Manutenção do trabalho à distância para os empregados da Casa da Moeda do Brasil
Para: Empregados da Casa da Moeda do Brasil
Rio de janeiro, 19 de fevereiro de 2026,
À Vossas Senhorias, o Presidente e Diretores da CMB
No dia 12/02/2026, nós, empregados das áreas administrativa e de apoio às
fábricas desta Casa da Moeda do Brasil, fomos informados da decisão da
Diretoria que, por maioria, aprovou o retorno ao trabalho presencial no formato
4x1, quatro dias de trabalho presencial e um de trabalho remoto, com início
previsto para 04/05/2026, bem como, por unanimidade, decidiu pela extinção do
teletrabalho.
De acordo com o informe da empresa, essa mudança teria fundamento na
“importância de fortalecer a cultura organizacional, o pertencimento e a
integração entre áreas, favorecendo o alinhamento de prioridades, a colaboração
cotidiana e a construção conjunta de soluções, aspectos essenciais para o
desempenho institucional e para um ambiente de trabalho cada vez mais
integrado”.
Como é de conhecimento, o trabalho à distância na Casa da Moeda teve início em
novembro de 2019. Àquela época, tratava-se de um projeto piloto com cerca de
100 funcionários, proposto pela Diretoria de Inovação e Mercado, com o objetivo
de verifcar se a empresa tinha condições de instituir essa modalidade, e qual
seria seu impacto no fuxo de trabalho.
Com a pandemia, em 2020, e a consequente urgência sanitária, esse processo
acelerou, e albergou a maior parte da área administrativa e de apoio da empresa.
Apesar dessa mudança abrupta, o que se viu foi uma ótima adaptação dos setores
cujo trabalho se encaixava nesse modelo.
Ao longo desses 6 anos, a CMB experimentou um aprimoramento da
produtividade dessas áreas, ao mesmo passo que viu as despesas correntes
caírem consideravelmente, conforme apurado e exibido nos relatórios do extinto
Comitê do Trabalho à Distância, ou seja, uma situação almejada por qualquer
empresa, ainda mais uma empresa pública, cujo balanço e resultados são
acompanhados de perto pela sociedade.
Obviamente, o modelo não é infalível, havendo a possibilidade de correções
pontuais e casos que exigem uma atenção maior das gerências. Porém, o trabalho
à distância na CMB, tal qual objetivado em 2019, mostrou-se uma excelente
ferramenta para, não apenas contribuir para a melhora do resultado da empresa,
fnanceiramente, mas, ao mesmo tempo, motivar seus funcionários e colocar a
organização em condições de competir com o mercado, com uso de novas
ferramentas de tecnologia, melhor administração de prazos e orientação por
metas e resultados.
Vale dizer que é justamente por isso que o Governo Federal editou, por meio do
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos/Secretaria de Gestão e
Inovação, a instrução normativa conjunta SEGES-SGPRT /MGI nº 24, de 28 de
julho de 2023, estimulando o trabalho à distância, além de também ter criado o
Programa de Gestão e Desempenho (PGD), instituído pelo Decreto 11.072/2022,
já utilizado por diversos órgãos e empresas da Administração Pública Federal.
Dessa forma, causa enorme espanto essa decisão da Diretoria, pois surpreende
seus funcionários com um movimento absolutamente contrário a todos os dados
diuturnamente apresentados sobre o tema, e antagônico à lógica de otimização
de resultados e preservação da saúde fnanceira da empresa. Cumpre lembrar
que o tema já havia sido debatido em 2023, quando a maioria dos integrantes
dessa mesma gestão reforçou a importância do trabalho híbrido para a CMB.
