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Abaixo assinado para tirar a censura de horário de estacionamento na Praça do Zinho 10/12/2024

Para: População de Araraquara

Lugar de encontro dos mais diversos segmentos da população araraquarense há décadas, está sendo atacado por uma lei do silêncio fascista que visa apenas os interesses dos moradores classe média alta que moram ao seu entorno, em seus apartamentos caros e casas luxuosas, e da máfia do trânsito.
O horário estipulado da proibição de estacionar na praça a partir das 22:30 fere a população que comumente passeia e se reúne nas noites dos finais de semana, sendo na sua maioria de tempo, estudantes, universitários, professores, artistas, trabalhadores e figuras políticas. Onde há comércio de brechós de roupas, de alimentos, sendo um dos poucos locais de resistência que oferece acesso à comidas veganas na cidade, além do comércio de objetos artísticos da comunidade Hippie, entre bandas musicais, grupos de dança, jogos de perguntas e respostas, entre outras atividades culturais, que contemplam várias faixas etárias da população que habita o espaço, há mais de 70 anos, que é a idade do famoso Bar do Zinho, que por ser um ponto de referência de comércio e cultura, agora nomeia a praça pública.
Essa lei é uma forma de reprimir principalmente a população marginalizada de Araraquara que moram nas periferias, em sua maioria trabalhadores. De onde os jovens, filhos do proletariado, começaram com a onda do funk a frequentar mais o centro da cidade. Procurando ter acesso a espaços que sempre foram segregados de ocupar pela burguesia, que quando não usam a polícia e o preconceito para nos expulsar, criam leis de estado a partir de seus representantes conservadores para tal finalidade.
Como dizia o Rap do Silva, “O funk não é modismo, é uma necessidade, é pra calar os gemidos que existem nessa cidade”.
Nós não podemos tolerar que Araraquara aceite marginalizar ainda mais sua população, reprimindo os bailes e festas públicas! De origem negra e africana, tal qual a lei do estado proibia o samba, o pagode, a capoeira, o rap e o funk.
Vemos com o Governo de Tarcísio de Freitas e o Secretário de Segurança Guilherme Derrite, a escalada da violência e do autoritarismo policial no Estado de São Paulo. Os retrocessos da extrema-direita precisam ser imediatamente combatidos. Começando, em Araraquara, pelo prefeito Dr. Lapena, um bolsonarista, militarista, do partido liberal. O partido que com o ex-presidente golpista, junto com a ralé dos generais do exército, planejaram um vergonhoso e fracassado golpe de estado, que ameaçou a vida de toda a população brasileira, que entraria numa ditadura fascista, dirigida por idosos antiquados, negacionistas da ciência e do progresso social.
Este ser que recentemente foi se tornar presidente da Junta militar de Araraquara, no dia 17 de janeiro de 2025. Sendo que no ano de 2021, o filho do genocida golpista, o fascista miliciano Eduardo Nantes Bolsonaro, veio a atacar o então vencedor da eleição Edinho Silva (PT), por ser contra as medidas de prevenção contra a covid19, tal qual negacionista da ciência ele é. Visita decorrente da derrota política de seu fantoche, lidada de forma muito antiquada para um idoso de 60 anos, branco e milionário.
Sendo a junta militar de Araraquara, um local, para os quais a ralé de Araraquara se dirigiu no ano de 2022, junto de Renata Crespi, atual diretora da Fundart, aonde fizeram a chacota que foi os acampamentos golpistas, do 8 de janeiro. Um sujeito tão hipócrita, que só se formou, porque estudou na faculdade pública na Unesp de Botucatu. Tão atacada por ele, e pelos dirigentes de seu partido e suas coligações de extrema-direita, que corrompem e desviam o dinheiro da educação.
Pois é a partir de suas más políticas que ocorre o aumento da criminalidade, e é a eles que a classe média deve temer e combater. Pois com a marginalização da periferia, haverá ainda mais o agravamento da desigualdade social, e por conseguinte, o aumento da criminalidade.
Tarcísio cortou 11 bilhões da educação do estado, e fomenta a violência policial, as consequências disso não serão ter mais segurança! Eles tentam privatizar as companhias de água, de luz, do cemitério, de ônibus, etc., primeiramente causando corrupções nesses órgãos, tal qual foi na CTA, fechada durante a gestão do golpista Marcelo Barbieri, ex-secretário de Michel Temer (PMDB), responsáveis por abrir as portas para o fascismo ao derrubarem a então presidenta eleita Dilma Rousseff (PT). A CTA cobrava a passagem de ônibus 2,50, hoje o ônibus não melhorou em nada, tiraram os cobradores, e os motoristas são obrigados a fazer um trabalho dobrado. Não só isso dobrou como a passagem que subiu para 5,40 reais, praticamente o preço de um Uber.
Criar uma lei do silêncio na praça pública vai imediatamente de acordo com os interesses da extrema-direita de viés ditatorial, apoiada pela burguesia e pela hipócrita classe média; criar como na Ditadura a Lei do Toque de Recolher. Em que os jovens não podiam andar nas ruas do Brasil a partir das 23 horas, sob risco dos militares os prenderem e torturarem, além dos muitos assassinatos.
Essa lei expulsa a população jovem, negra e periférica do centro da cidade, de um espaço de conversações, trocas de ideias, brincadeiras e expressões artísticas. Um lugar onde as pessoas se conhecem, fazem amizades, namoram, se descontraem e se divertem. Não podem ser reprimidos pelo estado, e por pessoas que claramente não se adaptaram em morar perto de um local público onde a população sempre se reuniu.
Esta classe média hipócrita, que abre as portas para o fascismo e o bolsonarismo. Para esses só há algo a se dizer, os incomodados que se mudem!
