Pela ampliação das bolsas de Pós-Doutorado Júnior — CNPq Chamada 049/2024
Para: Ilmo. Sr. Prof. Ricardo Magnus Osório Galvão, Presidente do CNPq
À Presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Nós, pesquisadores de pós-doutorado, manifestamos nossa preocupação e desapontamento com o baixo número de bolsas PDJ aprovadas na Chamada CNPq 049/2024. Após anos de dedicação à ciência brasileira, nós, os não contemplados no edital, ficamos com pouca – ou nenhuma – perspectiva de continuidade.
Muitos de nós, recém-formados, ainda não temos um histórico sólido de publicações, em virtude da própria natureza inicial da formação doutoral. E esse é justamente um dos principais critérios considerados em editais de outras agências — estaduais, por exemplo —, que poderiam, em tese, ser uma alternativa.
As oportunidades na indústria são igualmente escassas. Em muitos casos, doutores não são bem-vindos, frequentemente por sua visão estratégica e capacidade de identificar a necessidade de mudanças em processos ineficientes, embora consolidados há anos.
Então, quais alternativas restam? Muitos colegas com doutorado acabam recorrendo a trabalhos totalmente fora da área, tornando-se, por exemplo, motoristas de aplicativo — com o mais absoluto respeito à profissão —, mas movidos pela necessidade de sustentar suas famílias, filhos e compromissos. Pagar as contas. Sobreviver.
Qual é o sentido de formar 25 mil doutores por ano, se o país não tem capacidade de absorver esse pessoal? Se as principais agências de fomento não conseguem oferecer suporte para a continuidade desses recém-pesquisadores na academia, que mensagem estamos passando para futuras gerações de cientistas?
O país perde. E perde muito.
Assim sendo, pedimos que o CNPq reavalie e amplie o número de bolsas, garantindo condições mínimas para que jovens pesquisadores continuem contribuindo com a ciência e o desenvolvimento do Brasil.