Mudança do nome do Viaduto Dona Matilde
Para: Sr Prefeito e Vereadores
Vimos pelo presente abaixo assinado solicitar aos Vereadores e Prefeito da Cidade de São Paulo que reconsiderem a alteração do nome do Viaduto Dona Matilde (código CADLOG 29.881-6) que ele seja mantido conforme fora nomeado através do Decreto nº 15.777 de 29 de março de 1979.
A alteração da denominação que está sendo implementada através da Lei nº 18.267 de 2 de junho de 2025, cujo o Projeto de Lei nº 285/2025 são dos Vereadores João Jorge, Lucas Pavanato e Rute Costa pode ter acontecido por falta de informação e conhecimento histórico sobre a constituição do bairro Vila Matilde e bairros vizinhos.
Sintetizaremos brevemente a história de onde surgiu o nome “Matilde”.
O bairro nasceu aproximadamente na segunda década do século 20, época onde vivíamos as margens do crescimento da metrópole, muitas glebas foram se transformando no que são hoje os Bairros como Vila Matilde, Vila Esperança, Parque do Carmo, Vila Dalila, Vila Ester e demais. A Fazendeira proprietária dessas terras se chamava Escolástica Melchert da Fonseca e sua gleba era tão grande que ia da Guiaúna à Fazenda do Carmo, onde conhecemos hoje como Parque do Carmo, no distrito de Itaquera. Toda essa região era conhecida como a Fazenda Gavião. Dona Escolástica possuía uma filha, chamada Matilde Melchert de Macedo Soares, que havia sido casada com o ex-ministro e embaixador Dr. Macedo Soares - figura importante da política paulistana.
Dona Escolástica era mais comumente conhecida como uma grande benfeitora paulistana da primeira metade do século 20. Suas obras de caridade iam desde doação de dinheiro aos menos favorecidos, a tômbolas e campanhas para cuidar de dentes de crianças em escolas da capital.
No início dos anos 1920 a ferrovia já passava por ali. As estações mais próximas, no entanto, eram relativamente distantes, sendo que a mais próxima no sentido centro era a também já extinta e muito quilômetros do outro lado (sentido Rio de Janeiro) a também já desativada estação de Arthur Alvim, que ficava ao lado de onde hoje é estação do metrô de mesmo nome.
Nesta mesma época, um desastre ferroviário acontece exatamente nesta região sem estação, junto à Fazenda Gavião. Dona Escolástica, dona da propriedade, teria ficado sensibilizada com o ocorrido e resolveu doar para o Estado a área onde ocorreu o desastre para que se fosse construída então uma estação de trem. Sua exigência para tanto foi uma só, que a nova estação fosse batizada com o nome da área que estava começando a lotear e que breve seria um bairro, a "Vila Matilde".
Tanto Dona Escolástica como Dona Matilde, ambas foram moradoras daqui do bairro, criaram suas raízes e merecem o devido reconhecimento e respeito com a memória de sua trajetória e relevância para a manutenção da história do surgimento do Bairro Vila Matilde.
Somos um bairro histórico, um bairro tradicional e queremos que a nossa História seja preservada! Por isso, somos contra a Lei nº 18.267 de 2 de junho de 2025 que faz a alteração da denominação do Viaduto Dona Matilde para Viaduto Romualdo Hatty e abaixo assinamos manifestando nossa oposição na alteração da denominação do viaduto.
Fonte:
- https://bairrovilamatilde.com.br/a-vila/
- https://www1.folha.uol.com.br/fsp/imoveis/ci07039904.htm
- https://prefeitura.sp.gov.br/web/penha/w/noticias/5142