Além disso, a lei estabelecida, não é coerentemente lógica nem mesmo com sua própria finalidade vulgar. Pois atinge os próprios moradores das casas ao redor da praça, que tem seus próprios veículos apreendidos pela GCM e agentes do trânsito, apenas por estarem estacionados na frente de suas próprias casas a partir das 22:30, o que é um grande absurdo!
A lei de Trânsito por si só já é um abuso, pois a população periférica não tem condições de pagar o guincho superfaturado dos agentes de trânsito. Um guincho particular sai em média 180 reais em Araraquara, já o guincho que os agentes de trânsito cobram passam de 400 reais!
É imprescindível repensar a política de trânsito. Pois, os trabalhadores muitas vezes não têm condições de morar perto das grandes empresas, por conta da especulação imobiliária, ou melhor dizendo, o racismo fundiário, deixando muito caro as casas e alugueis nas áreas centrais da cidade, onde ficam as empresas que mais contratam, como a Cutrale, a Lupo e a Heineken. A maioria dos trabalhadores precisam atravessar a cidade, suas pontes e seus morros. Isso quando não são terceirizados no Uber ou no Ifood, uma profissão extremamente exploratória, com muitos riscos e poucos direitos. Grande parte desses trabalhadores estão vulneráveis à violência de seus clientes classe média e ricos, que querem que subam os andares de seus apartamentos e praticamente colocar comida nas suas bocas sujas, os quais não se importam se estão pedindo entregas em meio a tempestades, ou as condições dos meios de serviço, ou os salários baixíssimos que os entregadores recebem. Além dessa violência, estão vulneráveis aos acidentes que ocorrem durante ou voltando de suas jornadas exaustivas de trabalho. Enquanto isso o centro é ocupado pelos donos das empresas, seus herdeiros, a burguesia, ou aqueles que detém cargos mais elevados nas empresas, em que os trabalhadores trabalham.
Além disso, a maioria da população periférica tem dificuldade para pagar os próprios veículos, muitas vezes financiados, que os bancos cobram praticamente o dobro do valor em juros, que dirá então pagar os documentos, e depois ainda as multas com valores altíssimos. Tendo também que escolher entre por comida na mesa, pagar documentos do veículo, ou realizar a manutenção do mesmo. Que por vezes, pagamos os documentos, mas não temos condições de arrumar as peças do veículo, o que também é um fator gerador de acidentes. O Estado ao invés de ajudar a população a regularizar os seus veículos e auxiliar na manutenção dos mesmos, prefere apenas criar um sistema taxatório. Onde uma multa sai no preço de um pneu de carro.
Quem trabalha CLT e ganha um salário-mínimo de 1400 reais, ou quem faz bico, recebe em média 60 reais por dia, as multas de trânsito chegam a bater valores absurdos de quase 300 reais. Ou seja, precisam trabalhar quase 5 dias do mês apenas para pagar uma multa de trânsito. Multas que muitas vezes, vêm de câmeras mal colocadas, quase imperceptíveis, de ruas com má sinalização de limite de velocidade, ou em horários perigosos para se parar, numa rua deserta a noite. Onde pessoas que trabalham em serviços noturnos, como garçons, barmens, seguranças, bombeiros civis, etc., ou de empresas que vão até o 3° ou o 4° turno, ficam mais vulneráveis. Como foi o caso no dia 07 de janeiro de 2025, onde no início da madrugada, uma mulher parou no sinal vermelho descendo a Avenida Brasil, no centro do município de Araraquara, e teve sua moto roubada por pelo menos 7 pessoas.
Ao contrário disso, a burguesia que lucra em cima desses trabalhadores, facilmente paga essas despesas com veículos. E olha, que são os herdeiros deles quem apostam rachas em plena Avenida Expressa em horários movimentados, com seus carros caros e luxuosos, construídos pelos trabalhadores, colocando em risco a vida da população por conta de seus atos criminosos e suas irresponsabilidades, que para eles a lei passa batido impune. Pois eles pagam com o suor, com a exploração dos trabalhadores essas multas, e que simplesmente são libertos de suas penas.
Portanto! Essas leis de trânsito só tiram o veiculo dos pobres e dificultam ainda mais o acesso ao centro da cidade, e o acesso ao serviço que é longe de suas casas, além de pôr em risco a vida dos mesmos, e aumentar a desigualdade social, a fome, a desnutrição, e o acesso à cultura, ao trabalho, a saúde e a educação.
Desta forma, o Estado, a partir de seu braço, a máfia do trânsito, produz mais uma armadilha para lucrar e explorar a população periférica. Que depois de um guincho de 400 reais, diárias de estacionamento de 40 reais no pat, somando muitas vezes com documentos e multas que o trabalhador não tem condições de pagar. Faz com que a população periférica muitas vezes não consigam retirar seus veículos! O Detran vende os veículos num leilão, e embolsa o dinheiro suado do trabalhador, os deixando a pé, sem devolver se quer uma moeda.
Muitos, na tentativa de reaver seus veículos, tentam emprestar dos bancos, que emprestam muito dinheiro apenas para quem já tem muito dinheiro. Onde somos novamente explorados pelo sistema, e submetidos a escravidão moderna, pagando juros imensos apenas para reaver uma coisa que já é sua!
Portanto! Nós viemos por meio desse abaixo-assinado, requerer que sejam retiradas as placas ao redor da praça e que seja removida essa lei fascista.
Que a população possa gozar livremente do seu direito de ir e vir em seus próprios veículos, e que não tenhamos mais que viver no retrocesso das políticas públicas, que além de não oferecerem espaços de lazer e confraternização para a população periférica no centro da cidade, ainda promove uma política de segregação socioespacial aos mesmos.
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Esta petição foi criada em 18 janeiro 2025
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