CARTA COLETIVA EM DEFESA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DA UNICAMP E PELA IMEDIATA REGULARIZAÇÃO DAS VERBAS ESTADUAIS
Para: Alesp, Ouvidoria de Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Gabinete do Secretário Estadual de Saúde de São Paulo, Promotoria de Saúde do Ministério Público de São Paulo, HC Unicamp, Deputados estaduais da região de Campinas, Diretoria do HC, Conselho estadual de saúde
Nós, abaixo-assinados, cidadãos da Região Metropolitana de Campinas e do estado de São Paulo, manifestamos nossa profunda preocupação com a atual situação financeira e assistencial do Hospital de Clínicas da Unicamp (HC-Unicamp). O HC é referência regional em atendimento de alta complexidade pelo SUS e responsável por milhares de vidas que dependem diariamente dos seus serviços.
Nos últimos meses, a situação do hospital se deteriorou de forma grave em função da suspensão dos repasses estaduais há aproximadamente 10 meses, conforme divulgado por reportagens recentes da CBN Campinas e da EPTV. Segundo a direção do HC, o valor não repassado pelo Governo do Estado gira em torno de R$ 9 a 10 milhões por mês, acumulando um déficit superior a R$ 100 milhões.
Essa crise não é pontual: desde 2024, o hospital já alertava que mudanças na forma de remuneração do SUS poderiam gerar um déficit anual de R$ 55 milhões, comprometendo a manutenção de procedimentos de alta complexidade, incluindo cardiologia, oncologia, UTI, nefrologia e diversas cirurgias.
Hoje, o cenário se agravou e já causa efeitos diretos sobre a vida das pessoas. A própria direção do HC informa que existem 192 pacientes aguardando cirurgias cardíacas, situação especialmente alarmante numa região que depende quase exclusivamente da Unicamp para procedimentos complexos e emergenciais. O represamento dessas cirurgias, sendo muitas delas urgentes, coloca pacientes em risco iminente de agravamento clínico e morte evitável.
É inadmissível que um hospital universitário de excelência, responsável pela formação de profissionais, pela produção de conhecimento e pelo atendimento de alta complexidade, funcione sob tamanha instabilidade financeira. A descontinuidade de repasses essenciais compromete:
a realização de cirurgias cardíacas, neurológicas, oncológicas e vasculares;
a manutenção de leitos de UTI;
a oferta de exames fundamentais para diagnóstico e acompanhamento;
o funcionamento de equipamentos e serviços críticos;
a segurança de pacientes e profissionais.
A Constituição Federal garante a saúde como direito universal e dever do Estado. A interrupção de repasses regulares viola esse princípio e coloca vidas sob risco.
Por isso, solicitamos:
A regularização imediata e integral dos repasses estaduais atrasados ao HC da Unicamp, conforme previsto na vinculação orçamentária.
A divulgação transparente, pelo Governo do Estado, de um cronograma público de pagamento.
A adoção de medidas emergenciais para garantir a continuidade das cirurgias cardíacas e demais procedimentos de alta complexidade.
A atuação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, da Defensoria Pública e do Ministério Público para garantir que o direito constitucional à saúde seja respeitado.
A emergência de uma solução definitiva e estável, que impeça a repetição dessa situação crítica nos próximos anos.
O Hospital de Clínicas da Unicamp é patrimônio público e referência nacional. Ele não pode e não deve ser colocado à beira do colapso administrativo por falta de repasses que são obrigação básica do Estado.
Assinamos esta carta em defesa da vida, da saúde pública, do SUS e dos milhares de pacientes que dependem diariamente do HC-Unicamp.
Fontes jornalísticas consultadas:
– EPTV / G1 Campinas (2025): "HC da Unicamp afirma estar há 10 meses sem receber verbas estaduais". Reportagens sobre atraso de 10 meses nos repasses estaduais ao HC-Unicamp.
– CBN Campinas (2025): “HC da Unicamp afirma estar há 10 meses sem receber verbas estaduais.”
– G1 Campinas (2024): “Entenda por que o SUS Paulista pode causar déficit de R$ 55 milhões para o HC da Unicamp.”
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