Reconhecimento do bovino Curraleiro Pé-Duro como Patrimônio Histórico, Cultural e Genético do Estado de Goiás
Para: População do Estado de Goiás
Bovino Curraleiro Pé-Duro: Patrimônio Histórico, Cultural e Genético do Estado de Goiás
As raças dos animais são o espelho das diferentes migrações, invasões e culturas dos distintos povos que ocuparam um determinado território e nesse processo, os seres humanos levaram consigo e desenvolveram a domesticação de plantas a animais, os quais ao chegar a esses novos territórios se adaptaram. No caso do Brasil o homem já habitava o território, onde já havia ocorrido a domesticação de várias plantas, embora ainda não houvesse a domesticação de animais, exceto a domesticação do pato pelos povos originários da Região Amazônica. Os animais pecuários da América do Sul, na forma que conhecemos hoje, foram introduzidos pelos europeus quando da colonização portuguesa e espanhola. Assim, em nosso país as raças se formaram ao longo desses 500 anos. Várias delas já foram extintas e outras estão a ponto de desaparecer, de modo que a extinção das raças bovinas brasileiras locais representaria uma perda irreparável, pois com eles desapareceriam também inúmeras informações contidas na sua estrutura genética, desenvolvidas ao longo de cinco séculos de seleção natural.
Importância do reconhecimento da raça Curraleiro Pé-Duro como Patrimônio Histórico, Cultural e Genético
As raças locais, nativas ou autóctones brasileiras são exemplos da biodiversidade dos recursos genéticos animais do país. Representam valioso patrimônio genético, com grande potencial de valorização econômica e conservação de usos e costumes, uma vez que fazem parte do legado histórico e cultural do país, gerando produtos tradicionais e de qualidade.
Resultado da evolução de determinadas espécies animais, adaptadas as paisagens onde vivem, as raças nativas brasileiras são parte integrante do meio rural, onde desempenham papel no equilíbrio dos ecossistemas. Essas raças criaram-se livremente na natureza ou foram selecionadas empiricamente pelas populações com o objetivo de satisfazerem suas necessidades alimentares (carne, leite e ovos), de trabalho (tração e transporte) e de vestuário (peles, lã e penas). Bem como estão associadas a diversas atividades de caráter gastronômico, social, cultural e religioso. São igualmente importantes do ponto de vista econômico, em decorrência de seus valiosos produtos.
O papel das raças nativas nos sistemas agrícolas e nos ecossistemas, sobretudo florestais, é enorme e resulta no aproveitamento eficiente dos recursos disponíveis, com necessidade de pouco ou nenhum insumo. A grande contribuição dá-se também no contexto do desenvolvimento rural, promovendo à fixação das populações rurais nos territórios mais desfavorecidos e de baixa densidade, normalmente o meio ideal de adaptação destas espécies. Não se pode esquecer que essas raças são imprescindíveis para superar os limites da seleção genética e para assegurar a plasticidade suficiente para satisfazer as necessidades produtivas do futuro. O conceito de plasticidade recobrou sua importância na situação atual de mudanças climáticas.
A valorização dos bovinos locais ou nativos, é uma maneira de incentivar os criadores a mantê-los. Esse processo está relacionado ao valor dado a um produto alimentício associado a uma raça em particular. A valorização pode também estar associada a uma raça de determinada região (paisagem específica), a um sistema de criação extensivo ou até mesmo a utilização da raça como atividades turísticas e de lazer. Desta forma muda-se a maneira de conservação dessas populações, ou seja, ao invés de ser somente considerada um recurso genético a ser preservado, elas se tornam um recurso para a produção pecuária e para o desenvolvimento local.
Hoje, a manutenção das raças nativas brasileiras são uma questão de soberania nacional, devendo ser protegidas por legislação nacional e estaduais, assim como sua criação deve ser apoiada por medidas destinadas à promoção e conservação destes recursos genéticos, especialmente os que estão em risco de extinção.