Em defesa da Filosofia no Ensino Médio
Para: Universidades, escolas públicas e particulares, alunos, pais, professores, entre outros.
Recentemente tivemos acesso à proposta curricular que pretende ser implementada pela SEC-BA, referente à distribuição da carga horária do novíssimo Ensino Médio.
E com enorme surpresa e desapontamento observamos que, apesar da carga horária destinada à formação básica ter aumentado, a carga horária das ciências humanas, de maneira especial as de Filosofia e Sociologia, permaneceram com uma h/aula em cada um dos três anos do ensino médio. Tal proposta reforça a tendência tecnicista da formação da juventude baiana, sem o devido contraponto da formação humanística.
Adorno (1995), em Educação após Auschewitz, denuncia tanto a educação técnico-produtivista quanto o repúdio à educação crítico-reflexiva como um dos fatores que prepararam tanto a ascensão do nazifascismo, quanto a aceitação das barbáries que viriam a ser perpetradas. Para Adorno (1995), a ênfase exagerada e exclusiva em uma educação tecnicista, em detrimento a uma educação reflexiva e crítica, levaria a uma supervalorização da técnica como sendo um fim em si mesma e não como um meio para uma vida digna e humana. Este modelo tecnicista de educação é o “que leva, em última análise, quem projeta um sistema ferroviário para conduzir as vítimas a Auschewitz com maior rapidez e fluência, a esquecer o que acontece com estas vítimas em Auschewitz” (ADORNO, 1995, p.133).
Considerando a importância da Sociologia e da Filosofia para a formação humana e para a compreensão, fundamentação e construção do conhecimento científico, precarizar o ensino de tais disciplinas significa retirar dos nossos jovens a possibilidade de desenvolver adequadamente um pensamento autônomo, lógico-argumentativo, ético e crítico-reflexivo que os leve a conhecer, pensar e colaborar com as investigações sociológicas e com a conceitualização da realidade. Um reducionismo perigoso no qual se objetiva excluir, por meio de itinerários formativos esvaziados, todo e qualquer saber que se proponha a refletir criticamente. Uma formação cujo objetivo é a (re)produção de mão de obra capaz de fazer, mas incapaz de pensar as próprias condições, estruturas e implicações éticas, políticas e sociais deste fazer. É expor nossos jovens cidadãos a toda espécie de radicalismos, extremismos, intolerâncias e regressão à barbárie.
Defendemos aqui, portanto, a NORMALIZAÇÃO, da carga horária de filosofia e sociologia em duas h/aulas semanais em cada ano do ensino médio.
Convidamos por meio deste abaixo-assinado toda a sociedade civil, entidades estudantis, departamentos acadêmicos, professores, associações, instituições de ensino público e privado, faculdades e universidades, sindicatos, pais e deputados estaduais que são capazes de compreender todas as implicações e consequências do que está prestes a ser decidido pela Assembleia Legislativa, a assinar esta carta e abraçar esta causa justa.
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