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Mudança do nome da Rua "General Gurjão" para "Bruno de Menezes

Para: Câmara Municipal de Belém - PA

Neste dia da consciência negra, o Centro de Cultura Libertária da Amazônia – CCLA realizará
um grande ato político-cultural em sua sede para marcar essa data com muita luta, alimentação
consciente, música, poesia e um debate sobre a vida do poeta e militante de Belém, Bruno de Menezes.
Este evento marca uma conjuntura nada favorável para o povo preto desse país. o Atlas da Violência de
2023, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que só em 2021 a população negra
foi vítima de 36.922 homicídios, o que corresponde a 79% do total de pessoas assassinadas no
país. Ainda segundo o relatório, a desigualdade racial aumentou, e o risco de uma pessoa negra ser
assassinada de forma violenta subiu de 2,6 para 2,9 entre os anos de 2019 e 2021. Em números gerais,
isso significa que a cada 10 pessoas que morrem de forma violenta no Brasil, 8 são negras.
Esses dados representam que o genocídio do Povo Preto é um projeto da burguesia e de seu
estado nacional. Tal construção se materializa pela necropolítica nas periferias e nos campos do
território nacional. É uma política em que o Estado escolhe quem morrerá e quem viverá. É uma
violência que se materializa nos corpos do povo preto e nos seus ambientes. Em especial na vida das
mulheres negras e periféricas. Mas não só. Basta lembrarmos que aqui na região metropolitana de
Belém, em Barcarena, temos um dos casos mais emblemáticos de injustiça ambiental e racial. É o caso
do pólo minero-metalúrgico (Hydro e Imerys, como principais empresas) que sistematicamente violam
os direitos territoriais de cinco comunidades quilombolas: Gibiriê, Sítio São João, Cupuaçú e Burajuba
Essa violência é igualmente simbólica e igualmente genocida. É preciso, também, apagar a
memória de luta e rebeldia de nosso povo. Basta uma pequena observação nas paisagens urbanas das
cidades brasileiras. São ruas, estátuas, escolas e logradouros em geral com nomes de genocidas de todas
as ordens. São bandeirantes, generais e religiosos do alto escalão sendo homenageados. É o caso da
Travessa que fica nossa sede do CCLA, General Gurjão. Para quem não sabe esse “Senhor” de nome
Hilário Maximiano Antunes Gurjão distinguiu-se na guerra do Paraguai em 1865 com a patente de
Coronel por comandar o bombardeio de Itapiru em 1866 e as ações de artilharia no Passo da Pátria em
Tuiuti. Ainda comandou a guarnição de Corrientes e as forças do Chaco em ação combinada com a
esquadra em 3 de setembro de 1867. Todas essas operações culminaram com a eliminação de milhares
de indígenas Guarani e Negros que eram colocados na linha de frente para servir de bucha de canhão
para os interesses imperialistas sub-regionais do Brasil, sob o comando desse General. É hora de prestar
conta com a nossa história e fazer justiça de reparação.
Por isso, o CCLA, nesta data importante de luta, lança a Campanha pela mudança imediata nome
da Rua do genocida General Gurjão para o nome do poeta negro, militante sindical, morador do Jurunas
e educador nas Escolas Operárias de orientação anarquista, ligadas a Federação Operária do Estado do
Pará: BRUNO DE MENEZES. Para colocar a campanha nas ruas de Belém, nosso Centro realizará um
abaixo-assinado para instruir um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para a mudança do nome da rua.
Sua participação é fundamental nessa construção. Recolhendo assinaturas no seu local de trabalho, de
moradia e de estudos. Esse abaixo-assinado será entregue, através de uma ação direta de ativistas, na
Câmara Municipal de Belém. Com data ainda a ser marcada.
Por isso, neste dia 20 de novembro, venha com sua família e amigos, para o CCLA a partir do
meio dia. Teremos almoço vegano, pensando a importância política de alimentação saudável frente ao
colonialismo químico e a dominação animal imposta pelo sistema capitalista e patriarcal. Na
continuidade realizaremos uma roda de conversa sobre a vida, obra e ação política de Bruno de
Menezes, bem como a atual conjuntura de avanço do fascismo e incremento do racismo e da
precarização do mundo do trabalho, especialmente daqueles que não se enquadram na branquitude
ocidental e colonial. A partir das 16h vários músicos e poetas assumiram o palco nos deixando muita
música produzida por artistas pretos desse país.
#CampanhaDeMudançaDoNomeDaRua
#Bruno de Menezes, Já!
#FascismoNãoSeDiscuteSeDestrói!
#AbaixoORacismo!
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Esta petição foi criada em 19 novembro 2024
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