Patrimônio Histórico de Nova Serrana
Para: Poder Público Municipal de Nova Serrana
ABAIXO-ASSINADO EM DEFESA DO CASARÃO COLONIAL HISTÓRICO DA RUA DIMAS GUMARÃES
À Prefeitura Municipal, ao Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, e aos órgãos competentes de preservação histórica:
Nós, membros e apoiadores da APHINS – Associação do Patrimônio Histórico de Nova Serrana, viemos por meio deste manifesto expressar nossa profunda preocupação com o estado de abandono e degradação do Casarão Colonial localizado na Rua Dimas Guimarães, nº 194 - Centro, no município de Nova Serrana.
Este imóvel, já tombado e sendo o único que resiste à demolição e modernização dos edifícios em nossa cidade, testemunha silenciosa de décadas de história, encontrando-se hoje em um limbo existencial: não sabe de onde veio, pois, sua memória está sendo apagada pelo descaso; e não sabe para onde vai, pois, seu futuro é incerto e ameaçado pela ruína. Suas paredes carregam em suas fissuras não apenas a deterioração do tempo, mas a negligência de uma sociedade que parece ter esquecido a importância de suas próprias raízes. O tombamento, neste caso, revela-se uma promessa vazia se não for acompanhado da ação efetiva do poder público.
Um lugar que perde sua história perde também sua identidade. E uma cidade que permite que seus símbolos arquitetônicos e culturais desapareçam é uma cidade que renuncia à sua própria alma. Esse casarão não é apenas uma estrutura de alvenaria; é um documento em pedra e cal, um capítulo vital e protegido por lei na narrativa de nossa comunidade. Sua arquitetura singular, seus detalhes históricos e sua localização estratégica no centro urbano clamam por respeito, não apenas no papel, mas na realidade.
No entanto, sem a devida proteção e intervenção, esse patrimônio está fadado ao esquecimento — ou, pior, à destruição definitiva. A ação do poder público é, portanto, urgente e indispensável. Apelamos às autoridades competentes que:
1. Realizem uma avaliação técnica detalhada do estado de conservação do imóvel, com urgência;
2. Elaborem e executem um projeto emergencial de estabilização e restauro, garantindo a integridade estrutural do casarão;
3. Cumpram efetivamente as obrigações legais inerentes ao tombamento, garantindo a guarda, a vigilância e a manutenção periódica que a lei exige para uma património protegido;
4. Promovam um debate público transparente sobre o futuro uso do espaço, de modo que, uma vez recuperado, ele se torne um local vivo, a serviço da comunidade; seja como centro cultural, museu, espaço de memória ou equipamento público, em consonância com sua relevância histórica.
Não podemos aceitar que o tombamento seja uma sentença de morte burocrática, e não um instrumento de vida para a nossa história. Preservar e revitalizar este casarão é honrar a lei, respeitar a história e devolver à comunidade um símbolo de sua identidade. É transformar um patrimônio de papel em um patrimônio vivo.
Convocamos todos os cidadãos, entidades culturais e amantes da história a se unirem a nós neste apelo. O tempo é agora. É hora de escrever um novo destino para este casarão: um destino de respeito, revitalização e reconexão com a nossa identidade coletiva.
Assine e compartilhe. Preservar o passado é construir o futuro.
Nova Serrana, 22 de janeiro de 2026.
APHINS – Associação do Patrimônio Histórico de Nova Serrana