Contra a destruição das áreas verdes do Sudoeste
Para: Moradores do bairro Sudoeste - Brasília - DF
Nós, cidadãos abaixo assinados, manifestamos nossa discordância e profunda preocupação com a possível construção de imóveis comerciais nas Entrequadras EQRW-3/4 e 5/6 do Setor Sudoeste e de quaisquer outras novas construções comerciais nos referidos espaços do Sudoeste Econômico. Tais iniciativas irão causar sérios danos ao meio ambiente e comprometer a ordem urbanística local.
As áreas em questão são vitais para a qualidade de vida da comunidade, abrigando espécies nativas do cerrado protegidas por lei e funcionando como um espaço de tranquilidade e equilíbrio ambiental.
Há hoje, só na área verde localizada na EQRSW 3/4, significativa presença de espécies arbóreas e relativa biodiversidade que merecem ser preservadas. Foram encontradas na área cinco árvores de três espécies nativas do cerrado, a saber, duas árvores da espécie Dalbergia miscolobium (caviúna do cerrado ou jacarandá-do-cerrado), uma Caryocar brasiliense (pequi ou pequizeiro), um Handroanthus impetiginosus (ipê roxo) e duas de Cariniana estrellensis (jequitibá-branco). Vale salientar que as árvores de menor porte (C. brasiliense e D. miscolobium) apresentam circunferências de tronco maiores do que um metro e que as árvores de C. estrellensis possuem mais de 10 metros de altura. Por ambas medidas é possível inferir que essas árvores estão no local há décadas! Além de espécies cultivadas pelos moradores, que transformaram o local em um jardim comunitário. Esses elementos contribuem para benefícios amplamente reconhecidos, como:
• Amenização do microclima;
• Abrigo para a fauna local (incluindo araras azuis e periquitos);
• Redução da poluição do ar e sonora;
• Preservação da flora nativa do cerrado.
Além disso, estudos comprovam que áreas verdes melhoram a saúde física e mental, reduzem o estresse e incentivam a atividade física, benefícios fundamentais para o bem-estar dos moradores.
A instalação de empreendimentos comerciais geraria impactos negativos, como:
1. Impacto ambiental negativo, incluindo a supressão de áreas verdes, aumento da poluição sonora e redução da permeabilidade do solo, agravando problemas de drenagem e enchentes.
2. Descaracterização da área residencial, comprometendo a harmonia do bairro, com aumento do tráfego de veículos, diminuição da segurança e da qualidade de vida dos moradores.
3. Descumprimento da ordem urbanística, contrariando normas de zoneamento urbano que visam proteger o uso residencial da região e evitar a expansão desordenada de atividades comerciais.
É importante lembrar que o Setor Sudoeste já enfrenta desafios significativos com a construção da nova Quadra 500, que impactará o tráfego e a infraestrutura local. Novos empreendimentos comerciais apenas agravariam esses problemas.
Fato é que, todo projeto urbanístico deve levar em consideração as necessidades da comunidade que ali vive, uma vez que ela irá usufruir das eventuais melhorias dos serviços, ocorre que este não é o caso. Ao contrário, a comunidade refuta qualquer possibilidade de novas construções tendo em vista que a região é plena de comércio, escolas e igrejas. Aumentar a quantidade existente impedirá a população de gozar da qualidade de vida que os fez escolher a região para moradia.
Diante do exposto, solicitamos às autoridades competentes que tomem as medidas necessárias para impedir a construção proposta, garantindo a preservação do meio ambiente, a qualidade de vida dos residentes e o respeito às normas urbanísticas vigentes que devem levar em conta o desejo da comunidade.
Juntos, reafirmamos nosso compromisso com a proteção do ambiente urbano sustentável e a manutenção da ordem e do bem-estar coletivo.