Memorial dos Povos Originários de Curitiba
Para: Sociedade Civil
Nós, povos originários, filhos e filhas da terra, guardiões das águas, das florestas e das palavras antigas, viemos por meio desta carta reafirmar a importância da criação do Memorial dos Povos Originários de Curitiba, um espaço de memória viva, de resistência e de sabedoria ancestral. Está rodando neste momento uma proposição na Câmara Municipal de Curitiba para que o Memorial seja construído no Parque Tingui.
Antes que esta cidade tivesse nome, já havia caminhos abertos pelos nossos passos.
Aqui, onde hoje se levantam muros e avenidas, cantavam nossos ancestrais, guiados pelo som do
vento e pela sabedoria da floresta.
Curitiba e o Paraná nasceram sobre território indígena, e reconhecer isso é reconhecer a verdade da nossa história.
O Memorial não é apenas uma obra arquitetônica, ele é um território espiritual, onde a memória se reencontra com o presente, e onde o futuro pode aprender a respeitar suas origens. Ele representa a voz dos povos Guarani, Kaingang, Xetá e de tantas outras nações que ainda vivem e resistem neste estado, mesmo diante do silêncio, da perda e do esquecimento. Queremos que este Memorial seja um espaço de encontro e de aprendizagem, onde as crianças das escolas municipais e estaduais possam conhecer a verdadeira história dos povos que formaram o Paraná; onde nossos anciãos sejam ouvidos e reverenciados; e onde a sabedoria indígena possa dialogar com a ciência, com a arte e com a educação. Pedimos o apoio e o reconhecimento de Curitiba e das instituições públicas e culturais para
que este projeto se torne marco histórico, promovendo uma formação baseada no respeito, na diversidade e na sustentabilidade.
O Memorial dos Povos Originários será um símbolo do Paraná profundo, da floresta, da araucária, dos
rios e das aldeias. Ele é também um ato de reparação histórica e de compromisso com a vida. Porque não há futuro sem memória, e não há memória sem escuta. Assim, nós povos, aliados e apoiadores, assinamos esta carta em defesa da criação do Memorial dos Povos Originários de Curitiba, reafirmando que ele representa a identidade viva, a força cultural e o direito à memória dos povos indígenas do Paraná. Que a araucária continue erguida como guardiã desta história, e que a cidade aprenda, com
as raízes, a crescer com respeito, sabedoria e união.
Curitiba, 16 de outubro de 2025
Marcio Kókoj
Diretor/Presidente
ONG UIRAPURU – Organização Indígena e Indigenista Socioambiental