AO PAPA LEÃO XIV POR ESPAÇO NOS CANAIS DE COMUNICAÇÃO DA SANTA SÉ AO JORNALISMO INDEPENDENTE PROGRESSISTA
Para: PAPA LEÃO XIV
Santíssimo Padre,
Nós, cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, abaixo assinados, comprometidos com os valores da justiça social, da dignidade humana e defensores do jornalismo ancorado na verdade, vimos por meio deste solicitar respeitosamente à Vossa Santidade a abertura de espaços editoriais nos canais de comunicação da Santa Sé — Vatican News, Rádio Vaticano e Vatican Media — para a veiculação de conteúdos jornalísticos independentes, progressistas e éticos, voltados à política nacional e internacional, com retransmissão pelas emissoras de rádio e televisão católicas do Brasil.
Justificamos esta solicitação nos seguintes pontos:
1. Concentração midiática no Brasil: A estrutura dos meios de comunicação brasileiros é amplamente dominada por grupos da elite econômica, que geralmente promovem narrativas distorcidas da realidade em favor dos próprios interesses em detrimento da verdade, do bem comum e da pluralidade informativa.
2. Ameaça à democracia e à paz social: O país enfrenta uma escalada de ações promovidas por grupos de extrema direita de viés fascista e nazista, com tentativas de ruptura institucional por meio da disseminação do ódio, desinformação e violência simbólica, comprometendo a estabilidade democrática e o desenvolvimento humano e social.
3. Compromisso com a verdade e a transformação social: A missão da Igreja Católica, inspirada pelo Evangelho, encontra ressonância em um jornalismo ético que promova a justiça, a inclusão e os direitos humanos, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e solidária; logo, consoante com o jornalismo independente progressista, investigativo em prol da verdade e voltado para a construção do pensamento crítico e da transformação social.
Diante disso, solicitamos:
1. A criação de faixas editoriais destinadas ao jornalismo independente progressista nos Canais de Comunicação da Santa Sé com foco na política nacional e internacional como contraponto ao jornalismo hegemônico das grandes redes nacionais de comunicação; e
2. A retransmissão desses conteúdos pelas redes católicas brasileiras, como apoio institucional da Igreja visando à democratização da comunicação como instrumento de cidadania e paz e combate à desinformação.
Esta solicitação fundamenta-se ainda na seguinte compreensão:
1. A tradição da Igreja Católica possui uma longa e sólida reflexão sobre justiça social, direitos humanos e a dignidade de cada pessoa. Com a Doutrina Social da Igreja emergem princípios como o bem comum, a solidariedade, a opção preferencial pelos pobres, a promoção da justiça, o combate às estruturas de opressão e a defesa da verdade. Esses fundamentos orientam cristãos no compromisso com uma sociedade mais justa, inclusiva e fraterna.
2. Nesse contexto, a comunicação assume um papel essencial. Em seus princípios doutrinários, a Igreja afirma reconhecer a verdade como um bem comum e que a busca por ela é inseparável da construção de uma sociedade que respeite a dignidade humana. Documentos como Inter Mirifica, Communio et Progressio e Ethics in Internet sublinham que os meios de comunicação têm responsabilidade moral: promover a verdade, fortalecer a convivência social e evitar distorções, manipulações e práticas que desinformem ou dividam as pessoas.
Sendo assim, o jornalismo independente progressista, historicamente dedicado à defesa de direitos sociais, econômicos e ambientais, encontra ressonância em vários princípios da Doutrina Social da Igreja. Sua atenção às desigualdades estruturais, à exclusão social, ao trabalho digno, à justiça econômica, ao cuidado ambiental e à defesa dos grupos vulneráveis se alinham com valores católicos essenciais, como: a opção preferencial pelos pobres; o reconhecimento da dignidade de cada pessoa; a promoção de políticas e práticas que favoreçam o bem comum; a denúncia das injustiças e violações de direitos; e a busca por formas de comunicação que humanizem e promovam a fraternidade.
Ao propor debates críticos e abrir espaço para vozes marginalizadas, o jornalismo independente progressista pode contribuir para a formação de uma consciência social mais lúcida e para a transformação positiva da sociedade. Ele se integra a um ecossistema comunicacional que promove discernimento, análise e responsabilidade — elementos indispensáveis para enfrentar narrativas extremistas, antidemocráticas ou excludentes.
Por tudo isso, confiamos que esta solicitação será acolhida com discernimento pastoral e sensibilidade social, em consonância com os princípios cristãos que orientam o magistério de Vossa Santidade.
Com elevada consideração e respeito, subscrevemo-nos
Cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras que assinam esta petição a partir desta data de 10 de novembro de 2025.
Assine e ajude a espalhar esta causa!