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Revisão do Modelo de Bermuda Escolar

Para: Direção da Escola Jardim das Nações - Unidades de Taubaté e Tremembé

Nós, pais de alunos e alunas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, e do 1º ao 3º ano do CJN, de ambas unidades de ensino, sitos em Taubaté e Tremembé, por meio deste documento, viemos manifestar, pacificamente, nossa insatisfação com a alteração do modelo de bermuda feminino e as justificativas apresentadas para tal decisão, imposta pela instituição para o presente ano letivo. Queremos também mostrar abertura ao diálogo e à busca por uma solução minimamente satisfatória para ambas as partes: direção e alunas.

Inicialmente, é preciso esclarecer que este documento não tem em vista estabelecer um ataque a decisão tomada pela direção escolar. Pelo contrário, alinhados aos princípios do Jardim, buscamos realizar aqui um exercício de cidadania e colaboração para com a sociedade escolar, visando seu melhor desenvolvimento. Assim, em relação à mudança do modelo de bermuda escolar para meninas, entendemos que:
1. O modelo utilizado no ano passado atendia aos critérios de postura e funcionalidade, não sendo considerado excessivamente curto ou inadequado para o ambiente escolar;
2. Acreditamos que eventuais usos indevidos ou modificações particulares no uniforme devam ser tratados de forma INDIVIDUAL e EFICIENTE. Não consideramos justo que uma regra geral penalize todo o corpo discente por condutas isoladas que poderiam ser resolvidas com orientação e advertência direta às alunas envolvidas.
3. Muitas famílias já investiram na compra do uniforme anterior. A exigência de um novo modelo gera gastos imprevistos e o descarte desnecessário de peças em bom estado, o que vai contra práticas de consumo consciente incentivadas pela escola.
Além disso, encaramos como um ato machista a punição somente às meninas, uma vez que meninos também, eventualmente, desobedeciam às regras, e a alteração por um modelo de bermuda que não se adequa ao corpo feminino, especialmente no ambiente escolar. Ademais, a transição do modelo não foi realizada da maneira prevista pela lei.
Segundo a Lei Federal 8.907/94, as escolas públicas e privadas da rede de ensino do País que obrigam o uso de uniformes aos seus alunos, não podem alterar o modelo de fardamento antes de transcorridos cinco anos de sua adoção. E os critérios para a escolha do uniforme deverão levar em conta as condições econômicas do estudante e de sua família, bem como as condições de clima e localidade em que a escola funciona.
Logo, o modelo de bermuda feminino proibido nesse ano letivo, que havia sido instituído nessa unidade escolar há apenas três anos, deveria permanecer em uso por ao menos mais dois anos para, enfim, ser realizada uma transição gradual, justa e adequada para com todos os alunos.
Entendemos que o novo modelo proposto pela direção não respeita as necessidades do corpo da menina e exige tanta fiscalização em relação ao uso correto quanto o modelo antigo exigia, não só para as meninas, mas também para os meninos.
Em um contexto escolar democrático e igualitário, nós pais apoiamos a reivindicação de nossos estudantes pelo direito feminino em fazer uso correto do modelo de bermuda escolar que seja adequado à biologia do corpo da mulher em um ambiente educativo que preza pela valorização do esporte, do bem-estar e da educação de qualidade para meninos e meninas.
Diante do exposto, então, os alunos trazem aqui, em consonância com seus responsáveis legais, duas sugestões propostas no intuito de resolver o conflito com a direção.
1. Que a escola reconsidere a decisão e permita a continuidade do uso do modelo anterior. Reafirmam, juntamente conosco, o compromisso em zelar pelo uso correto do uniforme, conforme as normas da instituição, e inclusive colaborar entre alunas para que a fiscalização do uso adequado da bermuda aconteça de forma eficiente e prática;
Ou:
2. Que a escola realize a transição do modelo de bermuda por um modelo outro que seja realmente adequado ao corpo das alunas e que essa transição seja feita de forma gradual e respeitosa às famílias que já realizaram a compra do modelo atualmente proibido e às alunas que merecem ser ouvidas e respeitadas.

Reforçamos que, unidos, todos os pais de alunos aqui presentes que assinaram o abaixo-assinado que se encontra no fim desse documento apoiam o movimento estudantil promovido pelos mesmos que concordam em seguir as regras da escola e estão abertos ao diálogo e negociação pacífico, justo e respeitoso.
Que o Dia Internacional da Mulher que se aproxima seja oportunidade para repensar o tratamento entre alunos e direção para com as meninas que aqui estudam e trabalham, para que sejam ouvidas, respeitadas e valorizadas nas decisões tomadas pela direção escolar.
Aguardam, então, o posicionamento da direção sobre esse documento em até quinze dias na mesma formalidade e respeito com que reivindicam seus direitos hoje. Estamos todos dispostos a conversar e encontrar soluções que melhorem o ambiente escolar em que estudamos.
Obrigado.

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Esta petição foi criada em 25 fevereiro 2026
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