Carta aberta às vítimas de assédio na área da Geofísica e às Instituições envolvidas solicitando resposta.
Para: UnB, UFRN, SBGf, SBG e ABMGEO
Nós, geofísicas e geofísicos de diferentes áreas da geofísica – professores, pesquisadores e profissionais –, viemos a público expressar nosso profundo apoio e solidariedade às vítimas de assédio sexual e moral que têm sofrido em Instituições de ensino e pesquisa no Brasil. Expressamos também nosso repúdio aos agressores e assediadores.
É com imensa consternação que acompanhamos os recentes relatos tornados públicos, nos últimos anos, por meio de jornais eletrônicos. Dois casos vieram à tona, expondo a violência e o sofrimento vividos por colegas em ambientes que deveriam ser dedicados ao conhecimento e à ciência. Esses relatos nos abalaram profundamente, não apenas pela gravidade dos fatos, mas também pela constatação de que essas práticas continuam presentes em nosso meio e sem resposta das autoridades responsáveis nas instituições envolvidas.
Gostaríamos de expressar que o assédio, seja ele moral ou sexual, não pode e não deve ser tolerado em qualquer ambiente de trabalho, muito menos em instituições de ensino e pesquisa. No entanto, o que temos observado é que essas violências parecem ser recorrentes nessas instituições. Infelizmente, o ambiente acadêmico, que deveria ser um espaço de liberdade intelectual, respeito e colaboração, aparentemente muitas vezes se transforma em um local de abuso e opressão para muitas pessoas.
Diante dessa realidade, estamos nos organizando para exigir medidas concretas das instituições envolvidas. Não vamos nos calar nem ignorar essas denúncias. Estamos determinadas a acompanhar de perto esses casos e a cobrar a responsabilização dos agressores e respostas das instituições em que esses abusos ocorreram.
É nosso dever, como profissionais, garantir que nossos espaços de trabalho e estudo sejam seguros e acolhedores para todas e todos. Não podemos permitir que a cultura de assédio e silêncio continue a prosperar. Reforçamos nosso apoio incondicional às vítimas, incentivando que mais denúncias venham à tona e que aqueles que sofrem não se sintam sozinhos ou desamparados. Lutamos por uma geofísica – e por uma ciência – onde o respeito mútuo, a ética e a integridade prevaleçam sempre.
Às instituições envolvidas solicitamos respostas sobre a apuração dos fatos e punição dos agressores.
Um dos casos que veio a público, ocorreu há quase dois anos, já teve desfecho na justiça comum de todos os processos mas a Universidade não finalizou o Processo Administrativo disciplinar (PAD). A conclusão dos processos na justiça comum resultou na condenação do acusado ou acordos judiciais que favoreciam as vítimas.
Estamos ao lado de cada uma de vocês, vítimas dessa violência, e nos comprometemos a lutar por mudanças efetivas e duradouras.
Com solidariedade,
|
Já Assinaram
455
Pessoas
O seu apoio é muito importante. Apoie esta causa. Assine o Abaixo-Assinado.
|