Reconstrução da ficha de pontuação para atribuição/remoção.
Para: Professores da Rede Municipal de Santo André
Nós, professoras e professores da rede de educação pública de Santo André, que construímos nossas carreiras nessa rede de ensino, manifestamos nossos sentimentos de desmotivação e descontentamento com a ficha de pontuação utilizada no processo de atribuição 2024-2025. Vimos, por meio deste texto, solicitar providências no sentido de que haja uma revisão e reformulação do citado documento, inclusive, para definição de valores a serem atribuídos em cada segmento de certificado.
Concordamos que deve haver incentivos para a busca de conhecimentos por meio de cursos e títulos, no entanto, acreditamos que se deve atribuir maior peso ao tempo de exercício na modalidade, de modo a reconhecer a experiência acumulada ao longo dos anos de trabalho. Na classificação, foi possível observar pessoas com uma diferença de até dez anos no Registro Funcional (RF) que estão em uma classificação superior àqueles com maior tempo na municipalidade. Na lista de classificação para remoção podemos observar pessoas que alcançaram um avanço descomunal no número de pontos de 2023 para 2024.
A maioria de nós busca cursos para aprimoramento da prática pedagógica e apresentamos os nossos certificados, mas a qualidade das formações, considerando, carga horária, diferenciação das formações presenciais e/ou remotas e até mesmo pertinência em relação a área de atuação devem ser valorizadas em contraposição a uma ficha que valorizou a quantidade de certificados.
Sabemos da existência de plataformas que oferecem cursos online, onde o único requisito para obter o certificado é que se preencha uma lista no final. Esse tipo de valorização é inadequada e não reflete o verdadeiro esforço e dedicação dos profissionais da educação.
Essa situação transformou a ficha de pontuação em uma mera comercialização de certificados, promovendo uma competição entre os funcionários em vez de valorizar o aprendizado genuíno.
Pedimos que considerem essas reflexões e busquem formas mais justas e valorizadoras de reconhecer o trabalho docente. Solicitamos ainda que seja organizado um comitê para discutirmos verdadeiramente a ficha. Reafirmamos a importância do estabelecimento de regras sólidas e a organização de uma seção responsável pela contagem de pontos, como é realizado em outras redes de ensino. Sabemos que deixar a cargo da interpretação das equipes gestoras favorece a injustiça, o favoritismo e a manutenção e privilégios. Lutamos pela justiça e transparência desse processo.“É importante ressaltar que a vida funcional dos servidores também está em jogo. Aqueles que se esforçaram para adquirir acúmulos lícitos – em especial, os professores que se encontram na Educação de Jovens e Adultos– são prejudicados nesses momentos, ao observarem que a ficha de pontuação favorece aqueles que utilizam certificados apenas para comparações de pontuação. Qual será o destino daqueles que já têm suas vidas organizadas com base na legalidade e na justiça?
Embora seja fato que a escolha desta ficha de pontuação tenha sido feita pelos professores no primeiro semestre, não sabíamos dos percentuais que seriam atribuídos a cada segmento de formação. O que solicitamos aqui é a valorização do tempo de serviço e do tempo em efetivo exercício na modalidade, pois somente desta forma uma classificação justa dos servidores da educação de Santo André será possível.”
Ademais, em atendimento ao princípio da gestão democrática, solicitamos que sempre estejamos envolvidos nesta e em outras decisões que dizem respeito à nossa carreira.
Concluímos, desejando ótimos trabalhos e contando com o olhar e parceria desse gabinete com os profissionais que estão no chão da escola, fazendo a educação dos nossos munícipes.