegue se posicionar de forma competitiva em um ambiente global onde conhecimento e inovação definem quem terá relevância econômica e influência este contexto de baixa competitividade do País aumenta quando se leva em conta o fortalecimento ou surgimento de novas modalidades nas engenharias,
O grande problema é que muitos estão se formando apenas para receber um diploma, sem capacidade técnica. Uma das preocupações é com a baixa qualidade da formação proporcionada por um grande número de cursos no formato de ensino à distância (EAD), além de algumas faculdades particulares. Tem-se uma grande carência de profissionais, não de pessoas com diploma.
A realização do Exame de Suficiência, como condição para o registro profissional, onde o mesmo contribuirá de forma efetiva para a melhoria dos cursos de graduação – já que busca garantir os conhecimentos mínimos indispensáveis ao exercício profissional em consonância com as exigências do mercado – e vai ao encontro dos anseios da sociedade brasileira. O Exame de Suficiência do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia será uma avaliação a que se submeterão os bachareis em engenharia no Brasil, onde demonstram que possuem capacitação, conhecimentos e práticas necessários ao exercício da Engenharia.
A formação de engenheiros adquire uma condição de destaque, visto que, devido à natureza extremamente técnica de sua instrução, esses profissionais possuem um alto potencial de impulsionar o desenvolvimento tecnológico e econômico de um país. A formação em engenharia deveria proporcionar ao futuro profissional uma visão sistêmica acerca do funcionamento da sociedade dentro da qual ele está inserido.
A extensa gama de conhecimentos técnicos e gerenciais a qual o aluno é submetido durante sua instrução deve permitir a potencialização de competências importantes para a criação e produção de bens de grande valor agregado, estreitando a conexão existente entre o índice de desenvolvimento da engenharia de um país e sua capacidade de inovação tecnológica e competitividade industrial.
Conclui-se então, que a nação que deseja se projetar internacionalmente necessita de um modelo educacional apropriado para a formação de engenheiros capacitados e em quantidade suficiente para dar suporte ao seu crescimento econômico.
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