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MANIFESTAÇÃO FORMAL DE INSATISFAÇÃO, QUESTIONAMENTOS INSTITUCIONAIS E REQUERIMENTO DE PROVIDÊNCIAS IMEDIATAS

Para: Afya Universidade UNIGRANRIO

Os alunos regularmente matriculados no curso de Medicina da Afya Universidade UNIGRANRIO – Campus Barra da Tijuca, por meio deste abaixo-assinado, vêm, de forma respeitosa, manifestar profunda insatisfação, inconformismo e preocupação com a qualidade acadêmica atualmente ofertada pela instituição, diante de fatos graves, reiterados e estruturalmente relevantes.
Causa extrema apreensão à comunidade discente a nota 2 (dois) atribuída ao curso de Medicina da UNIGRANRIO no ENAMED, avaliação nacional destinada a aferir critérios mínimos de qualidade do ensino médico no país. Tal resultado revela-se alarmante e absolutamente incompatível com a proposta institucional divulgada, com as legítimas expectativas dos alunos e, sobretudo, com o fato de se tratar de um dos cursos de Medicina de maior valor financeiro do Brasil.
A discrepância entre o elevado investimento econômico exigido dos estudantes e o baixo desempenho institucional aferido por avaliação oficial evidencia uma situação grave, que compromete a formação técnica, científica e ética dos discentes, além de colocar em risco a credibilidade do curso e do diploma a ser futuramente emitido.
Somam-se a esse cenário críticas recorrentes, amplamente percebidas e vivenciadas pelos alunos ao longo do curso, dentre as quais destacam-se:
1) Cortes e demissões frequentes de professores, ocorrendo com constância significativa, sem transparência adequada ou justificativa acadêmica clara;
2) Alta rotatividade do corpo docente, prejudicando a continuidade pedagógica, a coerência metodológica e a consolidação do aprendizado;
3) Ausência ou insuficiência de professores com formação acadêmica, titulação e experiência compatíveis para determinadas disciplinas e orientações, comprometendo diretamente a qualidade do ensino ministrado;
4) Redução expressiva da carga horária de diversas disciplinas, mascarada de horários ditos como “zona verde”, quando comparada:
• à metodologia anteriormente praticada pela própria instituição; e
• aos parâmetros adotados por outras faculdades de Medicina, nas quais a carga horária se mostra significativamente mais robusta e adequada à complexidade do conteúdo exigido;
Tal redução representa prejuízo direto à formação teórica e prática dos estudantes e levanta questionamentos legítimos quanto à priorização de critérios econômicos em detrimento da excelência acadêmica.
5) Circulação de rumores, ao final do semestre letivo anterior, acerca de um possível encerramento do laboratório cadavérico, estrutura essencial e insubstituível para a formação médica adequada. Ressalta-se que, até o presente momento, não houve qualquer nota oficial, esclarecimento público ou posicionamento formal da instituição ou da coordenação do curso, o que gera insegurança acadêmica e instabilidade pedagógica.

6) Questionamentos relevantes quanto ao método de ensino atualmente adotado, notadamente o método PBL, não em sua concepção teórica, mas na forma deficiente como vem sendo aplicado pela instituição. Observa-se, na prática, que:

o há transferência excessiva de responsabilidade ao aluno, estimada em aproximadamente 80% do processo de aprendizagem;
o o método tem sido utilizado como justificativa para redução de carga horária presencial, diminuição do nível de aprofundamento técnico e flexibilização indevida dos critérios de qualificação docente;
o professores acabam atuando, em muitos casos, como meros mediadores, sem a perícia técnica e científica esperada para o ensino médico;
o o modelo adotado passa a se assemelhar a um ensino semipresencial, incompatível com a complexidade e a responsabilidade inerentes à formação médica.

Tal cenário gera fundada preocupação de que, caso mantidas as atuais práticas, o desempenho institucional em futuras avaliações nacionais, já com alunos integralmente submetidos ao novo método, possa ser ainda mais insatisfatório.
Soma-se a isso o fato de que parte significativa do corpo docente não aparenta estar devidamente preparada para a aplicação do método PBL, o que torna sua execução ainda mais frágil. Em instituições de ensino médico, é prática consolidada a exigência de docentes com titulação mínima de mestrado, sendo razoável esperar que, em um método pedagógico tão específico, haja:
o professores com mestrado e/ou doutorado;
o capacitação formal, contínua e comprovada para atuação no modelo PBL;
o domínio técnico e metodológico suficiente para conduzir adequadamente as turmas e garantir aprendizagem efetiva.

Diante desse contexto, os alunos signatários requerem, de forma urgente e objetiva, que a instituição:
• Apresente esclarecimentos formais, documentados e públicos acerca do desempenho insatisfatório no ENAMED;
• Divulgue um plano de ação estruturado, com metas claras, prazos definidos e responsáveis identificados;
• Garanta a estabilização do corpo docente, com professores devidamente qualificados, titulados e experientes;
• Esclareça os critérios de contratação, desligamento e substituição de professores;
• Justifique tecnicamente a redução da carga horária das disciplinas, promovendo sua imediata readequação aos padrões mínimos praticados por instituições de referência;
• Manifeste-se oficialmente acerca da manutenção, continuidade e funcionamento do laboratório cadavérico;
• Apresente dados objetivos sobre:
o o percentual de professores com mestrado e doutorado no curso de Medicina;
o a capacitação específica oferecida aos docentes para atuação no método PBL;
• Reafirme, de forma concreta e verificável, o compromisso institucional com a excelência acadêmica, proporcional ao investimento financeiro exigido dos alunos.

O presente abaixo-assinado não constitui mera insatisfação pontual, mas uma manifestação coletiva legítima, fundamentada no direito dos estudantes a uma formação médica sólida, ética, segura e tecnicamente adequada.

Registra-se, desde já, que a ausência de respostas claras, objetivas e tempestivas poderá ensejar o encaminhamento desta manifestação aos órgãos reguladores da educação superior, inclusive o Ministério da Educação, de forma independente, visando à adoção das medidas cabíveis.

Termos em que,
Pede-se providências urgentes.

Barra da Tijuca,19 de Janeiro de 2026.

Alunos do curso de Medicina da Afya Universidade UNIGRANRIO
Campus Barra da Tijuca
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Esta petição foi criada em 19 janeiro 2026
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