Pela Criação Urgente do Parque-Praça e Centro Cultural no Quarteirão Verde de Perdizes/Barra Funda!
Para: Excelentíssimo Senhor Prefeito da Cidade de São Paulo, Ricardo Nunes, e Ilustríssimos Vereadores e Vereadoras da Câmara Municipal de São Paulo.
Nós, abaixo-assinados, cidadãos e cidadãs em prol de cidades com qualidade ambiental para todas as formas de vida, solicitamos com urgência a intervenção do Poder Público para a desapropriação e conversão do quarteirão localizado entre as ruas:
- Rua Cardoso de Almeida com a Rua Turiaçú (conectado também à Rua São Geraldo e Rua Cândido Espinheira) em um parque-praça público, dotado de um centro cultural e ambiental para a comunidade.
Este terreno, que já foi um quarteirão de casas com quintais repleto de árvores frutíferas, representa hoje uma das últimas oportunidades de se criar uma área verde de fruição pública em uma região densamente povoada, servindo como um oásis de biodiversidade e um ponto de resiliência climática fundamental para a cidade.
JUSTIFICATIVA E URGÊNCIA:
1. Área livre potencial para ampliar e fortalecer a Biodiversidade Ameaçada: o quarteirão abriga um patrimônio ambiental relevante de árvores adultas e a situação de não rebaixamento de lençol freático com a possibilidade real e simples de ganharmos grande área permeável e com qualidade ambiental no bairro. Espécies como mangueiras, ipês, amoreira, jaboticabeira e até um guapuruvu de grande porte compõem um ecossistema vital. Este local é refúgio, paragem e fonte de alimento para mais de 20 espécies de aves, incluindo periquitos, sanhaçus, bem-te-vis e sabiás. Infelizmente, este patrimônio está sob ataque com o risco de muito em breve tornar-se mais um grande empreendimento de edificação no bairro. O sinal desse processo de deterioração programada do terreno, é que as árvores têm sido alvo de podas sistemáticas, extremas e mutiladoras por parte dos proprietários, e a cada ano mais exemplares são suprimidos.
2. Degradação, Abandono e Risco Climático: o quarteirão tem em sua composição prédios que no passado abrigaram agências bancárias (Itaú e Caixa/Banco do Brasil) encontram-se hoje abandonados, vazios e sofrendo com depredações e saques constantes, o que gera insegurança para a vizinhança. Além disso, a recente impermeabilização da Rua São Geraldo com asfalto em 2024, que antes era de paralelepípedos, agrava ainda mais os impactos das mudanças climáticas, aumentando o escoamento superficial e as ilhas de calor. É necessário investir em espaços na malha urbana que demonstrem e apliquem tecnologias de infraestrutura verde e azul em áreas para a qualidade de vida da população, tornando o terreno permeável ao mesmo tempo que aplica técnicas agroflorestais, espaços de convivência para animais domésticos, e em comunidade possam ser aprendidas novas visões de integração de soluções baseadas na natureza com os centros urbanos.
3. Potencial Imenso para a Comunidade: as estruturas existentes, em vez de um problema, são uma oportunidade. Elas podem ser facilmente requalificadas para abrigar um equipamento público com enfoque sociocultural e ambiental focado na memória do bairro sob a perspectiva socioambiental, histórica e de personalidades locais e mundiais que impulsionaram os caminhos da conservação ambiental. Sonhamos com um espaço que acolha as expressões e desejos da comunidade - viveiro de mudas nativas, um centro de compostagem comunitária, espaço para cachorros, cursos de cuidado com plantas, encontros socioambientais, um "berçário" de mudas para quem viaja, reuniões para troca de saberes, sementes e mudas e muito mais. A área permeável junto à Rua São Geraldo já é um espaço de interação informal, assim como o espaço ser amplamente procurado por famílias com cachorros, provando seu potencial como ponto de encontro e bem-estar.
4. Alinhamento com as Políticas Públicas: a criação deste parque socio cultural ambiental está em total consonância com as diretrizes da própria Prefeitura. Alinha-se à revisão do Plano de Ação Climática (PlanClima), e a efetivação das metas do Plano Municipal de Áreas Verdes (PLANPAVEL), do Plano Municipal de Educação Ambiental, à Plano Municipal da Mata Atlântica e ao Programa Federal Cidades Verdes Resilientes. A cidade mais rica do Brasil tem plenas condições de investir em infraestrutura verde, priorizando a saúde e o bem-estar de sua população, tornando a gestão de recursos financeiros mais eficiente ao mitigar efeitos na saúde e climáticos.
NOSSA SOLICITAÇÃO:
Diante do exposto, solicitamos que o Poder Público Municipal:
1. Declare o terreno de utilidade pública para fins de desapropriação, garantindo a proteção imediata de sua vegetação e biodiversidade, uma vez que não há moradias no local, caracterizando uma oportunidade sem nenhum prejuízo social.
2. Execute a conversão da área em um parque-praça público, com um projeto paisagístico que valorize as espécies nativas, enriqueça a biodiversidade funcional, instale viveiro e sistema de compostagem com tecnologias ambientais que podem ser exemplo para a população e aumente a permeabilidade do solo.
3. Requalifique as edificações abandonadas para a criação de um centro cultural e ambiental com tecnologias de infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza, cuja gestão possa ser realizada em parceria com a sociedade civil organizada, fomentando a educação, a cultura e a sustentabilidade local, com modelos de soluções baseadas na natureza e tecnologias ambientais eficientes e sustentáveis criando oportunidade de capacitação e conhecimento na área de economia verde e bioeconomia para a comunidade.
Que este espaço possa ser um modelo e impulsionar investimentos do setor público e privado, para que possam emergir em toda a cidade, e que neste local possa florescer um novo bolsão de vida verde e azul com finalidade cultural ambiental para a comunidade.
Este é o nosso desejo como cidadãs e cidadãos que amam São Paulo e assinam esta petição.