Pelo fim das provas escritas abusivas, violentas e incoerentes na Qualificação Nacional do PROFBIO
Para: Coordenação Nacional do Mestrado Profissional em Ensino de Biologia e Coordenações Regionais de cada IES associado
"Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor.” Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, 1968.
Nós, professores e estudantes do Mestrado Profissional em Ensino de Biologia (PROFBIO), manifestamos nosso repúdio ao atual formato da Qualificação Nacional, que se baseia exclusivamente em uma prova escrita conteudista. Esse modelo de avaliação privilegia a memorização de conteúdos disciplinares, sem considerar as práticas pedagógicas, a complexidade da formação continuada dos docentes e a valorização do Saber Profissional. Tal abordagem é desrespeitosa, abusiva, descontextualizada e incoerente com as tendências contemporâneas da formação de professores.
Além disso, essa avaliação nacional ignora o árduo trabalho desenvolvido em cada Instituição de Ensino Superior (IES) e impõe um controle homogeneizante que desconsidera a diversidade dos contextos educacionais no Brasil. Acreditamos que um programa nacional não deve implicar em uma avaliação generalizada e reducionista, mas sim respeitar e valorizar a riqueza dos diferentes espaços educacionais do país.
Outro fator preocupante é a falta de transparência nos critérios de correção, que não são claramente divulgados aos mestrandos, dificultando a compreensão objetiva dos resultados. O fato de que cada polo não pode avaliar seus próprios alunos, mesmo tendo professores que acompanharam de perto o processo formativo, enfraquece a coerência da avaliação com a bibliografia estudada e as práticas pedagógicas discutidas ao longo do curso.
O processo avaliativo adotado pelo PROFBIO contradiz princípios fundamentais da educação. Como destacado por Moreira (2017), a aprendizagem mecânica, focada na memorização para provas, resulta em pouco ou nenhum aprendizado significativo. Além disso, a estrutura do mestrado reforça práticas excludentes ao longo de suas etapas, incluindo:
1. Uma prova de ingresso conteudista que não avalia a capacidade reflexiva ou prática;
2. Uma avaliação final que ignora avanços parciais ou a evolução do discente;
3. Um processo de recuperação inadequado, que contradiz princípios da avaliação formativa ao aplicar os mesmos instrumentos já falhos.
Ressaltamos ainda a ausência de critérios que considerem aspectos fundamentais da formação docente, como:
Assiduidade e participação nas disciplinas;
Diálogo com orientadores e professores;
Trabalhos desenvolvidos ao longo do curso, que evidenciam engajamento e aplicação prática dos conceitos estudados.
Se o objetivo do mestrado é formar educadores críticos, por que sua avaliação se baseia em mecanismos que desconsideram justamente a práxis pedagógica? Essa incoerência entre teoria e prática exige reflexão e reformulação. Defendemos uma avaliação condizente com os princípios da educação crítica e significativa, que respeite a diversidade das práticas pedagógicas e os contextos de atuação dos professores em diferentes estados do Brasil. Somente assim poderemos garantir um programa que, de fato, contribua para a valorização da formação docente e para a melhoria da educação no país.