Contra as mudanças no Colégio Santa Maria
Para: À direção do Colégio Santa Maria
O Colégio Santa Maria, do qual fizemos parte (ex-alunos e ex-funcionários), tem tomado um rumo totalmente contrário a tudo o que sempre foi ensinado. Durante nossos anos lá, entendemos que os valores cristãos não se reduziam a dogmas religiosos conservadores do catolicismo, mas sim a um projeto humano, de respeito ao próximo, independente de religião. Desde o fim do ano passado, vemos esses valores que tanto foram postos — trabalho de dedicação de uma vida, principalmente por parte das irmãs Anne e Diane — serem rasgados autoritariamente e de modo totalitário.
A irmã Diane, de modo — para dizer o mínimo — estranho, foi repentinamente afastada da direção e substituída (após mais de 50 anos, sem nem mesmo ter uma cerimônia honrosa) por pessoas alheias à escola, que deliberaram, a partir dos próprios valores, sem qualquer possível conversa com funcionários, pais ou alunos, os novos rumos da escola.
A nova direção recebeu a equipe pedagógica do colégio (um colégio de aproximadamente 3000 alunos) com dois potes, um de bolacha salgada e um de doce, muito diferente do que era no passado, quando os professores eram tratados com dignidade, com um café da manhã grande de recepção a mais um ano letivo. Logo de início, foram avisados de que o café — um clássico em qualquer trabalho, e mais ainda nas salas de professores — já não existiria; geladeiras e micro-ondas também foram retirados. Não bastando, objetos próprios que os professores compraram em rateio, como máquina de café, foram proibidos, e os docentes foram aconselhados a retirá-los, ou seriam doados.
No Ensino Médio, duas disciplinas eletivas foram excluídas da grade, justamente as que tocavam em assuntos como espiritualidade e diversidade. Além disso, desde o primeiro dia de aula, as diretrizes da escola não entendem mais os ensinamentos cristãos como respeito ao ser humano, mas como dogmatização e catequização dos alunos, que, no primeiro dia de aula, tiveram suas malas abençoadas (todos, dos pequenos à EJA). Do Infantil ao Fundamental I, as crianças rezam no início das atividades. Ainda que seja uma escola católica, nunca foi mandatória a devoção ao catolicismo, sendo sempre muito respeitado qualquer outro credo ou ausência dele. Muitos pais estão incomodados.
Funcionários têm sido demitidos desde o começo do ano de maneira vexatória, até mesmo em frente a pais e alunos. Hoje, dia 05/02/2026, os alunos do Ensino Médio não subiram para suas salas de aula como forma de protesto, e a direção se recusou a conversar com eles. Aliás, tal atitude tem sido recorrente, pois, segundo as novas diretrizes, existem hierarquias a serem seguidas, isto é, com a direção apenas subalternos diretos, sendo que nem professores podem dirigir-se à direção.
Os auxiliares foram redesignados à função de controladores de banheiro nos corredores do colégio e coibidos quanto a práticas e roupas. Além disso, existem relatos de funcionários que estão desconfortáveis em demonstrar qualquer tipo de vínculo afetivo, como um abraço, uma amizade, pois isso é visto de maneira negativa pela direção.
O Santa Maria que estudamos e que tanto nos ensinou está desmoronando sob um projeto autocrático e despótico. Apesar de não estarmos mais lá, acreditamos que o Colégio Santa Maria, tradicional instituição da cidade de São Paulo e, principalmente, importante escola na zona Sul, durante mais de 75 anos ensinou tudo ao contrário do que estamos vivendo. A educação (e o cristianismo) é formada por respeito ao próximo. Não se pode estudar numa escola que não dá segurança a pais, alunos e funcionários, que não os trata dignamente; por isso, assinamos este protesto, a fim de que a direção passe a, verdadeiramente, ser humanamente cristã.