Pela não criminalização dos Beneficiários do Benefício de Prestação Continuada ( BPC)
Para: Fernando Haddad
A história de Cleide começou no Sul do Pará. Nasceu em 1988. Ainda jovem, no ano de 2010, casou-se. Tudo, em sua história, parecia se encaixar, afinal o destino dos filhos de agricultores pobres confunde-se, frequentemente, com aquelas linhas retas das estradas do Pará. Ainda no final da gestação o exame de ultrassom trouxe uma surpresa. Não sabia muito sobre o significado daquela palavra que mudaria seu destino. Uma palavra. Um diagnóstico. Uma doença. Três meses depois, Rosa, abreviação de Rosangela, veio ao mundo. Cleide, consumida pela tristeza, não teve resguarde. Aprendeu, da maneira mais amarga, o significado da palavra microcefalia. Um daqueles momentos em que o mundo cai por terra. Convive, desde então, com a dor, a solidariedade e o abandono. Não teve escolha. Mudou-se, com Rosa, para Goiânia. Tem tido acesso ao tratamento adequado, pelo SUS, em um hospital de referência. Do companheiro, porque casada de papel passado, não teve mais notícias. O abandono é a sina de milhões de mulheres vulneráveis. Um pouco depois um sobrinho mudou-se para Goiânia. Cleide foi orientanda, ainda no Pará, a solicitar uma LOAS. Isso mesmo. O BPC também é chamado nas áreas mais remotas do país, carinhosamente, de LOAS. É o BPC que permite que Cleide, que também recebe Bolsa Família, reproduza sua vida com aquele mínimo necessário. Não há luxo, nem mesmo qualquer tipo de excedente em sua vida. O sobrinho, Jovem Aprendiz, ajuda como pode.
Pare um pouco. Coloque-se, por um momento, no lugar de Cleide. Coloque-se, por um momento, no lugar de 6 milhões de pobres deficientes e idosos que dependem, nos mais diversos lugares desse país, do Benefício de Prestação Continuada. Coloque-se no lugar de uma filha vulnerável que cuida da mãe com Mal de Alzheimer, de um filho pobre que convive com as dificuldades cotidianas da Doença de Parkinson do avo, de jovens com paralisias incapacitantes ou crianças diagnosticadas com Autismo.
Pela atual proposta do Governo Federal, Cleide, como centenas de milhares de pobres e deficientes, poderá ter o BPC cortado. Pela proposta, será incluída, naquela renda de ¼ do Salário Mínimo, equivalente a R$ 356,00 por pessoa, os demais benefícios sociais, a renda do companheiro não coabitante, além da renda dos filhos e enteados. Cleide parece não ter sido abandonada, apenas, por Oliveira. Também foi abandonada pelo Estado brasileiro. Abandonada por um Governo que subiu uma rampa, na posse, celebrando a diferença, a inclusão e a democracia, palavras sem sentido para Cleide.
É o momento de fazer a escolha certa. Diga não às alterações no Benefício de Prestação Continuada.
Assine essa petição! - Observatório do Estado Social Brasileiro