Considerando que a publicação dessa decisão coincide com a reabertura do
Plano de Demissão Voluntária, especula-se que a motivação da Diretoria seria
estimular a sua adesão. No entanto, essa visão, s.m.j., é, de certa forma,
equivocada, pois aqueles funcionários que já tinham planos de encerrar suas
carreiras o fariam tão somente pelo teor da oferta do PDV, independente desse
“incentivo”, podendo haver alguns até indiferentes ou mesmo simpáticos à ideia
de contato presencial diário, e quanto aos demais, poucos serão aqueles que, de
fato, abrirão mão de seus empregos unicamente por esse motivo. O que pode
ocorrer é a indesejável perda de capital humano já treinado, em áreas sensíveis e
mais facilmente absorvíveis pelo mercado, o que seria muito ruim para a
continuidade de projetos da CMB.
Além disso, o que essa medida, de fato, alcançará é a inexorável perda da
produtividade alcançada nos últimos anos pela área administrativa. É de pleno
conhecimento que o trabalho à distância, seja ele remoto ou teletrabalho, em
nada subtraiu a entrega das tarefas dos setores que o aderiram. Pelo contrário, o
que se viu e se vê, é que os funcionários se dedicam, muitas vezes, além de seus
horários regulares de trabalho, e até abrem mão de dias que poderiam ser de
afastamento completo, para concluir tarefas do interesse da empresa.
Descartar isso é uma decisão que causa espécie, pois a empresa nada terá a
ganhar. Os funcionários dos setores administrativos e de apoio passarão a estar
presentes no horário de seu turno, e as demandas que surgirem fora desse
período (e muitos são os casos assim), ainda que de relevância, não contarão
mais com a prontidão e celeridade trazidos pelo trabalho à distância. Isso, ou a
CMB onerará sua operação ainda mais, com o pagamento de mais horas extras
quando necessário.
Voltando aos motivos apresentados para essa decisão, a Diretoria afrmar que a
presença na CMB é necessária para a “integração entre áreas”, não parece
apresentar correlação com os dados concretos e mensuráveis, visto que, mais do
que nunca, com o uso da ferramenta MS TEAMS, tem ocorrido a plena interação
entre as áreas. De fato, qualquer demanda está a um mero clique de distância, e é
resolvida em poucos minutos, com uma troca de mensagens, ligação ou agenda
de reunião, tudo com a máxima objetividade. Cabe mencionar que, quando existe
a necessidade de estar presencialmente na CMB, por qualquer motivo, os
funcionários não se escusam de sua responsabilidade, ainda que,
contingencialmente, isso exceda os dias já cumpridos nas dependências da
empresa.
Também é preciso dizer que, em todo esse tempo de trabalho à distância do
administrativo, jamais deixou de haver a construção conjunta de soluções, nem o
alinhamento de prioridades. Afrmar isso como mais um motivo para essa
mudança, demonstra um descrédito ao trabalho e ao empenho dos funcionários
desse modelo, e contradiz as diversas notícias positivas referentes ao trabalho do
administrativo que se observa na intranet. Ademais, em nenhum momento, a
cultura organizacional foi enfraquecida, nem houve qualquer abalo na sensação
de pertencimento dos empregados em trabalho remoto e teletrabalho.
O que esses termos talvez queiram traduzir é que a parte da Diretoria vê com bons
olhos o retorno presencial, ainda que sem amparo técnico e factual. Todavia, ao
se analisar a consequência que isso trará ao resultado, tanto em termos
fnanceiros, como de diminuição de efciência, é possível inferir que é uma troca
que não compensará, e que será prejudicial a toda a empresa, no médio prazo.
Enfm, o que a Diretoria está trazendo com essa decisão demonstra uma
incoerência e compromete o sucesso da atual gestão, pois, de uma só vez,
contribui para o agravamento da saúde fnanceira da empresa, o que certamente
despertará a atenção dos órgãos de controle cabíveis, desprestigia toda a
categoria de trabalhadores das áreas administrativas e de apoio às fábricas, o que
se contrapõe aos valores defendidos pelo Governo que representa, e estimula o
decréscimo de produtividade. Um retrocesso signifcativo, que, por meio do
presente abaixo assinado, solicitamos e encorajamos que seja revisto e revertido
com a cautela, serenidade e responsabilidade que o caso requer.