Eu não escrevo como paciente. Escrevo como sobrevivente.
Enquanto trabalhava, fui tomado por uma dor emocional que me paralisou.
Procurei ajuda. Entrei na terapia como quem busca ar.
E encontrei mais que técnica. Encontrei presença.
Estou há mais de meio ano em acompanhamento. A terapia me salvou.
Mas agora, ao perceber que o vínculo que me curou não pode existir fora do consultório, fui tomado por uma dor nova — institucional, não patológica.
A ética que proíbe vínculos pós-terapia parte do pressuposto de que o paciente é sempre vulnerável.
Mas há vínculos que curam. Há afetos que libertam.
Proponho um debate nacional sobre os limites éticos entre psicólogos e ex-pacientes.
Que se escute quem sente. Que se considere tempo, contexto e consentimento mútuo.
O afeto não é risco. O afeto é revolução.
Contato:
Henrique Pereira Carvalho
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